Mulher que morreu durante colonoscopia em SP teve 50% do intestino dilacerado, diz família
Família de Mariana dos Santos Candido, de 41 anos, denuncia erro médico durante exame e cobra responsabilização; caso segue sendo investigado pela polícia

A família de Mariana dos Santos Candido, de 41 anos, afirma que a mulher teve cerca de 50% do intestino dilacerado durante uma colonoscopia realizada no Hospital Municipal Professor Doutor Alípio Corrêa Netto, em Ermelino Matarazzo, na zona Leste de São Paulo, e acusa a equipe médica de possível erro no procedimento. A denúncia foi feita pela tia da vítima, Mara Pongelupi, em entrevista à CNN Brasil.
Segundo Mara, Mariana entrou no hospital para um exame de rotina e saiu em estado gravíssimo. A familiar relatou que a mãe e a filha de Mariana, que tem apenas 9 anos, aguardavam o término da colonoscopia quando perceberam uma demora incomum. Pouco depois, a vítima teria sido retirada às pressas do local e levada diretamente para a cirurgia.
Ainda de acordo com o relato da tia, os médicos informaram que o intestino da mulher havia sido perfurado durante o exame e que seria necessária uma operação de emergência. Após cerca de seis horas de cirurgia, a família recebeu a informação de que metade do intestino da vítima havia sido comprometido e que o quadro era considerado extremamente grave.
Ainda à CNN Brasil, Mara afirmou que os parentes não receberam esclarecimentos suficientes nem apoio do hospital após a complicação. Segundo ela, ao buscar informações, a família foi informada de que o exame havia sido realizado por um serviço terceirizado. "A única coisa que a gente está pedindo é justiça, para que nenhuma mãe, nenhum dos filhos, chore por uma perda tão grotesca, por um erro médico", disse a tia da vítima à emissora.
Relembre o caso
Mariana dos Santos Candido, de 41 anos, morreu após sofrer uma perfuração no intestino durante um exame de colonoscopia realizado em um hospital municipal da Zona Leste de São Paulo. A vítima passou pelo procedimento nessa terça-feira (28) no Hospital Municipal Professor Doutor Alípio Corrêa Netto. Após a perfuração, a mulher ainda foi submetida a uma cirurgia de emergência mas não resistiu as complicações e morreu nessa quarta-feira (29).
Ainda de acordo com a família da vítima, Mariana não tinha nenhum problema de saúde e realizava o exame de colonoscopia pela primeira vez e de forma preventiva, devido a um histórico familiar de câncer colorretal. Após a morte de Mariana, a tia dela registrou um boletim de ocorrência.
Investigações
Apesar das acusações da família, o caso foi registrado como "morte suspeita", sem indícios de criminalidade. Em nota enviada à reportagem da Itatiaia, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso está sendo investigado pela Polícia Civil do estado. De acordo com o órgão, já foram requisitados exames periciais a ao IML (Instituto Médico Legal), que devem esclarecer melhor a dinâmica da morte de Mariana.
Também procurada pela Itatiaia, a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS) se posicionou sobre o caso. De acordo com a pasta, foi instaurado uma sindicância interna para apurar "todos os detalhes" da atuação da Clínica de Endoscopia Salinas Ltda, responsável pela realização do exame da paciente. A secretaria afirmou ainda que vai realizar uma "apuração rigorosa em relação à conduta médica adotada" pela empresa, que presta serviço há 25 anos no Hospital Municipal Prof. Dr. Alípio Corrêa Netto. Ainda na nota, a SMS lamentou a perda da paciente e comunicou que a direção do hospital segue à disposição da família da vítima.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



