Belo Horizonte
Itatiaia

Tia de vítima de ataque em padaria na Grande BH pede por justiça: 'Dor inexplicável'

Nesta quinta-feira (18), ocorre a audiência de instrução do caso

Por e 
Da esquerda para a direita, Ione, Nathielly, Yone e Emanuely.
Da esquerda para a direita, Ione, Nathielly e Emanuely. • Foto: Redes Sociais

"A gente está sofrendo dia e noite, a gente já não tem mais vida, porque a gente está com o coração dilacerado", afirma Silvana Strocate, tia de Nathielly Kamilly Fernandes Faria, de 16 anos, uma das vítimas do ataque em padaria Ribeirão das Neves, na Grande BH. Ela contou à Itatiaia que a "dor é inexplicável" momentos antes da audiência de instrução do caso ter início nesta quinta-feira (18). A chacina, ocorrida em 4 de fevereiro deste ano, resultou na morte de três pessoas: Nathielly, Emanuely Geovanna Rodrigues Seabra, de 14 anos, e Ione Ferreira Costa, de 56.

"A gente quer que esse sujeito vá a júri popular porque a gente quer uma resposta", disse Silvana, que pediu por justiça pelas vítimas. O acusado de cometer o crime é Magno Ribeiro da Silva, de 30 anos.

"Essa dor nunca vai passar (...) A gente chora todos os dias", lamentou a tia de Nathielly. Ela contou que a adolescente era extrovertida, trabalhadora e tinha o sonho de ser fotógrafa.

Como foi o crime?

Em 4 de fevereiro deste ano, o suspeito entrou armado na padaria e matou três pessoas a tiros. Nathielly Kamilly Fernandes Faria e Ione Ferreira Costa morreram no local. Emanuely foi socorrida com vida, mas morreu no Hospital Risoleta Neves no dia 5 de fevereiro. A irmã dela, de 19 anos, também estava no estabelecimento comercial no dia do ataque.

Ana Júlia Fernandes, sobrevivente do ataque, compareceu à audiência de instrução do caso com uma blusa manchada de tinta vermelha para simular o sangue das vítimas. "Eu vim buscar justiça por elas", disse a jovem, que contou estar abalada. Segundo Ana Júlia, esse é o "segundo pior dia" da vida dela, atrás apenas do dia do crime. A sobrevivente afirma que será difícil ter que relembrar o ocorrido em fevereiro deste ano.

Nessa segunda-feira (15), Ana Júlia contou à Itatiaia que ainda sofre com as lembranças do crime. “Lembro dele entrando na padaria e atirando na minha prima, na cliente. E na minha irmã. E ele me seguindo, eu pedindo para ele não me matar e [ele] apontando a arma para mim”, contou emocionada.

A jovem afirma que a parte que mais dói é relembrar a irmã pedindo por socorro. “Tem dias que eu não durmo, tem dias que eu lembro dele apontando a arma na minha cara, dele matando a minha irmã, dela pedindo socorro, é difícil”, disse.

A expectativa do pai de Emanuely e de Ana Júlia, Gleidson Seabra, é que haja a decisão para que o acusado vá a júri popular. “Magno é um monstro que merece toda a penalidade, a pena máxima do mundo que possa existir é o que eu desejo para ele”, afirmou. Gleidson contou ainda que o se sente mal por não ter estado na padaria no momento do ataque para proteger as filhas.

 

Por

Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.

Por

Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.