Sobe para 465 o número de pessoas desabrigadas em Minas Gerais em razão dos fortes temporais registrados nos últimos dias. Os dados são da Defesa Civil Estadual, que monitora o período chuvoso iniciado em outubro.
De acordo com o balanço, já foram registradas três mortes causadas pelas chuvas e 138 eventos adversos, como alagamentos, inundações e deslizamentos de terra. Até o momento, 49 decretos foram publicados por municípios mineiros, sendo 48 por situação de emergência.
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Centro-Oeste de Minas
Em Formiga, na região Centro-Oeste, a cidade registrou em menos de 24 horas o maior volume de chuva dos últimos 26 anos. O temporal provocou alagamentos e danos em diversos bairros. Segundo a Defesa Civil municipal, oito pessoas ficaram desalojadas e nove precisaram ser resgatadas após ficarem ilhadas. Não houve feridos.
Entre os danos à infraestrutura, a ponte dos Três Irmãos, uma das principais ligações da cidade, foi interditada por risco de desabamento.
Já no Noroeste de Minas, a rodovia MGC-251, que dá acesso a Dom Bosco, Bonfinópolis, Brasilândia de Minas e Unaí, foi totalmente interditada após o desabamento de uma ponte e a formação de uma grande cratera. Ainda não há previsão de liberação da via.
Região dos Inconfidentes
Em Mariana, segue o levantamento dos prejuízos em residências atingidas por alagamentos. Algumas casas tiveram perda total, enquanto outras registraram danos parciais. As equipes também atendem bairros afetados por enxurradas, infiltrações e destelhamentos.
Além disso, estão sendo realizadas ações de limpeza e desinfecção de imóveis, desobstrução de córregos e limpeza de vias públicas. O volume elevado de chuvas em Ouro Preto, que ultrapassou 100 mm em 24 horas, contribuiu para a elevação do Ribeirão do Carmo, que corta Mariana. Apesar dos danos materiais, não houve registro de vítimas.
Ouro Preto segue em estado de atenção e monitoramento permanente por concentrar o maior número de áreas de risco geológico do país, com 313 áreas mapeadas.
Norte de Minas
A Defesa Civil segue atuando em Várzea da Palma, no Norte de Minas, após um forte temporal registrado na madrugada. O município acumulou 110 mm de chuva em poucas horas, volume equivalente a até 20 dias de precipitação, o que sobrecarregou o sistema de drenagem.
O transbordamento do córrego Lameirão causou alagamentos em áreas residenciais. Ao todo, 61 residências foram atingidas e 126 pessoas afetadas. Famílias desalojadas foram encaminhadas para escolas municipais, onde recebem atendimento emergencial. As principais necessidades no momento são colchões, cobertores e cestas básicas. Apesar da trégua na chuva, a cidade segue em alerta.
Sul de Minas
No Sul de Minas, as chuvas do fim de semana provocaram transtornos em várias cidades. Em Elói Mendes, a Defesa Civil deve vistoriar casas de uma comunidade rural onde 27 pessoas foram resgatadas após o transbordamento de um ribeirão. As vítimas estavam em ranchos de lazer e não há registro de desabrigados.
Ainda em Elói Mendes, parte da estação de tratamento de água foi alagada, o que pode comprometer o abastecimento. Uma casa desabou parcialmente, um muro cedeu e um barranco apresenta risco.
Em Itajubá, a prefeitura monitora os ribeirões que cortam a cidade. O nível está elevado, mas sem transbordamento. Já em Pouso Alegre, ruas ficaram alagadas no sábado, mas a água escoou rapidamente. Duas árvores caíram e os rios seguem sob monitoramento.
Grande BH e capital
Em Belo Horizonte, seis das dez regionais já registraram volume de chuva acima do esperado para todo o mês de janeiro. A Região Oeste é a mais atingida, com acumulado 25% acima da média.
A ocorrência mais grave recente foi registrada na Região Norte, no bairro Planalto, onde uma cratera se abriu após um deslizamento de terra. A capital segue em alerta para risco de chuvas e deslizamentos pelo menos até a manhã desta segunda-feira.
Em Brumadinho, na Grande BH, o nível do rio Paraopeba chegou a 3,40 metros, entrando em estado de alerta. Já o rio das Velhas, em Sabará, está em nível de atenção, sem risco iminente de transbordamento. No bairro Morro do São Francisco, em Sabará, o muro de uma casa caiu no fim de semana, sem deixar feridos.