A influencer Raya Carvalho dos Santos, de 20 anos, denuncia que foi vítima de transfobia e intolerância religiosa na Unidade de Pronto Atendimento de Mejessana, em Fortaleza (CE), na segunda-feira (23).
Ela disse que procurou a UPA porque estava com soluço há quatro dias, além de dor de garganta e para urinar, mas, ao entrar no consultório, o médico disse: “E aí, rapaz!”.
De cara, Raya percebeu que a consulta não seria nada amistosa e começou a gravar a conversa.
Ele continuou: “Qual o seu nome?”.
“Raya Carvalho dos Santos”, respondeu a paciente.
“É o seu nome social, né?”, insistiu ele. “Não. É o meu nome mesmo”.
“É, a coisa está feia”, rebateu.
Raya disse que o fato foi constrangedor e que ela ficou angustiada.
“Eu estava vulnerável e esperava ser acolhida da parte dele e eu não tive oportunidade de fala”, desabafou a influencer.
Intolerância religiosa
Raya disse que em outro momento da consulta, o médico percebeu que ela está usando no pescoço a guia — um símbolo da umbanda, e ainda sugeriu que deixasse de usá-la.
“Ele disse que Deus me amava, mas que não amava a minha prática”.
Trauma psicológico
Depois da consulta, Raya disse que ficou traumatizada e precisou procurar um centro de apoio LGBT+ para conseguir consulta com um psicólogo, pois estava se sentindo muito mal emocionalmente após o atendimento na UPA.
Contudo, ela disse que jamais vai desistir pelo que acredita e quer ser na vida.
“Todos os dias mulheres trans morrem no Brasil. Nós somos mulheres trans sobreviventes. Não é sobre mim. É sobre outras mulheres trans”, disse convicta.
UPA de Messejana
Por nota, a UPA de Messejana informou que repudia veementemente qualquer ato de discriminação, incluindo manifestações de transfobia ou intolerância religiosa, e reafirmou o compromisso com o respeito aos direitos humanos e à dignidade de todas as pessoas usuárias do SUS.
A UPA disse que que assegura às pessoas transexuais e travestis o direito à identificação pelo nome social no âmbito da administração pública, bem como a lei que garante às mulheres o direito de serem acompanhadas por pessoa maior de idade durante o atendimento em unidades de saúde.
A unidade se coloca à disposição da paciente e apura a ocorrência do caso, e orienta que denúncias formais sejam encaminhadas à Ouvidoria e à Polícia Civil.