Mortes em fábrica da Bombril: funcionário que tentou salvar colegas falou sobre os filhos
Edvaldo usou uma cadeira para conter o agressor, foi esfaqueado no peito e implorou antes de morrer

O supervisor Edvaldo Santos da Silva, de 44 anos, foi morto após ser ferido no peito por tentar impedir o assassinato de dois colegas na fábrica da Bombril. O crime aconteceu na manhã do último sábado (1°) em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. Antes de perder a consciência e desmaiar, Edvaldo pediu socorro e falou sobre os filhos.
“Me ajuda. Eu tenho dois filhos. Me socorre, pelo amor de Deus!”, disse Edvaldo a um funcionário que tentava conter o sangramento, segundo depoimento registrado pela Polícia Civil.
Edvaldo não seria um dos alvos iniciais de Claudio Henrique da Silva, de 33 anos. O supervisor entrou no caminho do agressor ao perceber que o operador de empilhadeira Douglas de Souza Vieira, 39, era esfaqueado.
Funcionários começaram a gritar por Edvaldo assim que o ataque começou, por volta das 6h. Ao chegar no local, o supervisor encontrou Claudio golpeando Douglas pelas costas. Edvaldo então pegou uma cadeira, lançou-a contra o agressor e mandou que ele parasse. A tentativa não conteve a violência.
Douglas correu em direção às escadas e tentou alcançar o andar inferior. Claudio foi atrás dele, ainda armado. A vítima caiu durante a fuga e voltou a ser esfaqueada.
Em meio ao ataque, Edvaldo também foi atingido por uma facada no lado esquerdo do peito.
Implorou por ajuda
Um dos funcionários socorreu Edvaldo e pressionou o ferimento na tentativa de estancar o sangue. Foi nesse momento que o supervisor implorou por ajuda e mencionou que tinha dois filhos. Em seguida, ele perdeu a consciência e morreu.
Quando percebeu que Edvaldo já não reagia, o funcionário olhou em direção à escada e viu uma terceira vítima, o conferente José Guilherme Victoriano de Moura, de 54 anos, caído e desacordado perto de um banheiro.
Os três morreram dentro da fábrica da Bombril. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), constatou a morte de José Guilherme às 6h38, de Edvaldo às 6h40 e a de Douglas às 6h42.
Claudio aguardou sentado pela chegada da polícia, segundo as testemunhas, ele se matou na carceragem. A morte foi confirmada às 8h30, também pelo Samu.
Casado e pai de dois filhos, Edvaldo se descrevia em uma rede social como “uma pessoa muito alegre e muito feliz”.
Em nota, a Bombril informou que segue acompanhando a atuação da TPC, junto às famílias, para oferecer assistência e acolhimento. Leia na íntegra:
"Em relação ao caso do trabalhador terceirizado da empresa TPC, que na manhã deste sábado (01), dentro das instalações da Bombril, em São Paulo, atacou e vitimou três outros terceirizados, a companhia segue acompanhando a atuação da TPC, junto às famílias, para oferecer assistência e acolhimento necessários ao momento.
Adicionalmente informa que o agressor, após a prisão, tirou a própria vida após deixar a fábrica. Em tempo, a Bombril reforça que acionou os órgãos responsáveis, acompanha e colabora com as investigações; e repudia veementemente o ato, se solidarizando com as famílias das vítimas."
Lorena Vieira é estagiária do Portal Itatiaia e estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Com experiências diversas, já trabalhou como repórter, produtora e apresentadora de coluna semanal no programa Agenda, da Rede Minas. Além de outras experiências como social media e comunicação de projetos culturais.



