Itatiaia

Passeio com cachorro vira confusão com spray de pimenta, cutelo e vizinha desfigurada em BH

Bancário afirma que o pai tentou se defender de agressões de vizinhos, mas acertou a vítima 'por acidente'. Ela teve a face desfigurada

Por e 
Viatura da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG)
Viatura da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) • Rômulo Ávila/Itatiaia

O bancário, de 33 anos, que se envolveu em uma briga com uma vizinha, de 55, por causa de um cachorro, na Rua Morro de São Paulo, no bairro Santa Cruz, na Região Nordeste de Belo Horizonte, alegou que agiu em legítima defesa. Segundo ele, no momento da discussão, seu pai, de 65, usou o cutelo com capa para atingir um rapaz desconhecido, só que a vizinha entrou na frente e sofreu o corte no rosto. Segundo o boletim de ocorrência, a vítima ficou com o lado direito da face "desfigurado".

O homem alegou morar no bairro desde abril e que, para que o animal não faça as necessidades dentro de casa, prefere passear com ele. "Só que eu sempre saio com sacola, inclusive tem filmagens de eu com sacola, catando cocô. E aí, como tem muitos cachorros de rua lá, os cachorros fazem cocô, e como eles me veem passeando, eles começaram a me acusar, uns dois meses atrás, não esse pessoal, outros vizinhos. Tanto é que até um mês para trás eu comecei a desviar do meu caminho, eu estava passeando com o cachorro em outra rua", disse.

Ele narra que, ao sair com o cachorro ontem, se deparou com os vizinhos bebendo em frente à casa deles, quando começou a ser provocado. "Até falei assim: 'Gente, vocês estão querendo briga por causa de cachorro, eu tô com a sacola, tá tudo aqui, eu cato'. E aí a moça, eu não conheço essa moça, tá? Assim, eu já vi ela lá algumas vezes, mas eu não conheço, não tenho contato. Mas ela já veio tacando spray de pimenta em mim e no meu pai."

Depois, segundo ele, um homem os ameaçou com um pedaço de pau. Foi neste momento que o bancário teria entrado em casa com o cachorro e pegado o cutelo. "Como eles me ameaçaram, eu peguei o cutelo, não tirei ele da capa que o cobre. Fiquei com ele na mão mais para me defender. Só que aí, como o cara veio para cima de mim, me batendo, o meu pai foi bater nele com o cutelo e ela entrou na frente. Foi isso que aconteceu."

"Inclusive, o cutelo, quando bateu, estava com a bainha. Se tiver filmagem lá, provavelmente tem, acho que tem câmeras. O pessoal falou que acertou. Na hora eu não vi. Não sabia que tinha acertado o rosto e eu até falei com o meu pai que era mais para a gente se defender, não era nem para usar, na verdade, mas acabou acontecendo isso", acrescentou.

O bancário conta ter um boletim de ocorrência registrado por ameaça por causa dos passeios com o cachorro, e que só agiu desta vez por se sentir "acuado". "Então eu peguei [o cutelo] para poder mostrar que eu estava ali com a minha defesa, entendeu?", disparou ele, alegando que a intenção não era matar o rapaz.

Os suspeitos admitiram ter bebido duas cervejas antes da confusão e disseram que os vizinhos é que estavam embriagados.

Vítima ficou com o rosto desfigurado

O boletim de ocorrência narra que a vítima ficou com o rosto desfigurado pelo golpe. O bancário defende que ela não era o alvo e que a intenção era apenas assustar o homem que tentava agredi-lo.

"Igual eu falei com o policial: foi legítima defesa, eles que começaram. A gente se defendeu. Aí ela deu falta de sorte de entrar na frente. Não sei se era parente dela. Então pegou nela, sabe? Mas não pegou com a lâmina. Isso eu tenho certeza porque ele estava com a bainha", contou.

O suspeito relatou estar arrependido. "Eu acho que a gente tem que pensar muito antes de fazer as coisas, mas na hora foi muito rápido. O pessoal veio para cima da gente e eu fiquei meio acuado. Na verdade, eu não tô entendendo nem o que está acontecendo, porque eu não sabia que ela tinha se machucado até o policial falar que ela se machucou. A confusão nem era com ela."

"Para mim, não houve tentativa de homicídio porque a gente se defendeu e ela entrou na frente. Porque se fosse para realmente fazer alguma coisa, eu acho que teria sido feito, né?", completou ele, que contou nunca ter sido preso.

"Sou bancário, trabalho em um banco. Pago minhas contas, moro há 10 anos em BH, nunca precisei passar por polícia nem nada. E aí, depois desses meses que eu mudei para lá, tem essas confusões por conta de cachorro", acrescentou o suspeito, que afirmou querer se desculpar com as vítimas. O caso está sendo investigado pela polícia.

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Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.

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Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‶NaTelinha” e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.

 

 

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