Dono da Voepass revela que sabia da omissão de panes em aeronaves
José Luiz Felício Filho foi indiciado três vezes por atentado contra a segurança do transporte aéreo após queda de avião que resultou na morte de 62 pessoas em 2024

O dono da Voepass, José Luiz Felício Filho, afirmou, em depoimento para a Polícia Federal, que já tinha conhecimento da prática de omissão de falhas em registros oficiais de aeronaves da empresa. O inquérito que investiga a queda do avião da empresa que resultou na morte de 62 pessoas, em Vinhedo, em 2024, foi concluído nesta quinta-feira (6).
Segundo a investigação da PF, a chamada “cultura de omissão” visava evitar retenção de aeronaves para manutenção, assim garantindo continuidade da malha aérea em detrimento da segurança.
José Luiz Felício Filho foi questionado sobre a rotina dos pilotos e mecânicos de não registrarem panes no livro de bordo e ele não pestanejou em confirmar que sabia.
"Sim, já tinha esse conhecimento. A aviação regional costuma ser o primeiro emprego de muita gente — tanto pilotos quanto copilotos e mecânicos — e havia, de fato, essa prática de deixar para reportar na próxima base de manutenção. A Anac já havia me alertado sobre isso, sobre casos em que o piloto não queria pernoitar em determinada cidade”, afirmou José Luiz.
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A Polícia Federal (PF) indiciou 16 funcionários e executivos da Voepass pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo no inquérito que investiga a queda do avião da companhia em Vinhedo, no interior de São Paulo. O acidente, ocorrido em 9 de agosto de 2024, provocou a morte das 62 pessoas a bordo — 58 passageiros e quatro tripulantes — e se tornou a maior tragédia da aviação brasileira desde 2007.
Entre os indiciados está o presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho. Também foram responsabilizados funcionários ligados às áreas de manutenção, operações e segurança operacional da companhia.
Segundo a PF, o relatório final da investigação já foi encaminhado à Justiça Federal. Os investigados estão proibidos de deixar o país enquanto o Ministério Público Federal (MPF) analisa o caso e decide se apresentará denúncia à Justiça.
Os indiciados são:
Edson Serra Martins
Luciano Alves de Macedo
Oderlino de Campos Figueiredo
John Major Viana
Marcos Hiroyuki Sato
Alex de Souza Leandro
William Schmidt Agatz
Juliano Flores Pacheco
Raphael Limongi de Figueiredo
Marcel Sarquis Moura
Tiago Passucci Morani
Carlos Alberto Costa
Eric Consoli
Rafael Gimenez Rodrigues
David da Costa Faria Neto
José Luiz Felício Filho
Relembre o acidente
O avião, um ATR 72-500, fazia o voo 2283 entre Cascavel (PR) e o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) quando caiu em uma área residencial de Vinhedo, no interior paulista. Todas as 62 pessoas a bordo morreram. Imagens da aeronave girando em queda antes do impacto repercutiram em todo o mundo.
Em julho deste ano, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou o relatório final da investigação técnica. O documento concluiu que o acidente foi provocado por uma sequência de falhas operacionais, de manutenção e organizacionais, somadas às condições meteorológicas adversas.
Segundo o relatório, a aeronave decolou com o sistema de proteção contra o acúmulo de gelo apresentando falhas, apesar da previsão de formação severa de gelo ao longo da rota. Durante o voo, houve acúmulo de gelo nas asas, perda de desempenho, redução da velocidade e, posteriormente, perda de controle da aeronave, que entrou em estol e caiu.
A investigação também apontou problemas na cultura de segurança da empresa, com falhas de manutenção que deixavam de ser registradas formalmente para permitir que as aeronaves continuassem operando. O Cenipa ainda identificou falhas nos procedimentos da companhia, da tripulação e na fiscalização regulatória, destacando que o avião não deveria ter sido liberado para o voo nas condições em que se encontrava.
Maria Luíza Mendes é estagiária do portal Itatiaia e estudante de jornalismo na PUC Minas. Apaixonada por esportes e entretenimento, Maria possui experiência anteriores em outros portais online e na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Yuri Cavalieri é jornalista e pós-graduado em política e relações internacionais. Tem mais de 13 anos de experiência em rádio e televisão. É correspondente da Itatiaia em São Paulo. Formado pela Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, começou a carreira na Rádio Bandeirantes, empresa na qual ficou por mais de 8 anos como editor, repórter e apresentador. Ainda no rádio, trabalhou durante 2 anos na CBN, como apurador e repórter. Na TV, passou pela Band duas vezes. Primeiro, como coordenador de Rede para os principais telejornais da emissora, como Jornal da Band, Brasil Urgente e Bora Brasil, e repórter para o Primeiro Jornal. Em sua segunda passagem trabalhou no núcleo de séries e reportagens especiais do Jornal da Band.




