Belo Horizonte
Itatiaia

Região Centro-Sul de BH registra 50% da chuva esperada para o mês em apenas 1h

Temporal arrastou carros, derrubou árvores e destruiu asfalto na capital mineira; apenas a Região Centro-Sul recebeu 42,6 mm de volume de água

Por, Belo Horizonte
chuva
apenas a Região Centro-Sul recebeu 42,6 mm, o que representa pouco mais de 50% do volume de chuva esperado para todo o mês de abril • Talyssa Lima / Itatiaia

Em meio aos efeitos sentidos em Minas Gerais pela passagem do primeiro ciclone extratropical do outono, a Região Centro-Sul de Belo Horizonte registrou pouco mais de 50% da chuva esperada para o mês em apenas uma hora durante o temporal desta quarta-feira (8). O fenômeno trouxe uma pausa na transição do período chuvoso para o período seco, que havia oferecido uma trégua nos dias de chuva intensa com sol e calor.

De acordo com a Defesa Civil de Belo Horizonte, em apenas uma hora, choveu cerca de 42 mm na Região Centro-Sul, enquanto a média climatológica para o mês de abril é 82,3 mm, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A região foi a mais chuvosa da capital mineira, com diferenças brutais com outras localidades que registraram chuva, como o Hipercentro (9mm), a Oeste (1,8 mm), a Leste (1,8 mm) e Venda Nova (1,2 mm).

Com o temporal desta quarta-feira (8), a Região Centro-Sul superou o volume esperado para todo o mês de abril, com cerca de 111,2 mm (135,1%). A Região do Barreiro, por outro lado, está bem próxima de atingir o mesmo marco, com 76,2 mm (92,6%). A Região da Pampulha também registrou volumes expressivos nos primeiros 8 dias do mês, com 63,6 mm (77%).

Em geral, todas as outras regiões de Belo Horizonte registraram quase metade da média climatológica do mês de abril apenas nos primeiros 8 dias. Veja abaixo a listagem completa divulgada pela Defesa Civil de Belo Horizonte com base nas Estações Hidrometeorológicas PBH:

  • Barreiro: 76,2 (92,6%)
  • Centro Sul: 111,2 (135,1%)
  • Hipercentro: 58,4 (71,0%)
  • Leste: 37,0 (45,0%)
  • Nordeste: 40,4 (49,1%)
  • Noroeste: 33,6 (40,8%)
  • Norte: 40,0 (48,6%)
  • Oeste: 61,6 (74,8%)
  • Pampulha: 63,6 (77,3%)
  • Venda Nova: 39,0 (47,4%)

 

Leia também: MG enfrenta luto e desafios climáticos após recorde de mortes pelas chuvas

A chuva intensa provocou estragos na capital mineira, com registros de alagamentos, queda de árvores e carros arrastados. No bairro Santa Efigênia, na escola da Rua dos Otoni com Romano Stochiero, o alto volume de água em pouco tempo alagou um carro e uma casa.

Em entrevista à Itatiaia, Ana Letícia Lopes contou que estava saindo do trabalho quando viu que o seu veículo havia sido arrastado pela enxurrada. “O carro se moveu sozinho e chegou água até a altura do volante dentro do carro. Eu vi - a chuva - de dentro do escritório, mas quando eu cheguei aqui já tinha meia hora que a chuva já tinha terminado e continuou com essa água toda lá dentro do carro”, contou.
À reportagem, Ana Letícia disse nunca ter visto tanta chuva na Região Centro-Sul. Na mesma rua, Sônia Kate disse à Itatiaia que perdeu o fogão, a geladeira, a cama e outros móveis após a água entrar dentro da casa dela. A moradora disse nunca ter visto nada parecido em dez anos vivendo no local.

“Eu tô desesperada, já chorei demais e tô com muito medo por mim, por meu filho... vai a hora de madrugada, você tá dormindo e acontece uma coisa dessa de novo”, afirmou. “Eu moro no primeiro andar e encheu tudo de água, eu simplesmente perdi tudo, perdi as camas, moram cinco pessoas aqui, perdi fogão, geladeira, sofá, você pode olhar tudo ali, tá tudo perdido”, continuou.

No hospital João XXIII (HJXXIII), também na Região Centro-Sul, o alto volume de chuva provocou pontos de vazamentos no setor de imaginologia. A água alagou corredores e escorreu sobre equipamentos e materiais. Imagens obtidas pela Itatiaia mostram o desespero dos profissionais que trabalhavam no momento.

Na esquina da Rua Manaus com Padre Rolim, no bairro Funcionários, o asfalto foi destruído pela chuva. No local, cerca de duas árvores de grande porte caíram. Ao todo, pelo menos 16 árvores caíram em Belo Horizonte em meio à chuva, sendo que cinco foram sobre veículos e outras 11 foram sobre via pública.

Uma árvore, por exemplo, caiu sobre o veículo em que um motorista transportava dois passageiros na Rua Professor Estêvão Pinto, próximo ao Hospital Life Center, no Bairro Serra, Região Centro-Sul da capital mineira. Com a queda, a rede elétrica foi junto. Na mesma região, outra árvore caiu em cima do ponto de ônibus localizado em frente à faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, na Avenida João Pinheiro.

Regiões de MG na rota do ciclone extratropical

Apesar do período chuvoso ter terminado no fim de março, algumas regiões de Minas Gerais sentem os efeitos do primeiro ciclone extratropical do outono nesta quarta-feira (7). O fenômeno promete trazer uma frente fria associada e trazer mudanças no tempo até quinta-feira (8). Diante dos riscos, o chefe do Centro de Inteligência em Defesa Civil, o tenente Farley Antunes Gusmão, alertou para a importância da população adotar medidas de prevenção.

A previsão indica chance de pancadas de chuva fortes no Sul de Minas, Triângulo Mineiro, Vale do Rio Doce, Zona da Mata e também na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na quinta-feira (8), a chuva continua e pode atingir várias regiões do estado. Os acumulados podem chegar entre 50 e 70 mm, com possibilidade de temporais localizados.

De acordo com a Defesa Civil, outra situação que exige atenção são as rajadas de vento, que podem ficar entre 70 e 80 km/h, principalmente durante as chuvas mais intensas. A situação deve normalizar antes do fim de semana, na sexta-feira (9) o ciclone já estará afastado no oceano e o risco de ventos fortes diminui em Minas e no Sudeste.

Veja as recomendações do órgão durante o temporal

  • Evite sair de locais seguros enquanto a chuva estiver forte;
  • Fique atenta ao nível da água em ruas, córregos e rios;
  • Nunca atravesse áreas alagadas, seja a pé ou de carro;
  • Evite locais como pontes, passagens baixas e avenidas de fundos de vale;
  • Não deixe crianças brincarem na chuva ou em enxurradas;
  • Nunca se abrigue debaixo de árvores durante tempestades;
  • Procure abrigo em locais seguros;
  • Desconecte aparelhos elétricos da tomada para evitar acidentes.
Por

Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo