Veja o que tenente-cornel dizia à esposa antes de ela ser morta: 'Submissa'
Conteúdo extraído do celular mostra falas de controle e agressividade; vítima relatou violência dias antes de morrer

Preso sob suspeita de matar a esposa, Gisele Alves Santana, com um tiro na cabeça no apartamento onde moravam, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, afirmava em mensagens ser um “macho alfa” e dizia que a companheira deveria ser sua “fêmea submissa”. As informações foram reveladas a partir de conversas extraídas do celular do oficial.
A troca de mensagens é citada na denúncia apresentada pelo Ministério Público na terça-feira (18).
“Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa, com amor, carinho, atenção e autoridade de macho alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa, como toda mulher casada deve ser”, escreveu.
Em outra mensagem, Geraldo se descreveu como “príncipe e soberano”. Já Gisele, em fevereiro de 2026, criticou o relacionamento. “Você não me respeita, não sabe conversar. Ontem enfiou a mão na minha cara”, disse ela dois dias antes de ser morta.
Com base no inquérito da Polícia Civil, a 5ª Vara do Júri da capital paulista expediu um mandado de prisão preventiva contra o oficial. Este é o segundo mandado de prisão contra o tenente-coronel. A decisão mais recente foi expedida pela Justiça Comum nesta quinta-feira (19).
Geraldo deve passar por audiência de custódia no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, e, em seguida, retornará ao Presídio Militar Romão Gomes, onde permanecerá durante a prisão preventiva.
Troca de mensagens
O documento também aponta que a vítima já havia tentado se separar do marido. Gisele chegou a mencionar possíveis traições. Segundo relatório obtido pela imprensa, ela relatava dificuldades em superar uma suposta infidelidade.
“E, por mais que você diga, nada justifica uma traição. Você não sabe como é viver com isso. Não tem um dia que eu não lembro dessa história”, escreveu.

Em outro trecho, afirmou: “Por mais que o tempo passe, talvez eu realmente não desencane dessa história e tenha que me separar de você por não confiar mais.”
Em nota, a defesa de Geraldo informou que irá se manifestar nos autos e sustenta que o caso não se trata de feminicídio nem de fraude processual, mas sim de suicídio, “independentemente da conclusão do inquérito policial”.
Laudo da Polícia Civil de SP
A morte de Gisele Alves Santana revelou profundas contradições entre o depoimento do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e as evidências colhidas no local do crime. O laudo produzido pela Polícia Científica do Estado de São Paulo descreve a versão dos fatos e a cena do crime.
Investigado e preso por suspeita de feminicídio, Geraldo Leite se tornou réu pelo crime após o oferecimento da denúncia do Ministério Público de São Paulo ser aceita pela Justiça. O tenente-coronel também é alvo de investigações por parte da Justiça Militar, responsável por julgar crimes cometidos por policiais.
A dinâmica do feminicídio
A abordagem, contenção da vítima e disparo contra cabeça de Gisele pode ser descrita em quatro atos, segundo laudo. De acordo com os peritos da Polícia Científica de São Paulo, o tenente-coronel abordou a vítima no interior da residência. A abordagem ocorre por trás, pegando Gisele de surpresa.
Geraldo teria imobilizado a vítima, agarrando-a pelas costas. Gisele tentou se desvencilhar do ataque. Nesse momento, o suspeito empunha uma arma de fogo próxima à cabeça dela.
Mudança de rumo nas investigações
A investigação da morte da soldado Gisele foi alterada de suicídio para feminicídio devido a uma série de inconsistências na cena do crime, laudos periciais que indicam violência física e o histórico de relacionamento abusivo com o marido, o tenente-coronel.
As principais evidências que motivaram essa mudança include: marcas de agressão, dinâmica do disparo, estado do sangue da vítima, lacuna temporal, ausência de cartucho e posição da arma.
Atitude e conduta do suspeito chamou a atenção de um bombeiro, que estranhou o fato de a arma estar "bem encaixada" na mão da vítima, com o dedo fora do gatilho e sem sinais de espasmo ou rigidez cadavérica, sendo "muito fácil" retirá-la.
Imagens de câmeras e depoimentos confirmaram que o tenente-coronel tomou banho e trocou de roupa logo após o crime, ignorando orientações para preservar vestígios, como o exame residuográfico em suas mãos.
Uma testemunha afirmou que, horas após o crime, três policiais militares foram ao apartamento realizar uma limpeza no imóvel. Testemunhas relataram que Geraldo não aparentava desespero, estava com o corpo seco e não tentou prestar primeiros socorros à esposa.
Com base nesses elementos, Geraldo Leite Rosa Neto foi preso preventivamente por feminicídio e fraude processual.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.
