Itatiaia

Com renda declarada de R$800, mãe de Deolane Bezerra movimentou R$7 milhões e comprou Land Rover

Relatórios financeiros identificaram operações de R$ 7,3 milhões, pedido de saque de R$ 500 mil e veículos de luxo em nome de Solange Bezerra; investigação apura suposta lavagem de dinheiro para o PCC

Por
Solange Bezerra e sua filha, Deolane Bezerra.
Solange Bezerra e sua filha, Deolane Bezerra. • Reprodução | Redes Sociais

A investigação sobre um possível esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a influenciadora Deolane Bezerra identificou movimentações milionárias também nas contas bancárias de sua mãe, Solange Alves Bezerra dos Santos.

Segundo informações divulgadas pelo Estadão, quatro relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram que ela movimentou R$ 7,3 milhões em créditos e R$ 7,1 milhões em débitos, embora declarasse receber apenas R$ 800 por mês.

Um dos episódios que chamou a atenção dos investigadores ocorreu em novembro de 2023. Na ocasião, Solange solicitou a reserva de R$ 500 mil para retirada em uma agência bancária de São Paulo. O pedido foi feito no dia 22, com previsão de saque para o dia 27.

Os documentos foram elaborados a pedido da Polícia Civil paulista e examinados pelo Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD). Além das movimentações bancárias, os técnicos identificaram transferências rápidas entre contas e uma aplicação de R$ 250 mil em Certificado de Depósito Bancário (CDB).

Ao todo, 15 comunicações financeiras envolvendo Solange foram identificadas. Os investigadores também consideraram a diferença entre os valores movimentados, a renda declarada e o patrimônio imobiliário informado, avaliado em R$ 50 mil.

Em um dos seus perfis nas redes sociais, que acumula mais de 1 milhão de seguidores, Solange Bezerra exibe viagens, roupas de marcas de grife e um estilo de vida luxuoso.

Investigação também identifica carros de luxo

Os relatórios também apontam que Solange tinha em seu nome uma Land Rover e uma Range Rover Sport, ambas registradas em junho de 2025. A apuração identificou ainda transações envolvendo automóveis de alto valor associados à filha. Entre os veículos citados estão uma Ferrari SF90 Stradale, avaliada em R$ 4,4 milhões, um Porsche 911 Carrera, estimado em R$ 1 milhão, e uma Land Rover Evoque, de aproximadamente R$ 360 mil.

A compra da Ferrari teria envolvido a utilização de dois carros usados como parte do pagamento, além de transferências feitas por empresas diferentes. Na negociação da Land Rover, foram identificados um pagamento de R$ 45 mil em espécie e a entrega de outro automóvel.

Outros modelos de luxo também aparecem nos levantamentos, como Land Rover Velar, Range Rover e RAM Rampage. Em agosto, uma Lamborghini Urus Performante atribuída à influenciadora foi apreendida pela Polícia Civil no bairro do Tatuapé, na zona leste da capital paulista.

Prisão de Deolane e ligações com PCC

As movimentações financeiras fazem parte da Operação Vérnix, que investiga uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro ligada a facção criminosa conhecida como Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo, Deolane teria participado de um esquema utilizado para movimentar recursos do PCC. A influenciadora está presa desde 21 de maio na Penitenciária de Tupi Paulista, no interior do estado.

Uma das empresas investigadas é uma transportadora registrada em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, que, segundo as apurações, teria movimentado R$ 327 milhões. O esquema teria como beneficiário o líder do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola.

A investigação também identificou relações financeiras e societárias entre quatro empresas ligadas à influenciadora: Bezerra Produções, Bezerra Publicidade, DB Santos e Deolane Bezerra Comércio. A Bezerra Publicidade, que tem Deolane como sócia-administradora, aparece em 81 comunicações de inteligência financeira. Em dez delas, foram identificadas operações que somam R$ 88,8 milhões, sendo R$ 84,3 milhões associados a movimentações consideradas atípicas.

Segundo os investigadores, os bens de origem supostamente criminosa atribuídos à advogada alcançariam R$ 27 milhões. O Ministério Público de São Paulo também pediu à Justiça a perda de bens de até R$ 65 milhões de Deolane, Marcola e outros investigados. A Polícia Civil solicitou ainda a ampliação do bloqueio de patrimônio e o compartilhamento das informações com a Polícia Federal, após identificar indícios de possíveis crimes tributários.

Deolane nega envolvimento com o PCC e afirma que não é criminosa. Marcola, por sua vez, declarou não conhecer a influenciadora e contestou as acusações. Procurada pelo Estadão, Solange Bezerra não havia se manifestado até a publicação dessa reportagem. O veículo também solicitou posicionamento à defesa de Deolane, que ainda não se pronunciou.

*Com Estadão Conteúdo

Por

Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

 

 

Belo Horizonte