Quem é Nelson Wilians, alvo de operação da Polícia Federal
Polícia Federal deflagrou a Operação Arena, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal envolvendo jogos de azar e apostas esportivas, com Nelson Wilians entre os alvos e bloqueio de R$ 1,1 bilhão.

A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Arena, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal relacionado à exploração de jogos de azar e apostas esportivas (bets). Entre os alvos das medidas de busca e apreensão está o advogado Nelson Wilians, cuja residência em São Paulo, no estado de São Paulo, foi vistoriada por agentes federais após autorização da 4ª Vara Federal da Paraíba. A decisão judicial também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 1,1 bilhão dos envolvidos. Para saber mais, confira a notícia sobre o cumprimento do mandado em São Paulo.
A operação representa mais um desdobramento na trajetória do advogado, que comanda uma das maiores estruturas jurídicas do Brasil e tem sido foco de recentes investigações de grande repercussão. Para entender quem é Nelson Wilians, o jurista é natural de Cianorte, no Paraná, e iniciou a carreira após se formar em Direito em Bauru, no interior paulista. Em 1999, fundou o escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV), que se expandiu para todas as capitais brasileiras, consolidando-se como o maior escritório de advocacia do país em número de profissionais. O escritório atua no modelo "full service", gerenciando centenas de milhares de processos ativos para cerca de 20 mil clientes corporativos.
Além da atuação empresarial, Wilians ganhou projeção pública ao estampar a capa da revista Forbes e ao representar clientes em disputas de alta visibilidade nacional, como o caso da herança do apresentador Gugu Liberato. Esta não é a primeira vez que Nelson Wilians entra na mira de operações policiais. O advogado possui um histórico recente de investigações criminais e fiscais, sendo investigado por fraude de R$ 3,8 bilhões em São Paulo.
A investigação conduzida pela Polícia Federal, em parceria com a Receita Federal e o Ministério Público Federal (MPF), apura se o grupo empresarial investigado utilizou estruturas societárias no Brasil e no exterior para ocultar recursos de apostas. O principal alvo da ação é a plataforma PixBet, ex-patrocinadora de clubes de futebol.
De acordo com a PF, Nelson Wilians atua como defensor da PixBet em uma ação judicial que tramita na Justiça Federal da Paraíba. Os investigadores identificaram repasses financeiros atípicos entre a PixBet e a PixStar, apontada como uma empresa de fachada sediada na ilha de Curaçao, no Caribe.
O cruzamento de dados feito pela Receita Federal aponta que o fluxo financeiro do grupo envolvia transações em criptomoedas, remessas internacionais sem lastro econômico compatível e o uso de intermediadores de pagamento para dificultar o rastreamento dos reais beneficiários dos recursos.
Em nota oficial sobre a Operação Arena, o advogado Santiago Schunck, representante de Nelson Wilians, afirmou que a relação entre o escritório e a PixBet é "estritamente profissional e decorre da prestação de serviços de advocacia". A defesa enfatizou que a atuação dos profissionais limita-se ao exercício regular do direito e não deve ser confundida com as atividades de seus clientes, repudiando qualquer tentativa de criminalizar a advocacia.
Nas investigações anteriores, a assessoria do advogado também negou qualquer envolvimento em irregularidades, afirmando que as movimentações financeiras de suas empresas são inteiramente lícitas, declaradas e compatíveis com seu porte empresarial.
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