Advogado de suspeito de matar jovem na Grande BH rebate versão da polícia
Corpo de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, foi encontrado pela Polícia Civil em uma área de vegetação em Jaboticatubas, na Grande BH, na tarde desta quarta-feira (21)

O advogado de Samuel Castro Melo, de 18 anos, suspeito de matar Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27, afirmou que, se o jovem teve participação no crime, foi sem saber o que estava acontecendo. O corpo da vítima foi encontrado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) em uma área de vegetação em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, na tarde desta quarta-feira (21).
Em entrevista à Itatiaia, o advogado Dracon Cavalcante contou que o suspeito havia marcado de sair com uma menina de 15 anos no dia em que o crime ocorreu. Ainda segundo a defesa, a adolescente tinha um desentendimento com Beatriz Vitória.
“Eles estavam saindo de um bar para ir para um lugar para ficarem sozinhos apenas os dois. Nesse caminho, nesse trajeto, encontrou com essa Beatriz. Ela pediu para o Samuel parar o carro. Ele parou o carro e ela agarrou a Beatriz e colocou dentro do carro”, disse.
Ainda segundo o advogado, a adolescente pediu para o suspeito parar em um determinado local, onde teria saído com Beatriz.
“Ele parou e elas começaram a discutir as duas. Ele falou bem claro no depoimento dele, que não entraria nessa, porque o BO não era dele. Virou as costas e entrou no carro. Ela entrou sozinha e ele perguntou: ‘O que que aconteceu? Cadê a menina? E ela falou assim: "Ah, ela vai sozinha depois’. E aí, ele pensou que ela tinha batido nessa Beatriz e foi embora”, explicou.
O jovem nega, ainda, a participação de Carla Luiza da Silva, de 23 anos, no crime. A mulher foi presa nesta quarta-feira (21) depois que o corpo da vítima foi encontrado. Segundo o advogado Dracon Cavalcante, Carla seria namorada de Samuel e moraria com ele. A advogada da suspeita de participar do assassinato de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota orientou a cliente a "manter o direito ao silêncio".
"Como defesa, eu não posso falar muito no momento. Até porque escolhi para minha cliente manter o direito ao silêncio, o direito dela constitucional, para que todos os fatos sejam esclarecidos. Ela terá o direito ao contraditório, à ampla defesa e o direito à presunção de inocência. Até então, ela nega os fatos. Nós optamos por ela manter o silêncio. E tudo será esclarecido durante a instrução processual", detalhou Tatiany.
Qual a versão da Polícia Civil sobre o crime?
Beatriz estava desaparecida desde 9 de outubro, quando foi vista pela última vez em um bar no bairro Bom Jesus, em Jaboticatubas. O caso mobilizou familiares, amigos e equipes da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), que realizaram buscas e apuraram informações sobre as circunstâncias do desaparecimento.
Segundo o boletim de ocorrência, uma adolescente de 15 anos relatou à polícia que esteve com o casal no dia em que Beatriz desapareceu e indicou o local onde o corpo estaria enterrado. A perícia encontrou a vítima em uma cova, com as mãos amarradas para trás por um pedaço de arame. A causa da morte ainda depende de laudo médico-legal. A defesa de Carla afirma que ela nega os fatos e que exercerá o direito ao silêncio durante os procedimentos policiais.
Como Beatriz Vitória desapareceu?
Beatriz foi vista pela última vez na noite de sexta-feira, 9 de outubro, após sair de um bar no bairro Bom Jesus, em Jaboticatubas. Segundo a irmã dela, Geovana Luiza, a jovem estava com amigos quando disse que iria conversar com pessoas que estavam em um carro. “Ela estava com os meninos no bar e ela falou com eles: ‘Vou ali conversar no carro, se eu não voltar em cinco minutos, vocês vão atrás de mim’. Acabou que ela não voltou, ele foi, mas o carro já tinha sumido com ela”, relatou Geovana à Itatiaia.
Na ocasião, familiares informaram que Beatriz havia entrado em um veículo prata. Inicialmente, o automóvel foi descrito pela família como um Fiat Palio. A irmã também afirmou que Beatriz teria recebido ameaças da atual namorada do ex-companheiro. Segundo relatos de familiares, o relacionamento anterior da jovem teria sido marcado por conflitos e possíveis episódios de agressão.
Nos primeiros dias após o desaparecimento, parentes e amigos se mobilizaram para procurar a jovem. A Polícia Civil também realizou diligências em diferentes regiões do município e analisou informações que pudessem ajudar a esclarecer o caso.
Como a polícia chegou aos suspeitos?
Durante as investigações, Samuel, ex-namorado de Beatriz, e Carla, atual companheira dele, foram identificados como suspeitos. De acordo com o boletim de ocorrência, os dois já haviam prestado depoimento na Delegacia de Polícia Civil de Jaboticatubas e negado envolvimento no desaparecimento.
A investigação avançou após policiais da Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida (DRPD), em Belo Horizonte, receberem informações de que uma adolescente de 15 anos poderia saber o que havia acontecido com Beatriz. A equipe foi até Jaboticatubas e conversou com a adolescente na presença do pai dela. Conforme o registro policial, a jovem relatou que estava em casa quando recebeu uma mensagem de Carla, informando que iria buscá-la acompanhada de Samuel.
Segundo o relato da adolescente à polícia, os dois chegaram em um Volkswagen Up branco, que seria de propriedade do pai de Samuel. Ela entrou no veículo e, posteriormente, Beatriz também foi chamada para acompanhá-los. A adolescente contou que Samuel dirigia, Carla estava no banco do passageiro e ela ocupava o banco traseiro. Beatriz entrou no carro e se sentou ao lado dela.
De acordo com o depoimento registrado no boletim, o grupo deixou o local e seguiu em direção à MG-020. Depois de aproximadamente 20 minutos de percurso, Samuel entrou em uma estrada de terra no sentido da região conhecida como Cachoeira Palmeiras. Ainda segundo a adolescente, o veículo percorreu cerca de cinco quilômetros até chegar a uma área de lotes vagos conhecida como Terra dos Portugueses.
O que a testemunha relatou sobre o local?
Conforme o boletim de ocorrência, a adolescente afirmou que Samuel estacionou o veículo dentro de um lote, abriu o porta-malas e retirou objetos que ela não conseguiu identificar. Em seguida, segundo o relato, Carla e Beatriz acompanharam Samuel para uma área mais distante, fora do campo de visão da adolescente.
A jovem disse que esperou entre 30 minutos e uma hora até que os dois retornassem ao veículo, mas Beatriz não voltou com eles. No caminho de volta, de acordo com o depoimento registrado pela polícia, Samuel permaneceu em silêncio e Carla apresentou um comportamento que a adolescente considerou suspeito. Ela afirmou que passou a acreditar que algo grave havia acontecido com Beatriz.
A adolescente indicou aos investigadores o local onde o carro teria ficado estacionado. O pai dela a acompanhou durante o deslocamento.
Como o corpo foi encontrado?
Após chegar à região indicada pela adolescente, a equipe da Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida iniciou buscas em uma extensa área de lotes vagos. Segundo o boletim de ocorrência, um investigador localizou uma cova com terra aparentemente remexida recentemente e presença de moscas. Ao verificar o local, os policiais encontraram indícios de que o corpo estaria enterrado ali.
A perícia foi acionada e realizou os procedimentos necessários. O corpo foi retirado da cova e encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), em Belo Horizonte. De acordo com o boletim, Beatriz estava com as mãos amarradas para trás por um pedaço de arame. Um irmão da jovem reconheceu uma tatuagem fotografada no corpo e afirmou que ela pertencia à vítima.
Nas proximidades da cova, os policiais também encontraram um chinelo que seria usado por Beatriz e uma capa de celular, sem o aparelho. O registro policial aponta ainda que uma embalagem de soda cáustica foi encontrada na região. Segundo a hipótese descrita no boletim, o produto teria sido utilizado para acelerar a decomposição do corpo. Essa informação deverá ser considerada no conjunto das apurações periciais.
Um pedaço de tijolo com uma possível marca de sangue também foi recolhido para análise. A causa da morte não havia sido esclarecida até a divulgação das primeiras informações sobre a localização do corpo. O resultado do exame médico-legal deverá contribuir para determinar as circunstâncias da morte.
Como Samuel e Carla foram presos?
Após o relato da adolescente e a localização da cova, a Polícia Civil desencadeou uma operação para prender os suspeitos. Conforme o boletim de ocorrência, os investigadores receberam informações de que Samuel e Carla estariam na casa dela, em Jaboticatubas. A equipe foi até o endereço e encontrou o casal dentro da residência.
Depois da abordagem, os investigadores retornaram ao local onde o corpo havia sido encontrado. Samuel e Carla foram conduzidos à unidade especializada da Polícia Civil para os procedimentos de flagrante. Os celulares dos envolvidos foram apreendidos para auxiliar nas investigações. Segundo o boletim, as senhas dos aparelhos foram fornecidas aos policiais.
A polícia também informou que o Volkswagen Up branco mencionado no relato da adolescente ainda não havia sido localizado pela equipe responsável pelo registro da ocorrência. As diligências para encontrar o veículo continuavam.
Formado em jornalismo pela PUC Minas, foi produtor do Itatiaia Patrulha e hoje é repórter policial e de cidades na Itatiaia. Também passou pelo caderno de política e economia do Jornal Estado de Minas.
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo
Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.
Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) e pós-graduado em Jornalismo nos Ambientes Digitais pela mesma instituição. Possui experiência como repórter, produtor e coordenador de telejornal.






