Um dos PMs presos sob suspeita de matar policial que investigava milícias no RJ é solto
Polícia Civil do Rio descartou a participação de Wilson Sander Lima dos Santos no crime; policial havia sido preso na terça-feira (6)

O subtenente da Polícia Militar Wilson Sander Lima dos Santos, de 50 anos, suspeito de participar do assassinato da policial Vaneza Lobão, foi solto na manhã de quinta-feira (8). A Polícia Civil do Rio de Janeiro descartou o envolvimento do militar no crime. Ele e o também subtenente Leonardo Vinício Affonso haviam sido presos na terça-feira (6).
À Itatiaia, a Polícia Civil informou que Lima havia sido apontado como suspeito porque pesquisou e monitorou o veículo da vítima. Porém, durante a oitiva, o militar explicou e comprovou que a ação era parte do seu trabalho, já que o carro de Veneza costumava ficar estacionado no batalhão em que Lima trabalhava.
Após descartar a participação do subtenente no crime, a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) pediu pela soltura do investigado. A decisão foi expedida pela 2ª Vara Criminal, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).
"A Polícia Civil esclarece que a prisão temporária é um instrumento para auxiliar nas investigações e, durante esta etapa, restando concluído que não há mais suspeita sobre o detido, é pedida a revogação da prisão, como ocorreu neste caso. A investigação continua para apurar o envolvimento de outras pessoas no crime", diz a nota da PC.
Suspeito tinha envolvimento com milícia
Segundo a Polícia Militar do Rio de Janeiro, o subtenente Leonardo Vinício Affonso, preso pela morte da policial, já havia sido denunciado por ter ligações com o miliciano Luis Antônio da Silva Braga, o Zinho - apontado como líder da maior milícia da capital fluminense.
O militar trabalhava ao lado de Vaneza na Delegacia de Polícia Judiciária Militar, unidade da Corregedoria que investiga as milícias e contravenções na cidade.
O relatório da investigação, ao qual a Folha de S. Paulo teve acesso, aponta que o subtenente recebia de Zinho R$ 5 mil por semana, o equivalente a R$ 20 mil por mês. O pagamento foi denunciado em 2023 e o militar foi afastado da corregedoria da corporação, onde estava lotado. Com o afastamento, ele foi lotado na 27º BPM (Santa Cruz), o principal reduto da milícia de Zinho.
O coronel Elton Marques, que comandava a Delegacia de Polícia Judiciária Militar, unidade da corregedoria onde Vaneza e o suspeito trabalhavam, foi convidado para assumir o 27º BPM. Ele havia determinado o afastamento de Affonso da corporação e era conhecido pelo seu trabalho de enfrentamento à milícia na corregedoria.
Suspeito monitorava Veneza por sistema da PM
Segundo a investigação, o suspeito fez 35 consultas no sistema interno da polícia sobre a placa do veículo de Vaneza, entre 11 de abril e 29 de novembro de 2022. Ele tinha o objetivo de monitorar a vítima e coletar informações sobre o endereço e a rotina dela. Vaneza foi morta um ano depois.
A primeira consulta teria sido feita 10 dias depois de Affonso entrar na corregedoria e após Vaneza ser apresentada para ele como uma especialista na milícia de Zinho.
Vítima foi localizada após informar endereço verdadeiro
De acordo com a polícia, duas semanas antes de ser morta, Vaneza havia trocado de carro. Nessa ocasião, ela colocou o seu endereço verdadeiro no sistema. Os investigadores acreditam que foi através dessa informação que a policial foi encontrada e morta.
A Polícia Civil também verificou que a munição utilizada no crime era da própria PM. O estojo de pistola calibre .40 foi encontrado no local do crime. A munição foi comprada em 2009 e entregue ao batalhão onde Lima trabalhava.
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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.


