'Arrependimento profundo', diz defesa de mulher presa por gravar vídeos pisando em animais
Daiana Schuinsekel de Almeida foi presa em São Paulo nesta semana; ela afirma que vídeos são antigos

A defesa de Daiana Schuinsekel de Almeida — presa por gravar a tortura de animais e comercializar os vídeos em uma rede social — se pronunciou nesta sexta-feira (29). Em nota, os advogados afirmaram que a mulher demonstra um "arrependimento profundo" pela prática que, de acordo com a defesa, é antiga.
No texto, eles ainda pedem "parcimônia" ao público devido à repercussão do caso, o que significa pedir que a sociedade evite linchamentos virtuais ou pré-julgamentos enquanto as investigações correm. "Por mais repulsa que a conduta da investigada possa causar, a defesa vem pedir parcimônia das pessoas qeu comentam nas redes sociais", escreveram.
A nota ainda destaca que injúrias, calúnias, difamações e ameaças dirigidas à mulher configuram crimes previstos na Justiça brasileira. A equipe de advogados informou, ainda, que Daiana está buscando auxílio psicológico enquanto aguarda o andamento do processo judicial, no qual "lhe caberá a devida pena".
Confira o pronunciamento completo:
"Daiana Schuinsekel, por meio de seus advogados emitem a seguinte nota à imprensa:
A senhora Daiana foi conduzida à Delegacia de Polícia na data de 28 de maio de 2026, quinta-feira, após o deferimento de uma cautelar de busca e apreensão.
Em todo instante, a senhora Daiana foi colaborativa com a Autoridade Policial e os demais Policiais, fornecendo, inclusive, o acesso irrestrito aos seus aparelhos celulares, notebooks e demais aparelhos eletrônicos.
Além disso, prestou esclarecimentos junto à Autoridade Policial, esteve e sempre estará à disposição para a justiça.
Importe salientar que os fatos não são recentes e há arrependimento profundo sobre todo o ocorrido, tendo abandonado tal prática há anos.
Por mais repulsa que a conduta da investigada possa causas, a defesa vêm, pedir parcimónia das pessoas que comentam nas redes sociais, injuriando, caluniando, difamando, ameaçando e frisa-se que, tais práticas são consideradas crime no ordenamento jurídico brasileiro, ao passo que a defesa, enquanto técnica e amparada pela
Constituição Federal do Brasil, tão somente defende o direito da pessoa humana, direito este inalienável.
Neste momento, a investigada busca auxilio psicológico e espera o andamento do processo judicial, seara que lhe caberá a devida pena."
Entenda o caso
Daiana Schuinsekel de Almeida foi presa em São Paulo, na manhã desta quinta-feira (28), por gravar a tortura de animais e comercializar os vídeos em uma rede social. No momento em que foi detida, ela confessou os crimes. Porém, afirmou que os conteúdos são antigos.
A ação da Polícia Civil do Estado de São Paulo, que resultou na prisão dela, aconteceu na Bela Vista, Região Central da capital paulista.
A denúncia contra a mulher foi feita por uma ONG da Bulgária, indicando que Daiana grava torturas a coelhos e pintinhos. Nos vídeos, ela está sem roupa, enquanto pisa nos animais com saltos altos e tênis de plataformas.
Segundo as investigações, ela vendia esses conteúdos na Europa, por quantias que variam entre 20 e 50 euros em redes sociais.
Daiana foi identificada por uma tatuagem e marcas nas pernas, segundo apurado pela CNN Brasil. As investigações apontam que um mandado judicial pedindo aprisão dela já havia sido expedido.
Após confessar o crime, a mulher foi questionada a respeito do local em que os animais estavam. Ela afirmou que preferia ficar calada. Na casa de Daiana foram encontrados os sapatos utilizados para as torturas, de acordo com a Polícia Civil.
Ela responderá pelo crimes de maus-tratos, zoosadismo — parafilia na qual o indivíduo sente excitação e prazer ao infligir ou observar dor, sofrimento e morte em animais — e comercialização de vídeos de violência.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.
