Homem é preso suspeito de tentar matar ex-companheira a tiros; vítima é atingida de raspão
Ataque aconteceu após suspeito não aceitar fim de relacionametno; arma com numeração raspada foi apreendida pela Polícia Militar

Um homem de 49 anos foi preso, nesta sexta-feira (7), suspeito de tentar matar a ex-companheira a tiros em São Paulo. A vítima foi atingida de raspão na cabeça e socorrida. A prisão aconteceu durante a Operação Lilás, da Polícia Militar, voltada à prevenção e enfrentamento da violência doméstica e familiar. A ação ocorre em referência aos 20 anos da Lei Maria da Pena, completados neste ano.
O crime aconteceu durante a manhã, por volta das 5h40, quando a vítima saía de casa, no Jardim Paulistano, na zona Norte de São Paulo, para trabalhar. Segundo informações disponibilizadas no Boletim de Ocorrência (B.O), o suspeito estava escondido atrás de um trailer próximo à residência e, em seguida, abordou a mulher.
No encontro, ele disse que não aceitava o fim do relacionamento e, em seguida, efetuou diversos disparos, ainda de acordo com o registro policial. Um dos tiros atingiu de raspão na cabeça da mulher. Ela permaneceu consciente após o ataque e recebeu os primeiros atendimentos antes de ser encaminhada ao Pronto-Socorro da Brasilândia. A vítima passou por exames e ficou internada em observação.
Suspeito foi encontrado e preso
Momentos depois do crime, o suspeito foi localizado próximo ao local do ataque e detido. A Polícia Militar encontrou, posteriormente, a arma utilizada — um revólver calibre .38 com a numeração raspada — que foi apreendida e encaminhada para perícia.
O caso foi apresentado na 4ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e registrado como como tentativa de feminicídio e porte ilegal de arma de fogo de calibre restrito. O suspeito está à disposição da Justiça.
20 anos Lei Maria da Penha
A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) completou 20 anos em 2026. A legislação é o principal marco legal do Brasil para prevenir, punir e erradicar a violência doméstica e familiar contra a mulher, transformando agressões antes tratadas como privadas em graves violações dos direitos humanos.
Origem
- A lei leva o nome da biomédica cearense Maria da Penha Maia Fernandes, que sobreviveu a duas tentativas de feminicídio cometidas pelo ex-marido.
- Após décadas de impunidade no sistema nacional, o caso foi levado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).
- O Brasil foi condenado por omissão e negligência em 2001, o que impulsionou a criação da legislação específica.
Mudanças pós Lei Maria da Penha
- Ampliação histórica do uso de medidas protetivas de urgência e agilização na concessão por delegados e policiais em locais sem comarca.
- O descumprimento de medida protetiva virou crime autônomo com previsão de prisão preventiva.
- Inclusão de diretrizes como o reconhecimento da violência vicária (quando o agressor atinge terceiros, como filhos, para ferir a mulher) e foco em programas de reeducação de agressores.
Como denunciar?
Para denunciar ou buscar ajuda em casos de violência doméstica, os principais canais são:
- Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher): serviço nacional gratuito e anônimo que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.
- WhatsApp do Ligue 180: atendimento automatizado e humano direto no celular pelo número (61) 9610-0180.
- Ligue 190 (Polícia Militar): canal de emergência indicado para situações de perigo imediato ou flagrante de agressão.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



