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Paciente exige ser atendido por médico 'brasileiro, branco e cristão' e acaba preso em SC

Profissional de saúde que foi vítima de discriminação era venezuelano e judeu; após audiência de custódia, suspeito acabou liberado

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Reprodução | Google Maps

Um paciente foi preso em flagrante pelos crimes de racismo e injúria após fazer ofensas de cunho racista e intolerante religioso contra um médico durante atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na cidade de Caçador, no interior de Santa Catarina. O caso ocorreu na noite do último sábado (1º).

De acordo com a Polícia Militar do estado, o médico relatou que passou a ser alvo de ataques relacionados à sua origem nacional e à sua religião durante o atendimento. Segundo o boletim de ocorrência, o paciente demonstrou descontentamento por estar sendo atendido por um profissional estrangeiro e afirmou que queria receber cuidados de um “médico brasileiro, branco e cristão”. Os ataques ainda foram presenciados por uma estudante de medicina que acompanhava o atendimento na unidade.

De acordo com informações publicadas pelo Portal g1, o médico alvo das ofensas é judeu e natural da Venezuela.

Em depoimento à polícia, o paciente negou ter feito ofensas discriminatórias e afirmou que apenas questionou a religião do profissional. No entanto, segundo a PM, durante o deslocamento até a delegacia ele voltou a fazer manifestações discriminatórias ligadas à origem e à religião da vítima, reforçando os indícios da prática criminosa. A Polícia Civil informou que o homem foi autuado em flagrante pelos crimes de injúria racial e racismo/intolerância, previstos no artigo 140, parágrafo 3º, do Código Penal e no artigo 2º-A da Lei nº 7.716/1989.

Na audiência de custódia, porém, a Justiça de Santa Catarina concedeu liberdade provisória ao investigado mediante o cumprimento de medidas cautelares. Entre as determinações estão a proibição de permanecer fora da comarca de Caçador por mais de oito dias sem autorização judicial, além de apresentação em juízo para informar endereço atualizado e comparecimento periódico ao fórum para justificar suas atividades. Segundo a decisão, o descumprimento das medidas pode resultar na decretação de prisão preventiva.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Caçador se posicionou sobre o caso. A pasta afirmou repudiar “qualquer ato de racismo, discriminação ou preconceito” e declarou apoio integral ao médico envolvido. A secretaria destacou ainda que a prática de racismo é crime. “A Secretaria Municipal de Saúde manifesta seu mais veemente repúdio a qualquer ato de racismo, discriminação ou preconceito, reafirmando seu compromisso com o respeito à dignidade humana, à igualdade e aos direitos de todos os cidadãos”, diz o comunicado.

Ainda na declaração, a secretaria acrescentou que continuará adotando medidas para garantir um ambiente de trabalho seguro, acolhedor e livre de discriminação nas unidades de saúde do município. Os nomes do médico e do paciente envolvidos no episódio não foram divulgados.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

 

 

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