Moradores de Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas, na região Central de Minas Gerais, viveram momentos de tensão na tarde desta quinta-feira (12) após o acionamento indevido das sirenes da barragem do Sistema Minas-Rio, operado pela mineradora Anglo American. O alerta sonoro, utilizado em casos de emergência, provocou correria e pânico entre famílias que temeram um possível rompimento na estrutura de minérios.
Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram moradores deixando suas casas às pressas e buscando áreas mais altas. Relatos indicam que algumas pessoas passaram mal diante do susto, relembrando os desastres ambientais registrados em Mariana e Brumadinho nos últimos anos.
O que diz a mineradora?
Em nota, a Anglo American informou que o acionamento foi acidental e que não houve qualquer situação de risco. Segundo a empresa, a barragem e os diques de contenção permanecem estáveis e sem alterações nos indicadores de segurança. A mineradora afirmou ainda que o monitoramento geotécnico é realizado 24 horas por dia, todos os dias da semana.
De acordo com o comunicado, assim que o acionamento foi identificado, equipes técnicas foram mobilizadas para verificar o sistema de sirenes e realizar checagens de rotina. Os órgãos competentes também foram informados, e as causas do disparo ainda estão sendo apuradas.
Ainda na nota, a empresa declarou que lamenta o ocorrido e que manterá a população e as autoridades atualizadas por meio de seus canais oficiais.
Repercussão
Após o episódio, políticos mineiros se manifestaram nas redes sociais. A deputada federal Duda Salabert (PDT) afirmou, em uma publicação em seu Instagram, que acionou a Agência Nacional de Mineiração (ANM) e o Ministério Público para investigar o ocorrido. A parlamentar alega que “Não é aceitável naturalizar falhas que reativam traumas coletivos e colocam comunidades em estado de medo”.
Além de Duda, Bella Gonçalves (PSOL), deputada estadual por Minas Gerais, também falou sobre o acionamento das sirenes. A parlamentar classificou o episódio como “terrorismo de barragem” e condenou o erro da mineradora.
Histórico de acionamentos indevidos
Não é a primeira vez que um episódio semelhante ocorre na região. Em 2020, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) propôs ação civil pública após um acionamento considerado indevido das sirenes do mesmo sistema. Na época, o órgão apontou impactos psicológicos e transtornos causados à população, incluindo a necessidade de indenização individual aos moradores afetados.