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Desaparecimento, investigação e prisão: o que se sabe sobre a morte de Beatriz Vitória na Grande BH

Desaparecimento da jovem em Jaboticatubas mobilizou a Polícia Civil, que encontrou o corpo enterrado e prendeu o ex-namorado dela e a atual companheira dele, suspeitos do crime

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Os investigados são o ex-namorado da vítima Samuel Castro Melo, de 18 anos, e a atual namorada dele Carla Luza da Silva, de 23
Os investigados são o ex-namorado da vítima Samuel Castro Melo, de 18 anos, e a atual namorada dele Carla Luza da Silva, de 23 • Imagens cedidas à Itatiaia

A investigação sobre o desaparecimento de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, terminou com a localização do corpo da jovem em uma área de lotes vagos em Jaboticatubas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, nesta quarta-feira (21). O ex-namorado dela, Samuel Castro Melo, de 18 anos, e a atual namorada dele, Carla Luiza da Silva, de 23, foram presos suspeitos de participação no crime.

Beatriz estava desaparecida desde 9 de outubro, quando foi vista pela última vez em um bar no bairro Bom Jesus, em Jaboticatubas. O caso mobilizou familiares, amigos e equipes da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), que realizaram buscas e apuraram informações sobre as circunstâncias do desaparecimento.

Segundo o boletim de ocorrência, uma adolescente de 15 anos relatou à polícia que esteve com o casal no dia em que Beatriz desapareceu e indicou o local onde o corpo estaria enterrado. A perícia encontrou a vítima em uma cova, com as mãos amarradas para trás por um pedaço de arame. A causa da morte ainda depende de laudo médico-legal. A defesa de Carla afirma que ela nega os fatos e que exercerá o direito ao silêncio durante os procedimentos policiais.

Como Beatriz Vitória desapareceu?

Beatriz foi vista pela última vez na noite de sexta-feira, 9 de outubro, após sair de um bar no bairro Bom Jesus, em Jaboticatubas. Segundo a irmã dela, Geovana Luiza, a jovem estava com amigos quando disse que iria conversar com pessoas que estavam em um carro. “Ela estava com os meninos no bar e ela falou com eles: ‘Vou ali conversar no carro, se eu não voltar em cinco minutos, vocês vão atrás de mim’. Acabou que ela não voltou, ele foi, mas o carro já tinha sumido com ela”, relatou Geovana à Itatiaia.

Na ocasião, familiares informaram que Beatriz havia entrado em um veículo prata. Inicialmente, o automóvel foi descrito pela família como um Fiat Palio. A irmã também afirmou que Beatriz teria recebido ameaças da atual namorada do ex-companheiro. Segundo relatos de familiares, o relacionamento anterior da jovem teria sido marcado por conflitos e possíveis episódios de agressão.

Nos primeiros dias após o desaparecimento, parentes e amigos se mobilizaram para procurar a jovem. A Polícia Civil também realizou diligências em diferentes regiões do município e analisou informações que pudessem ajudar a esclarecer o caso.

Como a polícia chegou aos suspeitos?

Durante as investigações, Samuel, ex-namorado de Beatriz, e Carla, atual companheira dele, foram identificados como suspeitos. De acordo com o boletim de ocorrência, os dois já haviam prestado depoimento na Delegacia de Polícia Civil de Jaboticatubas e negado envolvimento no desaparecimento.

A investigação avançou após policiais da Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida (DRPD), em Belo Horizonte, receberem informações de que uma adolescente de 15 anos poderia saber o que havia acontecido com Beatriz. A equipe foi até Jaboticatubas e conversou com a adolescente na presença do pai dela. Conforme o registro policial, a jovem relatou que estava em casa quando recebeu uma mensagem de Carla, informando que iria buscá-la acompanhada de Samuel.

Segundo o relato da adolescente à polícia, os dois chegaram em um Volkswagen Up branco, que seria de propriedade do pai de Samuel. Ela entrou no veículo e, posteriormente, Beatriz também foi chamada para acompanhá-los. A adolescente contou que Samuel dirigia, Carla estava no banco do passageiro e ela ocupava o banco traseiro. Beatriz entrou no carro e se sentou ao lado dela.

De acordo com o depoimento registrado no boletim, o grupo deixou o local e seguiu em direção à MG-020. Depois de aproximadamente 20 minutos de percurso, Samuel entrou em uma estrada de terra no sentido da região conhecida como Cachoeira Palmeiras. Ainda segundo a adolescente, o veículo percorreu cerca de cinco quilômetros até chegar a uma área de lotes vagos conhecida como Terra dos Portugueses.

O que a testemunha relatou sobre o local?

Conforme o boletim de ocorrência, a adolescente afirmou que Samuel estacionou o veículo dentro de um lote, abriu o porta-malas e retirou objetos que ela não conseguiu identificar. Em seguida, segundo o relato, Carla e Beatriz acompanharam Samuel para uma área mais distante, fora do campo de visão da adolescente.

A jovem disse que esperou entre 30 minutos e uma hora até que os dois retornassem ao veículo, mas Beatriz não voltou com eles. No caminho de volta, de acordo com o depoimento registrado pela polícia, Samuel permaneceu em silêncio e Carla apresentou um comportamento que a adolescente considerou suspeito. Ela afirmou que passou a acreditar que algo grave havia acontecido com Beatriz.

A adolescente indicou aos investigadores o local onde o carro teria ficado estacionado. O pai dela a acompanhou durante o deslocamento.

Como o corpo foi encontrado?

Após chegar à região indicada pela adolescente, a equipe da Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida iniciou buscas em uma extensa área de lotes vagos. Segundo o boletim de ocorrência, um investigador localizou uma cova com terra aparentemente remexida recentemente e presença de moscas. Ao verificar o local, os policiais encontraram indícios de que o corpo estaria enterrado ali.

A perícia foi acionada e realizou os procedimentos necessários. O corpo foi retirado da cova e encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), em Belo Horizonte. De acordo com o boletim, Beatriz estava com as mãos amarradas para trás por um pedaço de arame. Um irmão da jovem reconheceu uma tatuagem fotografada no corpo e afirmou que ela pertencia à vítima.

Nas proximidades da cova, os policiais também encontraram um chinelo que seria usado por Beatriz e uma capa de celular, sem o aparelho. O registro policial aponta ainda que uma embalagem de soda cáustica foi encontrada na região. Segundo a hipótese descrita no boletim, o produto teria sido utilizado para acelerar a decomposição do corpo. Essa informação deverá ser considerada no conjunto das apurações periciais.

Um pedaço de tijolo com uma possível marca de sangue também foi recolhido para análise. A causa da morte não havia sido esclarecida até a divulgação das primeiras informações sobre a localização do corpo. O resultado do exame médico-legal deverá contribuir para determinar as circunstâncias da morte.

Como Samuel e Carla foram presos?

Após o relato da adolescente e a localização da cova, a Polícia Civil desencadeou uma operação para prender os suspeitos. Conforme o boletim de ocorrência, os investigadores receberam informações de que Samuel e Carla estariam na casa dela, em Jaboticatubas. A equipe foi até o endereço e encontrou o casal dentro da residência.

O registro policial afirma que, ao serem informados sobre a prisão, os dois inicialmente reconheceram envolvimento nos fatos e disseram que prestariam esclarecimentos. Essa informação consta no relato dos policiais e deverá ser confrontada com os demais elementos da investigação.

Depois da abordagem, os investigadores retornaram ao local onde o corpo havia sido encontrado. Samuel e Carla foram conduzidos à unidade especializada da Polícia Civil para os procedimentos de flagrante. Os celulares dos envolvidos foram apreendidos para auxiliar nas investigações. Segundo o boletim, as senhas dos aparelhos foram fornecidas aos policiais.

A polícia também informou que o Volkswagen Up branco mencionado no relato da adolescente ainda não havia sido localizado pela equipe responsável pelo registro da ocorrência. As diligências para encontrar o veículo continuavam.

O que diz a defesa dos suspeitos?

A advogada Tatiany Barbosa, responsável pela defesa de Carla, afirmou à Itatiaia que orientou a cliente a exercer o direito constitucional ao silêncio. “Como defesa, eu não posso falar muito no momento. Até porque escolhi para minha cliente manter o direito ao silêncio, o direito dela constitucional, para que todos os fatos sejam esclarecidos”, declarou.

A advogada também afirmou que Carla nega os fatos e ressaltou que a cliente tem direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência. “Tudo será esclarecido durante a instrução processual”, acrescentou. Samuel e Carla foram levados à Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida, em Belo Horizonte, para serem ouvidos pela Polícia Civil.

O que falta esclarecer?

A Polícia Civil ainda precisa esclarecer a motivação do crime e a dinâmica da morte de Beatriz. A causa da morte depende do laudo médico-legal, enquanto os materiais recolhidos na área onde o corpo foi encontrado serão submetidos a exames periciais.

A investigação também deverá apurar a participação individual de cada suspeito, confrontando os relatos colhidos, os vestígios encontrados e os dados dos celulares apreendidos. A Polícia Civil informou que apresentaria novos detalhes sobre o caso em uma coletiva de imprensa prevista para esta quinta-feira (22).

Enquanto as investigações prosseguem, Samuel e Carla são tratados como suspeitos, e a responsabilidade criminal de cada um deverá ser apurada pelas autoridades competentes.

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Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.

 

 

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