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'Falhamos', diz prefeito de Viamão após morte de criança de 3 anos, espancada pelo pai

Rafael Bortoletti (PSDB) anunciou a abertura de uma sindicância para apurar a atuação dos serviços municipais no caso; criança e a família eram acompanhadas pela rede municipal de saúde e assistência social

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Missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson e sua esposa, Mayanna Angelina Rodgers
Missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson e sua esposa, Mayanna Angelina Rodgers • Reprodução/Redes sociais

O prefeito de Viamão, Rafael Bortoletti (PSDB), afirmou, nesta sexta-feira (10), que a rede de proteção do município localizado no Rio Grande do Sul falhou no acompanhamento do menino, de três anos, que morreu após ser espancado pelo pai. O chefe do Executivo também anunciou a abertura de uma sindicância para apurar a atuação dos serviços municipais no caso.

Bortoletti divulgou que a criança e a família eram acompanhadas pela rede municipal de saúde e assistência social desde novembro de 2025 — quando uma enfermeira identificou hematomas no menino e, em seguida, acionou os órgãos de proteção. Desde então, equipes da assistência social realizaram visitas domiciliares, reuniões com a família e acompanhamento por meio do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), ainda segundo o prefeito.

Dandre Jermaine Grayson, um norte-americano de 33 anos que se apresentava como missionário religioso, foi preso na domingo (5), após confessar ter espancado o filho de três anos, identificado como Oliver Golden Grayson, porque o menino não teria lhe dado "bom dia". Na segunda-feira (6) a prisão foi convertida para preventiva. Dois dias depois, a criança morreu.

O prefeito de Viamão afirmou que Dandre, durante as visitas por equipes da assistência social, mantinha uma postura colaborativa ao longo dos atendimentos, o que dificultou a identificação da gravidade da situação. Uma nova visita técnica à residência da família estava prevista para quinta-feira (9), um dia depois da morte de Oliver. Segundo Bortoletti, o encontro seria sem a presença do pai e tinha como objetivo avaliar a possibilidade de acolhimento institucional das crianças — além de Oliver, havia outros quatro filhos de 1, 5, 7 e 9, que também apresentavam indícios de agressões.

Durante um pronunciamento, o chefe do Executivo reconheceu falhas na atuação do poder público: "Nós falhamos. Falhamos como seres humanos, falhamos como rede de serviço, falhamos como prefeitura", disse. Ele também informou que determinou a abertura de uma sindicância para analisar todos os atendimentos realizados pela rede de proteção.

A investigação interna irá avaliar se houve falhas de servidores ou necessidade de reestruturação dos serviços, indicou Bortoletti, acrescentando que solicitará a quebra do sigilo dos atendimentos psicológicos relacionados ao caso.

Veja pronunciamento do prefeito

Relembre o caso

Oliver Golden Grayson, de apenas três anos, morreu na tarde dessa quarta-feira (8) após permanecer internado em estado gravíssimo desde domingo (5), quando foi espancado dentro da casa onde vivia com a família, na cidade de Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

O principal suspeito do crime é Dandre Jermaine Grayson, o próprio pai da criança, que foi preso em flagrante no mesmo dia das agressões. Após ser preso, ele confessou. Aos policiais, o suspeito relatou ter desferido socos contra o tórax e o abdômen do filho, além de ter batido a cabeça dele contra o chão.

Ainda segundo as investigações, o homem contou aos policiais que a motivação do crime seria a criança não ter dado "bom dia" a ele. Na segunda (6), ele teve a prisão convertida em preventiva na audiência de custódia. O homem, de 33 anos, é natural dos Estados Unidos e se diz um missionário religioso. Ele deve responder por homicídio duplamente qualificado.

No momento das agressões, a mãe da criança, identificada como Mayanna Angelina Rodgers, relatou que estava em outro cômodo da residência e, por isso, não teria presenciado o ocorrido, segundo divulgado pela Polícia Civil. Ela foi presa preventivamente nessa quinta-feira (9).

Segundo a delegada Luana Medeiros, responsável pela investigação, Mayanna seria, ao menos, "conivente com os atos de tortura e com o homicídio praticado". A polícia, porém, apura se a mulher também não vinha sendo vítima de agressões cometidas pelo marido. Ainda de acordo com a delegada, existem "fortes indícios de violência doméstica contra a mulher".

Durante a investigação, a Polícia Civil constatou que os outros quatro filhos do casal — de 1, 5, 7 e 9 anos — também apresentavam indícios de agressões. As crianças passaram por exames físicos e psicológicos e foram retiradas da guarda dos pais. Elas foram acolhidas em um abrigo e estão sendo acompanhadas pelo Conselho Tutelar de Viamão.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

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Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.