Vídeo: mãe que ficou 763 dias internada reencontra filho em MG: 'Parece um sonho'
Alta só foi possível após uma longa batalha judicial para que ela tivesse acesso ao medicamento sotatercepte, que custa R$ 40 mil. Ela precisa tomar o remédio a cada 21 dias e tem doses garantidas até janeiro

Após dois anos internada no Hospital das Clínicas de Belo Horizonte, Hérica Elaine Silva, de 33 anos, já está em casa, na pequena cidade de Coronel Xavier Chaves, no Campo das Vertentes de Minas Gerais. Hérica, que luta contra a hipertensão pulmonar, foi recebida com muita festa na cidade de 3,4 mil habitantes, na noite de sexta-feira (9). Teve carreata, oração e o tão aguardado abraço no filho Bryan, em casa, o que não acontecia desde o dia 6 de setembro de 2024, quando ela deu entrada no hospital sem imaginar que ficaria internada por 763 dias.
“Estou bem, muito feliz, mas está estranho, sabe? Ainda parece um sonho!”, disse Hérica à Itatiaia.
A batalha de Hérica começou no dia 6 de setembro de 2024, quando ela deu entrada no hospital sem imaginar que ficaria mais de dois anos internada. Nesse período, ela chegou a ser transferida para o Incor, em São Paulo, para passar por um transplante, mas descobriu que não poderia receber um novo órgão devido ao painel de reatividade (indicador da presença de múltiplos anticorpos do receptor contra antígenos comuns de doadores de órgãos, aumentando o risco de rejeição do transplante).
A alta só foi possível após uma longa batalha judicial para que ela tivesse acesso ao medicamento sotatercepte, que custa R$ 40 mil. Ela precisa tomar o remédio a cada 21 dias.
Até conseguir a medicação, a rotina de Hérica foi marcada por sintomas intensos e pela busca diária por estabilidade. Para suportar a rotina hospitalar e o tratamento, ela conta que buscou valorizar pequenas conquistas do dia a dia, como voltar a realizar atividades simples e poder beber água.
A melhora no estado de saúde de Hérica ocorreu após o início do tratamento com sotatercepte. "O remédio, eu falo que ele foi um milagre na minha vida, sabe? Porque, com apenas quatro doses do remédio, a dose inicial, mas as outras três, eu virei outra pessoa, que eu jamais imaginaria, sabe? Voltar a ser desse jeito".
O tratamento tem custo elevado, sendo necessários R$ 40 mil por dose do medicamento. A continuidade depende de recursos do Estado ou de determinações da Justiça. Inicialmente, foi realizado o depósito referente a nove doses; contudo, será preciso solicitar a liberação de novos lotes para garantir a manutenção do tratamento pelo resto da vida.
Hipertensão pulmonar
Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a hipertensão pulmonar é uma doença rara que atinge, em média, de 40 a 55 pessoas a cada 1 milhão de adultos.
A doença faz com que a pressão arterial nos pulmões seja mais alta. Apesar de poder atingir qualquer pessoa, a hipertensão arterial pulmonar é mais comum em mulheres, principalmente naquelas entre 20 e 40 anos. Além disso, até 10% dos casos de hipertensão pulmonar são causados por fatores hereditários.
Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está como editor de Cidades, Brasil e Mundo.



