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Professores votam pela manutenção da greve e ocupam secretaria em BH

Movimento se estende há 37 dias e reivindica por reajuste salarial, além de questionar aumento da terceirização na rede municipal; profissionais também pedem reposição das aulas perdidas e corte do ponto

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Professores votam pela manutenção da greve e ocupam secretaria em BH • Divulgação / Sinde-rede

Os profissionais da educação de Belo Horizonte, capital mineira, votaram, nesta terça-feira (2), pela manutenção da greve que se estende há 37 dias em reivindicações por reajuste salarial e pelo fim da terceirização na rede municipal. Agora, a classe também pede pela reposição das aulas perdidas e do corte de ponto. Ainda nesta terça (2), o movimento ocupou a Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão (SMPOG), na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, e pediu uma abertura imediata das negociações com o governo municipal.

"Tem um grupo de pessoas, que é uma comissão, que vieram o exigir, que está sitiada dentro da Secretaria de Planejamento, e o restante da categoria mais de 500 pessoas estão do lado aqui de fora", explicou a diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Municipal, Carol Pasqualini.

A categoria alegou, ainda, que a administração municipal cortou os salários dos trabalhadores em greve e recusou a garantia da reposição dos dias parados na educação infantil.

"Para o Comando de Greve, essa postura agrava ainda mais o conflito e prejudica toda a comunidade escolar. A negativa em assegurar a reposição das atividades compromete o direito dos estudantes à educação, previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), e pode prolongar desnecessariamente a paralisação", afirmou a classe em nota.

A Itatiaia entrou em contato com a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e aguarda retorno.

Entenda o movimento

A greve dos profissionais da educação de Belo Horizonte, capital mineira, completa um mês nesta quarta-feira (27) com impasses entre administração municipal e professores. Enquanto a prefeitura alega que já atendeu a maior parte das pautas prioritárias, a categoria reforça que o principal ainda não foi cumprido.

Após decidirem pela continuidade da greve mesmo após novas promessas da Secretaria Municipal de Educação, a classe marcou uma nova assembleia para esta quinta-feira (28). Os professores alegam que a pauta de reivindicações conta com 78 itens e foi construída em conjunto pela categoria.

O executivo, por outro lado, prometeu cumprir sete dos oito pontos prioritários da categoria, mas negou atender pedidos relacionados ao reajuste salarial e à contratação dos trabalhadores terceirizados por meio das Organizações da Sociedade Civil (OSCs).

De acordo com a prefeitura, o reajuste proposto para os profissionais chegou a 6,61%, sendo 2,4% concedidos em fevereiro e 4,11% a partir de 1º de maio, data-base para o reajuste salarial do funcionalismo municipal. “O índice supera o aumento proposto para o piso nacional do magistério, que para este ano é de 5,4%”, afirmam.

A alegação é questionada pelo sindicato, que pede o pagamento integral do Piso no primeiro nível da carreira, com 5,4% + 15% retroativo a janeiro. “Ao contrário do que a SMED tenta sugerir à opinião pública, a pauta foi oficialmente aprovada e entregue ao governo municipal no dia 12 de março de 2026”, escreveu.

Movimento teve início no fim de abril

O movimento grevista teve início no dia 27 de abril. Uma semana antes, no dia 16 de abril, a classe havia se reunido em uma assembleia e votou pelo indicativo de greve. A paralisação faz parte da Campanha Salarial 2026, mas também denuncia a falta de professores, a sobrecarga do trabalho, o corte de verbas e o aumento da terceirização na rede municipal.

Desde então, o Executivo anunciou que atenderia algumas das pautas da categoria, chegando à oferta atual de sete pontos principais.

Veja abaixo os pontos atendidos pela PBH

  • Comitê de transição: criação de um comitê para acompanhar a transição dos profissionais terceirizados da Educação.
  • Lei Orgânica: encaminhamento de proposta de alteração na Lei Orgânica do Município de Belo Horizonte (LOMBH), reforçando a proibição da substituição de professores da - Educação Infantil por monitores ou profissionais de outras categorias.
  • Progressão funcional: avanço de dois níveis na carreira para servidores com mestrado e doutorado, para aqueles que anteriormente tiveram apenas um nível concedido.
  • Transparência de vagas: divulgação trimestral do quadro de vagas da Educação, acompanhada de debate sobre os critérios relacionados aos cargos vagos.
  • Caixas escolares: elaboração de norma para padronizar o uso dos recursos financeiros das caixas escolares.
    Profissionais especializados: abertura de discussão sobre o modelo de contratação e as diretrizes de atuação de psicólogos e assistentes sociais vinculados à rede municipal de ensino.
  • Jornada docente: possibilidade de cumprimento de um terço da jornada em casa, referente ao planejamento das aulas, para os professores da educação infantil.

A oferta atual foi negada pela classe, que insiste pelo cumprimento dos pontos relacionados ao reajuste salarial e à contratação dos trabalhadores terceirizados por meio das Organizações da Sociedade Civil (OSCs), além da reposição dos dias perdidos e do corte do ponto.

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Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo