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Avião da Voepass que caiu em São Paulo tinha falhas em sistema, diz Cenipa

A investigação revelou que a aeronave tinha falhas no sistema de degelo e que problemas não eram registrados pela empresa

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Cenipa divulga relatório final sobre queda do avião da Voepass que matou 62 pessoas em Vinhedo • Aline Pessanha | Itatiaia

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) informou, nesta quinta-feira (23), que o avião da Voepass que caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo, há quase dois anos, apresentava falhas no sistema de degelo antes da queda. A informação consta no relatório final da investigação sobre o acidente, divulgado nesta data, que também apontou uma "forte cultura organizacional de não fazer registros" dos problemas.

Segundo o tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, que integrou a equipe de investigadores, foram identificadas falhas no equipamento de degelo nos três voos anteriores à queda da aeronave. No entanto, os problemas não foram relatados nos diários de bordo, contrariando a legislação vigente.

Diante disso, o documento concluiu que houve uma "forte cultura organizacional de não fazer registros", com informalidade e serviços auxiliares de mecânicos feitos sem a devida supervisão.

O Cenipa analisou 1.206 voos realizados entre agosto de 2023 até o dia do acidente. O relatório final reúne as conclusões da investigação técnica conduzida pela Força Aérea Brasileira para identificar os fatores que contribuíram para a queda.

Antes de ser divulgado, o relatório passou pelas etapas previstas no protocolo internacional para investigações de acidentes aeronáuticos.

O documento foi analisado pelo BEA, o Bureau d'Enquêtes et d'Analyses pour la Sécurité de l'Aviation Civile, da França, país responsável pelo projeto e fabricação do ATR 72-500; e pelo TSB, sigla em inglês para Transportation Safety Board, do Canadá, responsável pelo projeto dos motores da aeronave.

O voo 2283 da Voepass decolou de Cascavel-PR na tarde de 9 de agosto de 2024 com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Durante a aproximação da capital paulista, o ATR 72-500 perdeu rapidamente sustentação e caiu em um condomínio residencial em Vinhedo, no interior paulista.

Os primeiros dados da investigação mostraram que a aeronave enfrentava condições severas de formação de gelo. O piloto chegou a relatar problemas no sistema de degelo, enquanto os gravadores registraram alertas como "Cruise Speed Low" e "Degraded Performance", indicando perda progressiva de desempenho do avião.

As 62 pessoas a bordo – 58 passageiros e quatro tripulantes – morreram no acidente.

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