O pedreiro Rodrigo Aparecido, 42 anos, revelou à Itatiaia que a égua Amora caiu na tubulação da Copasa durante um passeio, na última segunda-feira (4), na Fazendinha, no Aglomerado da Serra, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O incidente deixou moradores de Belo Horizonte e de outras cidades da região metropolitana sem água. Fragmentos do corpo do animal foram encontrados hoje, mas o reabastecimento será normalizado ao longo do dia, segundo a Copasa.
Rodrigo, tutor da égua, que estava prenha, contou à reportagem que foi passear com Amora e uma potra. “Levei para dar um passeio, para a potrinha correr, esticar as pernas. De repente, passei por cima de uma tampa e, quando me assustei, só escutei o barulho e ela (Amora) caiu para dentro da tubulação", relatou o proprietário.
Em um esforço desesperado, ele e um amigo tentaram segurar o animal: "Eu só não desci para dentro da tubulação porque eu soltei a corda na hora e só a mantive ali, segurando pela cabeça, mas, devido ao peso dela, nós não conseguimos; tivemos que soltá-la". A força da água acabou levando Amora correnteza abaixo.
Amora era a mãe da potra Zafira, de apenas cinco meses, que agora permanece sozinha no rancho. Rodrigo utiliza o local para lazer e para receber crianças da comunidade, inclusive seu afilhado autista, que costumam interagir com os animais.
Alertas de segurança e negligência
Rodrigo criticou a falta de sinalização e manutenção no local, afirmando que o buraco estava camuflado pela vegetação. "Não tinha como você ver porque é mato", explicou, ressaltando que o local é uma passagem comum para os moradores. "Dizem que poderiam ser pessoas também, alguém poderia ter caído. Poderia ser até eu", alertou. Ele defende que a estrutura deveria ser suspensa para evitar que pedestres ou animais passem por cima da tampa desgastada.
Sem ajuda das autoridades
O tutor relatou dificuldades em obter ajuda imediata. Segundo ele, o Corpo de Bombeiros informou que só realizaria o resgate se o animal estivesse vivo, enquanto a Copasa tratou o caso inicialmente como uma ordem de serviço comum, marcando uma visita para o dia seguinte.
A preocupação de Rodrigo, no entanto, escalou para a saúde pública: "Eu quero saber o destino do bicho, porque a população às vezes tá bebendo essa água... eu sei a pressão da água ali, chegar a um certo ponto vai dilacerar. Então a população vai beber isso aí".
Foi apenas após a repercussão de vídeos gravados por ele que a mobilização aumentou, com o uso de drones para localizar o corpo da égua. A Itatiaia entrou em contato com o Corpo de Bombeiros e com a Copasa e aguarda retorno.