O que se sabe sobre a prisão de Deolane Bezerra?
Influenciadora digital e advogada foi presa na quinta-feira (21) por suspeita de envolvimento com o PCC

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa preventivamente na manhã dessa quinta-feira (21), em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, ao ser alvo da Operação Vérnix. Ela é suspeita de atuar na lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores organizações criminosas do país.
Em sua audiência de custódia, Bezerra afirmou que foi presa no “exercício da profissão”. Ela diz ser investigada por receber honorários advocatícios. “Quero deixar bem claro, mesmo sabendo que aqui não se trata de mérito, que fui presa por estar advogando por uma quantia de R$ 24 mil que foi depositada em minha conta, por um cliente que consta no próprio relatório da polícia. Ou seja, fui presa no exercício da profissão”, disse.
Deolane está em uma cela de 9 metros quadrados na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista. Por ser advogada, ela tem direito a celas especiais, com beliche, ventilador e chuveiro. Ela divide o espaço com apenas uma detenta, que também é advogada.
O que se sabe sobre a prisão de Deolane?
Nova Face do PCC
Deolane Bezerra é investigada em uma operação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) há sete anos, que também mira a alta cúpula do PCC, incluindo Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.
No caso, a influenciadora é suspeita de manter relações próximas com o grupo e integrar seu braço financeiro. Em entrevista à CNN, o promotor Lincoln Gakiya afirmou que Deolane faz parte de uma “nova face” do PCC.
“Caixa do PCC”
Segundo as investigações, Deolane teria atuado como uma espécie de “caixa” da organização criminosa. Por ser uma figura pública conhecida nacionalmente, ela seria usada para ocultar depósitos de origem ilícita da organização. A influenciadora também teria aberto 35 empresas fantasmas no mesmo endereço para realizar lavagem de dinheiro.
As apurações apontam que ela recebia dinheiro da facção criminosa por meio de uma empresa de transportes que seria o braço financeiro do alto escalão do PCC. Essa fase seria a fase mais avançada do esquema.
Integrantes do grupo depositavam os valores nas contas dela, o valor "se misturava" com outras atividades e, com isso, os recursos retornavam ao crime organizado, dando uma aparência de legalidade aos depósitos. Além da prisão, Bezerra teve o bloqueio de R$ 27 milhões em bens.
Como a polícia chegou em Deolane?
A ligação de Deolane com o PCC surgiu após análise de um aparelho celular apreendido na residência de um dos responsáveis pela empresa fantasma. Segundo o MPSP, as mensagens detalharam o funcionamento da estrutura investigada, com comprovantes de depósitos apontando para transferências destinadas à influenciadora.
Bilhetes manuscritos encontrados dentro do sistema prisional federal também apontam para o vínculo com Deolane Bezerra. Segundo a Polícia Civil os bilhetes indicavam repasses financeiros para diferentes contas, sendo duas delas ligadas ao nome de Deolane.
O que diz a defesa?
Em nota, a defesa de Deolane Bezerra reafirmou a confiança na “mais absoluta inocência” da cliente, e afirmou que os fatos serão esclarecidos em momento oportuno. Os advogados classificaram a prisão preventiva como “desproporcionais”, e afirmaram que estão cooperando para demonstrar a “licitude” das atividades da influenciadora.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



