Belo Horizonte
Itatiaia

Surto de bactéria em UTI neonatal fecha centro obstétrico de hospital no RS

Mortes de bebês prematuros são investigadas; local deve ficar interditado por pelo menos 72 horas

Por
Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Hospital de Clínicas de Porto Alegre • Reprodução

O Centro Obstétrico do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) ficará fechado por pelo menos 72 horas após ser detectado um surto de bactéria na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Neonatal. A medida acontece para limpeza da área e contenção da bactéria Serratia spp — considerada multirresistente. A reabertura está prevista para quinta-feira (2).

Oito pacientes testaram positivo para a bactéria desde a última sexta-feira (22). O caso mais recente foi confirmado na manhã de segunda-feira (29). Além disso, a instituição investiga se há relação entre duas mortes de bebês prematuros com a bactéria. O HCPA informou que as vítimas tinham nascido com 23 e 27 semanas de gestação e estavam "em estado crítico antes da detecção da bactéria".

Os outros pacientes infectados permanecem em estado grave, mas estável e em isolamento, ainda segundo a instituição. Agora, o Hospital das Clínicas de Porto Alegre busca "transferir as gestantes atualmente internadas e reforça para que parturientes procurem outras unidades de saúde", informou.

Bactéria Serratia spp

Ao mesmo tempo que a bactéria Serratia spp pode ser frequentemente encontrada na natureza, tem grande relevância médica por agirem como patógenos oportunistas, ou seja, costumam causar infecções principalmente em pessoas com o sistema imunológico debilitado ou que estão hospitalizadas.

O maior risco clínico associado à Serratia spp é a sua resistência natural (intrínseca) a vários antibióticos comuns. Além disso, ela tem uma capacidade muito alta de adquirir novos mecanismos de resistência tornando o tratamento de infecções hospitalares complexo.

Quais os riscos para a saúde?

Em pessoas saudáveis, o contato com a bactéria raramente causa problemas graves. No entanto, em ambientes hospitalares ou em indivíduos imunocomprometidos, ela pode colonizar o organismo e causar infecções sérias, como:

  • Infecções urinárias: frequentemente associadas ao uso prolongado de sondas ou cateteres urinários.
  • Infecções respiratórias: pode causar pneumonia, especialmente em pacientes conectados a ventiladores mecânicos (respiradores).
  • Infecções de corrente sanguínea: a entrada da bactéria diretamente no sangue, o que pode evoluir para um quadro de infecção generalizada grave.
  • Infecções em feridas e sítios cirúrgicos: colonização de queimaduras ou incisões cirúrgicas, retardando a cicatrização.
  • Conjuntivite e queratite: risco aumentado para usuários de lentes de contato que não realizam a higiene correta dos estojos e das lentes.
Por

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.