Itatiaia

PF cumpre mandado de busca e apreensão contra advogado Nelson Wilians em SP

Investigação mira grupo empresarial suspeito de utilizar estrutura societária e financeira no exterior para ocultar a origem e a destinação de recursos provenientes da exploração de jogos de azar e de apostas esportivas

Porde São Paulo
Reprodução | Redes Sociais

A Polícia Federal cumpre mandado de busca e apreensão na casa do advogado Nelson Willians no âmbito da Operação Arena, realizada na manhã desta quinta-feira (13).

Esta é a segunda operação mirando o advogado no último mês. Em julho, Willians foi alvo de uma operação voltada a desarticular uma organização suspeita de comercializar créditos de ICMS fraudulentos.

Em nota enviada à Itatiaia, a defesa de Nelson Willians afirmou que "a relação entre o escritório e a PixBet é estritamente profissional e decorre da prestação de serviços de advocacia. A atuação do escritório em favor de seus clientes limita-se ao exercício regular da advocacia, não se confundindo com as atividades empresariais por eles desenvolvidas. O escritório repudia qualquer tentativa de associar a atuação profissional de seus advogados às atividades ou condutas atribuídas a seus clientes. É preciso ter cautela para que o legítimo exercício da advocacia não seja indevidamente criminalizado em razão da natureza ou das atividades daqueles que o advogado representa".

A ação da Receita, Polícia Federal e Ministério Público Federal investiga um grupo empresarial suspeito de envolvimento em crimes de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro relacionados à exploração de apostas de quota fixa e jogos de azar.

Por determinação da Justiça, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em 14 endereços nos estados da Paraíba, Sergipe, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. A decisão também autorizou a apreensão de bens e valores de até aproximadamente R$ 1 bilhão, montante relacionado às estimativas dos recursos que podem estar envolvidos nos crimes investigados.

Segundo as investigações, o grupo teria criado uma complexa estrutura com empresas no Brasil e no exterior para dar aparência de legalidade às operações. Embora as empresas estrangeiras fossem usadas para indicar que as atividades eram administradas fora do país, os investigadores identificaram indícios de que a gestão operacional, administrativa e as principais decisões ocorreriam, na prática, em território brasileiro.

Empresas registradas no exterior também teriam sido utilizadas para justificar grandes transferências internacionais de dinheiro, apesar de não apresentarem, segundo os investigadores, atividades econômicas compatíveis com os valores movimentados.

A apuração aponta ainda o uso de empresas nacionais e estrangeiras, instituições de pagamento, operações de câmbio, ativos digitais e outras estruturas financeiras. Esses mecanismos teriam sido utilizados para dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos.

Os investigadores também encontraram possíveis indícios de omissão de rendimentos e de utilização irregular de estruturas empresariais para reduzir ou evitar o pagamento de impostos sobre as atividades desenvolvidas.

A Receita Federal entrou na investigação em 2025 e contribuiu com análises sobre possíveis fraudes estruturadas, planejamento tributário abusivo, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Nesta fase da operação, 40 Auditores-Fiscais e Analistas-Tributários participam da coleta de documentos e outros elementos relacionados às pessoas e empresas investigadas.

O material apreendido será analisado e poderá servir de base para futuras ações fiscais, incluindo a cobrança de impostos eventualmente devidos e o compartilhamento de informações com os órgãos responsáveis pela investigação.

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Yuri Cavalieri é jornalista e pós-graduado em política e relações internacionais. Tem mais de 13 anos de experiência em rádio e televisão. É correspondente da Itatiaia em São Paulo. Formado pela Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, começou a carreira na Rádio Bandeirantes, empresa na qual ficou por mais de 8 anos como editor, repórter e apresentador. Ainda no rádio, trabalhou durante 2 anos na CBN, como apurador e repórter. Na TV, passou pela Band duas vezes. Primeiro, como coordenador de Rede para os principais telejornais da emissora, como Jornal da Band, Brasil Urgente e Bora Brasil, e repórter para o Primeiro Jornal. Em sua segunda passagem trabalhou no núcleo de séries e reportagens especiais do Jornal da Band.

 

 

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