Sem acordo, trabalhadores do SAMU fazem novo protesto e cobram valorização em BH
Profissionais denunciam falta de diálogo com a Prefeitura e alertam que possível redução no efetivo pode comprometer o atendimento de urgência na capital mineira

Profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Belo Horizonte realizam, nesta sexta-feira (24), a quarta manifestação da categoria em frente ao Hospital João XXIII. O ato é contra a decisão da administração municipal de reduzir o número de técnicos de enfermagem nas ambulâncias. A categoria fala em “desmonte” do serviço e alerta para riscos no atendimento à população e também para os próprios trabalhadores.
O movimento, que ocorre há cerca de uma semana, denuncia a falta de diálogo com a Prefeitura e com a Secretaria Municipal de Saúde. A categoria afirma que, até o momento, não houve abertura para negociação, o que levou os profissionais a buscar apoio em nível federal, com um apelo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A principal crítica é que as ambulâncias básicas passem a ter apenas um técnico de enfermagem, em vez de dois. Segundo a representante do movimento, Érica Santos, a medida não leva em conta a realidade da cidade. Segundo eles, a proposta em discussão pode reduzir também o número de técnicos de enfermagem para cerca de 180 profissionais.
Na avaliação da categoria, a medida pode comprometer a qualidade e a segurança do atendimento de urgência prestado à população.
Como forma de ampliar a mobilização, os trabalhadores lançaram uma petição pública online para sensibilizar a sociedade e pressionar por mudanças. Eles alertam que a possível redução no efetivo pode impactar principalmente regiões mais vulneráveis da capital mineira e aumentar a sobrecarga no sistema de saúde.
Os profissionais também destacam a relevância do SAMU em ocorrências de grande escala, como no rompimento da barragem de Brumadinho, quando equipes atuaram no atendimento às vítimas.
A continuidade dos protestos, segundo os organizadores, reflete a preocupação com o futuro do serviço e seus impactos diretos na população, especialmente entre aqueles que dependem exclusivamente do atendimento público em situações de emergência.
Medo de perder o emprego
A técnica de enfermagem Isiléia Eulália, de 40 anos, que atua há 18 anos na profissão, teme perder o emprego.
“É uma preocupação, porque todo mundo sabe que entra no SAMU por contrato e, quando sai, sai sem direito a nada, sem seguro-desemprego. A maioria está aqui há muitos anos, tem família, filhos, e não sabe o que vai acontecer a partir do dia 1º de maio. É o ‘presente’ do Dia do Trabalhador. A gente não sabe de onde vai tirar o sustento”, afirmou.
Segundo ela, nem mesmo o número exato de profissionais que serão desligados foi informado. “A gente nem sabe quantos serão cortados, se vai ser só isso ou mais. Tudo foi uma surpresa. Isso traz um receio muito grande, principalmente de ficar desempregado”, disse.
A Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) disse, por meio de nota, que 34 profissionais foram incorporados às equipes do SAMU durante a pandemia da Covid-19 por meio de contratos temporários em caráter emergencial. Esses contratos vencem em 1º de maio e não serão renovados.
"O SAMU conta atualmente com cerca de 710 profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e condutores. A SMSA destaca que as escalas dos profissionais serão reorganizadas, com o objetivo de manter a assistência à população. Além disso, não haverá redução na quantidade de ambulâncias", disse.
Ainda segundo a administração municipal, cabe ressaltar, também, que a Portaria nº 2.028/2002 estabelece que a equipe mínima para atuação em unidades de suporte básico (USB) é composta por um técnico de enfermagem e um condutor. "Esse modelo já é utilizado em outras cidades do país e passará a ser adotado por Belo Horizonte", finalizou.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.
