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Suspeito de esquartejar colega de cela denuncia tortura na Nelson Hungria, na Grande BH

Aldeir Souza Jardim, conhecido como 'Bila', relatou sofrer agressões físicas e psicológicas na unidade

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Suspeito gravou vídeo de dentro da penitenciária Nelson Hungria
Suspeito gravou vídeo de dentro da penitenciária Nelson Hungria • Imagens cedidas à Itatiaia

Um detento suspeito de esquartejar um colega de cela na Penitenciária Dr. Manoel Martins Lisboa Júnior, em Muriaé, na Zona da Mata, denunciou supostos casos de tortura e maus-tratos no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para onde foi transferido após o crime.

Por meio de um vídeo gravado de dentro do sistema prisional, Aldeir Souza Jardim, conhecido como “Bila” e apontado como autor do homicídio, relatou sofrer agressões físicas e psicológicas na unidade. “Venho, por meio desta gravação, fazer uma denúncia contra o diretor-geral, Rodrigo Silveira Pimentel, e seus policiais penais”, afirmou.

“Denuncio espancamento, tortura, maus-tratos, abuso de poder, injúria, discriminação e perseguição na Penitenciária Nelson Hungria”, acrescentou.

O detento também pediu ajuda a autoridades, incluindo o Judiciário e órgãos de direitos humanos. “Venho pedir socorro às autoridades superiores, à Corregedoria-Geral do Estado de Minas Gerais, à Comissão de Direitos Humanos do Estado e ao juiz de execução, Wagner de Oliveira Cavalieri, da Comarca de Contagem”, disse.

Ele ainda mencionou o presidente da República. “Solicito, em caráter de urgência, uma medida protetiva contra a segurança da Penitenciária Nelson Hungria. Peço socorro ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais, ao Superior Tribunal de Justiça, ao Supremo Tribunal Federal e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, declarou.

Aldeir afirma ter problemas de saúde, como osteomielite, tumor na cabeça e crises epilépticas, e diz que não estaria recebendo a medicação adequada desde a transferência, em 11 de abril. “Sou portador de osteomielite crônica no fêmur direito e na bacia, além de um tumor na cabeça. Tenho 13 pedras no rim esquerdo e oito no direito”, relatou.

A reportagem da Itatiaia procurou a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.

Relembre o caso

O suspeito é investigado pela morte de Deyon Moura Santos, de 28 anos, encontrado esquartejado no dia 2 de abril dentro da unidade prisional de Muriaé. Segundo o boletim de ocorrência, partes do corpo da vítima foram localizadas espalhadas pela galeria do Pavilhão IV, do lado de fora da cela 09.

Dentro da cela, os policiais penais encontraram sinais de extrema violência. O corpo estava desmembrado, com a cabeça ao lado do tronco. Um dos olhos havia sido retirado, e a língua foi localizada dentro de uma marmita.

De acordo com o registro, Aldeir foi encontrado na porta da cela, rindo, e teria confessado o crime, ocorrido na noite anterior. A perícia apontou o uso de uma faca artesanal, uma lâmina de barbear e tiras de lençol.

Em depoimento, o suspeito afirmou que aplicou um golpe conhecido como “chave de pescoço” até deixar a vítima desacordada e, em seguida, utilizou tiras de tecido para provocar a morte. Após o óbito, ele teria realizado o esquartejamento.

A direção da unidade prisional informou que instaurou procedimentos administrativos para apurar o caso.

Relação entre vítima e suspeito

Segundo o boletim de ocorrência, os dois detentos estavam isolados na mesma cela desde 14 de janeiro de 2026, após envolvimento em um crime anterior dentro da unidade.

De acordo com o relato do suspeito, a motivação estaria relacionada a episódios de homofobia que ele afirma ter sofrido. Ele também disse ter sido ameaçado por outros presos ligados ao Comando Vermelho (CV).

Ainda conforme a versão apresentada, o crime ocorreu após uma suposta agressão e pela desconfiança de que a vítima teria denunciado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) sua participação no assassinato registrado em janeiro.

Após o crime, Aldeir foi encaminhado para uma cela de isolamento e apresentado à autoridade policial. O corpo de Deyon foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Muriaé.

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Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.

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André Viana é jornalista, formado pela PUC-MG. Já trabalhou como redator e revisor de textos, produtor de pautas e conteúdos para rádio e TV, social media, além de uma temporada no marketing.

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Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.

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Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.