'Sensação de revolta': jovem relata agressão e furto de celular no Mercado Novo, em BH
Crime aconteceu em um bar no térreo do edifício, local popularmente apelidado como 'submundo', e outras duas pessoas também foram furtadas; vítima precisou de atendimento médico e recebeu seis pontos em um corte na boca

Um relato de agressão e furto, na madrugada de sábado (5) para domingo (6), em um estabelecimento no Mercado Novo, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, repercutiu nas redes sociais nos últimos dias. Em um vídeo, Raíssa Duarte contou que foi surpreendida com uma briga e, durante a confusão, teve o celular furtado. Ela foi atingida por um soco, precisou de atendimento médico e recebeu seis pontos em um corte na boca. A administração do edifício informou estar ciente do ocorrido.
O crime aconteceu em um bar no térreo do Mercado Novo, local popularmente apelidado como "submundo". Durante o dia, o espaço é conhecido pelo funcionamento da Feira Livre. Mas, durante a madrugada, o espaço funciona com novos bares, especialmente a partir das 23h — quando outros andares do Mercado Novo fecham — e se estende até pela manhã.
Na manhã de domingo (6), Raíssa utilizou as redes sociais para denunciar o que tinha acontecido. "Gostamos de ir para o 'submundo', é onde vamos quando o Mercado Novo 'acaba'. Mas ontem fui assaltada e agredida. Pessoas que estavam próximas a mim também perderam o telefone. Um homem começou uma briga e, nesse momento, pegou o telefone de todo mundo", disse. Confira o relato completo:
Jovem relata agressão e furto no Mercado Novo, em BH
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🎥Vídeo cedido à Itatiaia pic.twitter.com/WDeBg1NxJF— Itatiaia (@itatiaia) September 8, 2026
Em entrevista à reportagem da Itaitiaia, a jovem relatou que estava no Mercado Novo com uma amiga. No momento em que decidiram ir para o térreo do edifício, Raíssa contou que a avisaram sobre a insegurança no local. "A primeira coisa que me falaram foi: 'cuidado que eles estão roubando telefone lá dentro'".
Instantes antes da briga começar, ela estava sozinha e foi atingida por um soco. "Minha amiga tinha ido comprar um sanduíche. Na hora que tomei um soco, as meninas ao redor foram me socorrer. Assim que elas me ajudaram, também foram furtadas", contou. Outras duas mulheres tiveram os celulares roubados.
Repercussão do caso
Raíssa explicou que sempre frequentou o Mercado Novo e o "submundo". "Esse episódio aconteceu por volta das duas horas da manhã. Até então, não estava sabendo de nenhum relato de roubo, nem agressão", disse. Entretanto, depois de expor o que aconteceu nas redes sociais, ela contou que recebeu outros relatos.
"Depois da grande repercussão do vídeo, apareceram muitos outros relatos. Muitos de roubo, muitos de agressão, sempre no mesmo local. As pessoas falando que lá não tem segurança, que é um lugar insalubre, que não tem nenhum sistema de segurança. Ali é só os frequentadores e os donos dos bares, mais ninguém", contou.
Na publicação em que a jovem denuncia o caso, outras pessoas relataram ter visto a briga e os furtos, ou que passaram por situações parecidas no local. Uma mulher, que se identifica como amiga de Raíssa, escreveu que estava atrás dela no momento. "Vi tudo. Nuncia vi tamanha brutalidade. Lembro bem da cara do sujeito. Ninguém de assistência nenhuma. O cara saiu como se nada. Conte comigo para o que precisar".
Outros perfis relataram que passaram por furtos no mesmo local, em datas diferentes. "Sinto muito por você moça, recentemente fui furtada no Mercado Novo. Está ficando impossível sair em BH", escreveu um usuário.
"Fui uma vez em um aniversário de um amigo pra nunca mais voltar, os caras estavam já analisando quem iriam roubar, e num piscar, VÁRIOS meninos saíram correndo roubando celulares e correntes", relatou outro perfil.
A Administração do Mercado Novo informou, em nota enviada à Itatiaia, que está ciente do episódio e "está apurando as circunstâncias do ocorrido, inclusive por meio das equipes responsáveis pela segurança do local.
"O condomínio repudia qualquer forma de violência e está à disposição da vítima e das autoridades competentes para colaborar integralmente com o esclarecimento dos fatos e com as providências cabíveis", escreveu, acrescentando que "prestará os esclarecimentos pertinentes à medida que a apuração avance".
Vítima relata revolta
Após a agressão e o furto, Raíssa precisou de atendimento médico e recebeu seis pontos em um corte na boca. O crime foi registrado na Nuuh Cervejaria, um estabelecimento que funciona das 22h às 6h no térreo do prédio. "Inicialmente, o dono do bar me ajudou. O sócio dele está tentando recuperar as imagens. Eles também pagaram meus remédios", disse a jovem.
Nas redes sociais, os responsáveis pelo estabelecimento publicaram uma mensagem à vítima. "Sentimos muito pelo que você passou. É revoltante e inadmissível que uma situação como essa tenha acontecido. Queremos que saiba que estamos inteiramente à sua disposição para oferecer todo o apoio que estiver ao nosso alcance", escreveram.
Raíssa também indicou que registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.) sobre o caso. Em nota enviada à Itatiaia, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que o suspeito não foi localizado e as investigações "prosseguem visando esclarecer a autoria e circunstâncias do ocorrido".
"O sentimento que tenho de passar por isso é muito de revolta. Porque eu não fiz nada, não me envolvi em briga. Se a pessoa quer roubar o telefone, rouba e vai embora. Ele me agrediu. A gente está falando de um rosto de uma mulher. Então, o meu sentimento é de extrema revolta. Por isso que eu decidi postar, quero que o que aconteceu viralize", finalizou Raíssa Duarte.

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



