Petiscos contaminados: polícia cumpre mandados de busca e apreensão em empresas de Minas Gerais e São Paulo
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Belo Horizonte, Contagem e Barueri, em São Paulo

A Polícia Civil (PC) cumpriu, na última quarta-feira (1º), três mandados de busca e apreensão em empresas que fabricam insumos para petiscos em Belo Horizonte, Contagem e Barueri, em São Paulo. A ação ocorre após contaminação de lotes de propilenoglicol - insumo usado na preparação do petisco - com monoetilenoglicol, e cães morrerem intoxicados em várias cidades do país.
À Itatiaia, a Polícia Civil explicou, por meio de nota, que o inquérito foi concluído e remetido à Justiça. Neste momento, conforme a instituição, apenas essas informações poderão ser divulgadas. O nome das empresas, que são alvos da ação, não foi revelado.
“Foram cumpridos, nesta quarta-feira (1/3), três mandados de busca e apreensão em empresas alvos da investigação em Belo Horizonte, Contagem e Barueri, em São Paulo. A medida cautelar foi deferida pelo Poder Judiciário no bojo do Inquérito concluído pela Polícia Civil”, diz o texto.
A Bassar Pet Food, uma das empresas que comprou insumo contaminado, explicou, também em nota, que a Polícia Civil não esteve na sede da empresa, que fica em Guarulhos. “As diligências que a polícia está cumprindo estão sendo nos fornecedores de propilenoglicol, que forneceram insumo contaminado para pelo menos dez indústrias de alimentos no segmento pet”, esclareceu.
Mais informações sobre o caso serão, ainda, repassados pela Polícia Civil.
Entenda
A investigação teve início após tutores desconfiarem da morte de dois cães e levarem corpos para serem periciados pela Escola Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Conforme laudo de necropsia, os animais morreram por "lesões renais graves" em decorrência de consumo de etilenoglicol. Na ocasião, os donos suspeitaram que a substância estava em petiscos.
Em setembro do ano passado, a Polícia Civil divulgou dados que confirmam a presença de monoetilenoglicol - mesmo que etilenoglicol - em um petisco recebido pela instituição de um dos tutores que registrou denúncia. Após a coletiva, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) determinou o fechamento da fábrica e recall de produtos.
No decorrer da investigações, os órgãos constataram que petiscos de outras marcas também foram contaminados por etilenoglicol, vendido pela empresa Tecnoclean.
No mês de novembro, quatro representantes da Tecnoclean foram indiciados pela Polícia Civil pela contaminação de petiscos que resultou, apenas no estado, na morte de pelo menos 14 cães. À época, a delegada Danubia Quadros explicou que a legislação entende o crime como hediondo e que os envolvidos podem pegar de 10 a 15 anos de reclusão, além de pagamento de multa.
Ainda de acordo com Danubia, o indiciamento não exclui “a responsabilidade (administrativa e cível) das demais empresas da cadeia produtiva até chegar ao consumidor final”. Porém, a parte criminal foi imputada apenas à Tecnoclean. Ao todo, foram investigadas cinco empresas.
“Foi apreendido um telefone com uma conversa que foi extraída de uma funcionária da Tecnoclean e do representante da A&D [ A&D Química Comércio Eireli - importador do produto]. Nessa conversa, via WhatsApp, o representante da A&D deixou claro para a pessoa da Tecnoclean que o seu produto não poderia ser vendido para o ramo alimentício, ou seja, para o consumo humano ou animal”, destacou a delegada.
Rótulos trocados
Além disso, a delegada também explicou que rótulos de monoetilenoglicol e propilenoglicol foram trocados. “Foi apurada também, durante as investigações, a incorreta identificação de rótulos. Desta conversa, via celular, a gente também extraiu o layout, a planta da empresa Tecnoclean, e identificou que o monoetilenoglicol e o propilenoglicol eram acondicionados em barris idênticos com cores semelhantes, um ao lado do outro à época dos fatos”, destacou.
A delegada disse, ainda, que o monoetilenoglicol é mais barato que o propilenoglicol. No entanto, o primeiro insumo citado é altamente tóxico se consumido em doses excessivas, já o segundo pode ser usado para produção de alimentos. “A gente acredita que tem viés econômico para uma finalidade imprópria”, afirmou à época.
Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‶NaTelinha” e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.
