Polícia Civil considera morte da jovem Beatriz Vitória como feminicídio
O corpo de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, foi encontrado em uma área de mata em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte nessa quarta-feira (21)

Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (22), a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que a morte de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, está sendo considerada como feminicídio. O corpo da jovem foi encontrado em uma área de mata em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, nessa quarta-feira (21), dias após ela ser dada como desaparecida. Também nesta quarta, o ex-namorado de Beatriz Vitória e a atual companheira dele foram presos em flagrante suspeitos de terem matado e ocultado o corpo da jovem.
“Estamos falando de um feminicídio. É feminicídio. E o mais impactante disso é que o feminicídio foi praticado pelo ex-namorado e por uma outra mulher. Estamos falando de um feminicídio praticado também por uma mulher”, afirmou o delegado Júlio Wilke.
O ex-namorado de Beatriz Vitória, Samuel Castro Melo, de 18 anos, e a atual namorada dele, Carla Luiza da Silva, de 23, foram presos em flagrante nessa quarta-feira (21). Eles podem responder por feminicídio e ocultação de cadáver, além de outros crimes que possam ser identificados no decorrer da investigação, que continua.
Segundo o delegado Alexandre Fonseca, a vítima foi encontrada com as mãos e os pés amarrados, o que pode ser o indicativo de que outros crimes, como tortura, foram praticados.
Beatriz estava desaparecida desde 9 de outubro, quando foi vista pela última vez em um bar no bairro Bom Jesus, em Jaboticatubas. O corpo dela foi encontrado nessa quarta-feira (21) após a Polícia Civil receber o relato de uma adolescente, de 15 anos, sobre onde o corpo estava enterrado.
Como a polícia chegou aos suspeitos?
Durante as investigações, Samuel e Carla foram identificados como suspeitos. De acordo com o boletim de ocorrência, os dois já haviam prestado depoimento na Delegacia de Polícia Civil de Jaboticatubas e negado envolvimento no desaparecimento.
A investigação avançou após policiais da Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida (DRPD), em Belo Horizonte, receberem informações de que uma adolescente de 15 anos poderia saber o que havia acontecido com Beatriz. A equipe foi até Jaboticatubas e conversou com a adolescente na presença do pai dela. Conforme o registro policial, a jovem relatou que estava em casa quando recebeu uma mensagem de Carla, informando que iria buscá-la acompanhada de Samuel.
Segundo o relato da adolescente à polícia, os dois chegaram em um Volkswagen Up branco, que seria de propriedade do pai de Samuel. Ela entrou no veículo e, posteriormente, Beatriz também foi chamada para acompanhá-los. A adolescente contou que Samuel dirigia, Carla estava no banco do passageiro e ela ocupava o banco traseiro. Beatriz entrou no carro e se sentou ao lado dela.
De acordo com o depoimento registrado no boletim, o grupo deixou o local e seguiu em direção à MG-020. Depois de aproximadamente 20 minutos de percurso, Samuel entrou em uma estrada de terra no sentido da região conhecida como Cachoeira Palmeiras. Ainda segundo a adolescente, o veículo percorreu cerca de cinco quilômetros até chegar a uma área de lotes vagos conhecida como Terra dos Portugueses.
O que a testemunha relatou sobre o local?
Conforme o boletim de ocorrência, a adolescente afirmou que Samuel estacionou o veículo dentro de um lote, abriu o porta-malas e retirou objetos que ela não conseguiu identificar. Em seguida, segundo o relato, Carla e Beatriz acompanharam Samuel para uma área mais distante, fora do campo de visão da adolescente.
A jovem disse que esperou entre 30 minutos e uma hora até que os dois retornassem ao veículo, mas Beatriz não voltou com eles. No caminho de volta, de acordo com o depoimento registrado pela polícia, Samuel permaneceu em silêncio e Carla apresentou um comportamento que a adolescente considerou suspeito. Ela afirmou que passou a acreditar que algo grave havia acontecido com Beatriz.
A adolescente indicou aos investigadores o local onde o carro teria ficado estacionado. O pai dela a acompanhou durante o deslocamento.
Como Samuel e Carla foram presos?
Após o relato da adolescente e a localização da cova, a Polícia Civil desencadeou uma operação para prender os suspeitos. Conforme o boletim de ocorrência, os investigadores receberam informações de que Samuel e Carla estariam na casa dela, em Jaboticatubas. A equipe foi até o endereço e encontrou o casal dentro da residência.
O que diz a defesa dos suspeitos?
A advogada Tatiany Barbosa, responsável pela defesa de Carla, afirmou à Itatiaia que orientou a cliente a exercer o direito constitucional ao silêncio. “Como defesa, eu não posso falar muito no momento. Até porque escolhi para minha cliente manter o direito ao silêncio, o direito dela constitucional, para que todos os fatos sejam esclarecidos”, declarou. A advogada também afirmou que Carla nega os fatos e ressaltou que a cliente tem direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência. “Tudo será esclarecido durante a instrução processual”, acrescentou.
O advogado de Samuel, Dracon Cavalcante, afirmou que, se o jovem teve participação no crime, foi sem saber o que estava acontecendo. Em entrevista à Itatiaia, o advogado afirmou que o suspeito havia marcado de sair com uma menina de 15 anos no dia em que o crime ocorreu. Ainda segundo a defesa, a adolescente tinha um desentendimento com Beatriz Vitória.
“Eles estavam saindo de um bar para ir para um lugar para ficarem sozinhos apenas os dois. Nesse caminho, nesse trajeto, encontrou com essa Beatriz. Ela pediu para o Samuel parar o carro. Ele parou o carro e ela agarrou a Beatriz e colocou dentro do carro”, disse. Ainda segundo o advogado, a adolescente pediu para o suspeito parar em um determinado local, onde teria saído com Beatriz.
“Ele parou e elas começaram a discutir as duas. Ele falou bem claro no depoimento dele, que não entraria nessa, porque o BO não era dele. Virou as costas e entrou no carro. Ela entrou sozinha e ele perguntou: ‘O que que aconteceu? Cadê a menina? E ela falou assim: "Ah, ela vai sozinha depois’. E aí, ele pensou que ela tinha batido nessa Beatriz e foi embora”, afirmou.
O jovem nega, ainda, a participação de Carla Luiza da Silva no crime.
Jornalista pela PUC Minas. Na Itatiaia, escreve para Minas Gerais e Brasil. Anteriormente, trabalhou no jornal Estado de Minas como repórter de Gerais, com contribuições para os cadernos de Política, Economia e Diversidade.
Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.
Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.





