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Caso Gisele: investigação aponta que tenente-coronel pode ter alterado cena

Relatório indica que oficial teria tomado banho após ocorrência e pode ter comprometido perícia e coleta de provas

Por e 
Caso Gisele investigação aponta que tenente-coronel pode ter alterado cena
Caso Gisele investigação aponta que tenente-coronel pode ter alterado cena • Foto: Reprodução

Preso sob suspeita de matar a esposa, a soldado da Polícia Militar (PM) Gisele Alves Santana, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, também é investigado por possível alteração da cena do crime para simular um suicídio. A informação foi confirmada pela Justiça Militar do Estado de São Paulo nesta quarta-feira (18).

De acordo com a linha investigativa, baseada em laudos periciais, há suspeitas de que o ambiente também tenha sido modificado com o objetivo de dar aparência de morte voluntária. Outro ponto considerado relevante pelos investigadores é o comportamento do tenente-coronel durante o atendimento da ocorrência.

Segundo o relatório, o Geraldo Neto teria insistido em tomar banho e trocar de roupa mesmo após o início da ação. A atitude foi questionada por agentes presentes, que alertaram para a necessidade de preservar o local para a realização de perícias.

Imagens das câmeras corporais mostram que policiais tentaram impedir a ação, destacando que a conduta poderia comprometer a coleta de provas. Ainda assim, conforme a investigação, o oficial teria se aproveitado do cargo para impor sua decisão e tomar banho novamente.

Para os investigadores, a atitude é considerada sensível, pois pode ter prejudicado exames importantes, como o residuográfico, utilizado para identificar vestígios de disparo de arma de fogo.

Registros de câmeras de segurança do condomínio também são analisados. As imagens mostram o tenente-coronel no corredor do prédio e, minutos depois, novamente ao telefone, já com os cabelos aparentemente molhados. Uma testemunha ouvida no caso afirmou ainda que a sala do apartamento não apresentava sinais de estar molhada, o que levanta dúvidas sobre a versão apresentada.

O caso segue sob investigação.

Posição da arma e comportamento do oficial

Peritos da Polícia Civil identificaram marcas na região do pescoço e no corpo da policial militar. A exumação do corpo foi realizada na última sexta-feira (6).

De acordo com um bombeiro que atendeu a ocorrência, Gisele foi encontrada caída entre o sofá e a estante da sala, com grande quantidade de sangue na região da cabeça, parte já coagulado. Segundo o relato, a vítima não apresentava rigidez cadavérica.

O socorrista afirmou ainda que foi “fácil” retirar a arma da mão da policial, que segurava o objeto com a mão direita e com o dedo fora do gatilho. Ele relatou ter achado a cena incomum e decidiu fotografar o local para preservar o registro antes da remoção da vítima.

Ao procurar o cartucho, o bombeiro disse não ter encontrado vestígios no ambiente. Em depoimento, também afirmou que a arma estava “bem encaixada” na mão da vítima, o que, segundo ele, difere de casos típicos de suicídio.

Outro ponto destacado foi o comportamento do tenente-coronel durante o atendimento. Segundo um sargento do Corpo de Bombeiros, o oficial não demonstrou sinais de desespero.

Ligação para desembargador

A Polícia Civil também apura uma ligação feita pelo tenente-coronel a um desembargador no dia do ocorrido. Segundo a investigação, o oficial entrou em contato com Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo.

O magistrado foi até o local e permaneceu no apartamento por cerca de 11 minutos. Ao deixar o imóvel, o tenente-coronel já vestia outra roupa.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.

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Yuri Cavalieri é jornalista e pós-graduado em política e relações internacionais. Tem mais de 13 anos de experiência em rádio e televisão. É correspondente da Itatiaia em São Paulo. Formado pela Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, começou a carreira na Rádio Bandeirantes, empresa na qual ficou por mais de 8 anos como editor, repórter e apresentador. Ainda no rádio, trabalhou durante 2 anos na CBN, como apurador e repórter. Na TV, passou pela Band duas vezes. Primeiro, como coordenador de Rede para os principais telejornais da emissora, como Jornal da Band, Brasil Urgente e Bora Brasil, e repórter para o Primeiro Jornal. Em sua segunda passagem trabalhou no núcleo de séries e reportagens especiais do Jornal da Band.