Justiça reconhece paternidade socioafetiva de homem que criou dois adolescentes por oito anos
Decisão manteve o vínculo com o pai biológico, determinou a inclusão do sobrenome familiar e autorizou a inserção dos avós paternos no registro civil

A Vara da Família da comarca de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, reconheceu oficialmente a paternidade socioafetiva de um homem que desempenhou o papel de pai na vida de dois adolescentes ao longo dos últimos oito anos. A decisão determinou a retificação das certidões de nascimento dos jovens para incluir os nomes do pai socioafetivo e dos avós paternos, além da incorporação do sobrenome da família. A sentença preservou integralmente o vínculo legal com o pai biológico.
A construção familiar teve início após a separação dos pais biológicos, quando a mãe passou a viver em união estável com o companheiro. Desde então, o homem esteve presente de forma contínua na criação, na educação e no desenvolvimento diário dos jovens, fortalecendo laços de cuidado, proteção e pertencimento. Diante da consolidação dessa rotina, a própria família buscou o Judiciário para oficializar o laço afetivo.
Durante a instrução do processo, uma avaliação psicológica confirmou a existência da relação paterno-filial e apontou que todos os envolvidos se manifestaram de forma espontânea e favorável ao reconhecimento. O laudo técnico destacou a consolidação do afeto e o exercício efetivo das funções de pai, o que levou o Ministério Público a se manifestar pela procedência do pedido.
Na sentença, a magistrada ponderou que a legislação brasileira acolhe expressamente a filiação fundada no afeto, na convivência e no cuidado diário, mesmo na ausência de consanguinidade. A juíza ressaltou que a perícia técnica demonstrou de forma inequívoca a maturidade da relação construída entre o homem e os adolescentes.
As alterações na documentação civil serão averbadas em cartório após o trânsito em julgado. Por envolver menores de idade e matérias do direito de família, o processo tramita sob segredo de justiça.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



