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Deolane tinha relação próxima com operadores do PCC, aponta investigação

Influenciadora digital é apontada como parte do braço financeiro da organização criminosa

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Deolane Bezerra teria alugado apartamento para suspeito de lavar dinheiro para o PCC
Deolane é suspeita de lavar dinheiro para o PCC • Reprodução | Redes Sociais

A influenciadora Deolane Bezerra, presa nesta quinta-feira (21) por suspeita de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), tinha vínculos estreitos com lideranças da organização criminosa. Segundo a investigação do Ministério Público e Polícia Civil de São Paulo, a empresária faria parte do “núcleo financeiro” do grupo ao lado de Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do chefe Marcos Willians Herbas Camacho (Marcola), e intermediária da cúpula do PCC.

As duas foram alvo da Operação Vérnix, que resultou na prisão de Deolane em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, e de Paloma na Espanha. Segundo o inquérito policial, as duas mulheres chegaram a ser vizinhas, o que reforça os indícios de vínculo estreito entre elas.

Enquanto Paloma era responsável por transmitir ordens recebidas da cúpula do PCC durante as visitas no sistema prisional federal para os gestores financeiros do esquema de lavagem de dinheiro, Deolane “emprestava” a estrutura empresarial e sua “aparente respeitabilidade social” para receber os recursos financeiros. Para os investigadores, as funções são complementares.

Segundo as apurações, a influenciadora recebia dinheiro da facção criminosa por meio de uma empresa de transportes que seria o braço financeiro do alto escalão do PCC. Essa fase seria a fase mais avançada do esquema.

O ponto de conexão central entre Deolane e a sobrinha de Marcola passa por um homem identificado como Everton de Souza, o “player”, que seria o operador fantasma do esquema financeiro e da transportadora. Ele orientava os depósitos diretos nas contas da influenciadora a partir do “fechamento de contas” mensal do PCC.

Como a polícia chegou em Deolane?

A ligação de Deolane com o PCC surgiu após análise de um aparelho celular apreendido na residência de um dos responsáveis pela empresa fantasma. Segundo o MPSP, as mensagens detalhariam o funcionamento da estrutura investigada, com comprovantes de depósitos apontando para transferências destinadas à influenciadora.

Bilhetes manuscritos encontrados dentro do sistema prisional federal também apontam para o vínculo com Deolane Bezerra. Segundo a Polícia Civil os bilhetes indicavam repasses financeiros para diferentes contas, sendo duas delas ligadas ao nome de Deolane.

Nos manuscritos foram encontrados recados sobre supostos planos para matar funcionários do sistema prisional, além de informações relacionadas ao esquema de tráfico da facção. Segundo a investigação, os documentos estavam escondidos em celas e foram localizados por agentes penitenciários.

*Com informações de CNN Brasil

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.