Disputa por licitação pode ter motivado homicídio de médicos na Grande SP

Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35, foram mortos a tiros após uma briga em um restaurante em Alphaville

Dois médicos são mortos a tiros por outro médico em Alphaville, na Grande SP

A Polícia Civil de São Paulo investiga a possibilidade de uma disputa por licitação ser a motivação do assassinato de dois médicos mortos a tiros, na última sexta-feira (16), por Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, de 44 anos, durante uma briga em um restaurante em Alphaville, na Grande São Paulo.

As vítimas são Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35. O delegado do caso, Andreas Schiffmann contou sobre essa linha de investigado em uma entrevista para a Band TV.

“Todos eles são médicos e donos de duas empresas concorrentes de gestão hospitalar. Esses desentendimentos já vinham ocorrendo há algum tempo e sempre eram relacionados a contratos de licitação que eles disputavam. No fundo, tudo corria em torno do dinheiro que esses contratos podiam gerar”, disse.

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O delegado do caso também afirmou que o encontro dos três médicos aconteceu de forma ocasional.

“O autor do crime já estava no restaurante quando os outros dois outros médicos chegaram. Ele estava numa mesa, num lado que fica de fora do restaurante, enquanto os outros dois estavam nas mesas de espera. Quando os médicos chegam, ele levanta, cumprimenta e começa a discutir de forma acalorada”, explicou Schiffmann.

No momento da discussão o suspeito estava desarmado. Porém, após a situação se acalmar, ele teria tirado a arma de dentro de uma mala, segundo as investigações.

“Essa arma ele tirou de dentro de uma mala que ele sempre leva com ele. Precisamos apurar se essa mala já estava lá dentro do restaurante ou se foi trazida por alguém”, afirma o delegado.

Sobre testemunhas terem relatado que uma mulher levou a arma para o suspeito, Andreas Schiffmann afirmou que ela será ouvida. “Ela está identificada, vai ser ouvida, assim como os amigos que estavam com ele também, para esclarecer justamente esse ponto.”

O delegado avalia que Carlos Alberto Azevedo Silva Filho pode ser indiciado pelo crime de duplo homicídio com duas qualificadoras: motivo fútil ou torpe, já que o caso envolve dinheiro e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Em nota, a prestadora de serviços médicos Cirmed Brasil, empresa em que o suspeito é sócio, afirmou que os crimes não correspondem “aos valores e princípios da instituição.”

A empresa afirma ter tomado conhecimento do fato “envolvendo, em âmbito estritamente pessoal, um de seus sócios” e ressaltou que se trata de “fatos pessoais e isolados”, que não se confundem com suas atividades institucionais, assistenciais ou operacionais.

Entenda o caso

O crime aconteceu na noite da última sexta-feira (16), em um restaurante localizado em Alphaville, na Grande SP. Imagens de câmeras de segurança mostram o suspeito de aproximando da mesa onde estavam as vítimas e iniciando uma discussão. Confira:

Em determinado momento ele agride Luís Roberto e Vinícius tenta intervir, entrando em luta corporal com o atirador. Funcionários do restaurante tentaram separar os três.

Após a briga, o suspeito saiu do restaurante e retornou armado. Ele teria disparado várias vezes contra os dois médicos, que morreram no local.

Agentes da Guarda Civil que estavam próximos algemaram o suspeito, que foi preso em flagrante. No último sábado (17), ele passou por audiência de custódia e teve a prisão convertida em preventiva.

Luís Roberto era cardiologista e trabalhava em um hospital municipal de Barueri, Vinícius, atingido por dois tiros, atuava em unidades de saúde de Cotia.

Parentes relataram, conforme o delegado, que a relação entre eles era marcada por rixas e ameaças. Vinicius era funcionário de Luís Roberto.

A polícia informou que Carlos Alberto possui registro de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC), mas não tinha porte de arma.

*Com agências.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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