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Apagão de mão de obra: 60% das empresas têm dificuldade de contratar ou reter funcionários, diz estudo

Série especial 'Novos Caminhos do Trabalho' revela desafios e impactos da escassez de mão de obra em diversos setores da economia brasileira

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A Itatiaia lança, nesta segunda-feira (10), uma série especial intitulada 'Novos Caminhos do Trabalho', sobre as profundas mudanças ocorridas no mercado de trabalho brasileiro, especialmente após a pandemia de COVID-19. A primeira reportagem da série foca no chamado 'apagão de mão de obra' e seus impactos em diferentes setores econômicos.

Um estudo inédito realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas revela a magnitude do problema: seis em cada dez empresas no país enfrentam dificuldades para contratar ou reter funcionários. Este cenário reflete uma das mais significativas transformações no mercado de trabalho brasileiro dos últimos tempos.

Em Nova Serrana, município do centro-oeste mineiro, a situação é crítica. A cidade, com pouco mais de 100 mil habitantes, possui 15 mil vagas de emprego em aberto nos setores de comércio, serviços e indústria. Lilian Cardoso, proprietária de uma padaria há quase 30 anos, exemplifica o desafio: 'Estou entrando às quatro horas da manhã na padaria, ficando até as vinte horas. Não temos caixa, não tenho atendente, não tenho padeiro. Nós temos que suprir todo mundo'.

Estratégias para enfrentar o déficit

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Nova Serrana, Reinaldo Correia, destaca as ações para combater o problema: "Qualificar para ter uma produtividade melhor com o que a gente tem hoje no mercado. E a gente também tem alinhado com tanto legislativo como o executivo na questão que é o déficit habitacional".

No setor hoteleiro de Minas Gerais, a situação não é diferente. Há um déficit de 70 mil trabalhadores para vagas de arrumação, recepção e restaurante, entre outras. Martin Vansluis, consultor estratégico em hotelaria, explica algumas das medidas emergenciais adotadas: 'Nós temos, por exemplo, hotéis na Serra do Cipó que têm lá algumas comunidades que estão ali no entorno, pequenos distritos, cidades, e eu tenho aqui uma vaga para quinze dias ou para um mês para trabalho de camareira no meu hotel'.

A economista da Federação das Indústrias de Minas, Luisa Teixeira, aponta que a baixa taxa de desemprego também contribui para o cenário atual: 'Para o Brasil essa taxa foi de 6,4% e para Minas, 5%'.

A série 'Novos Caminhos do Trabalho' promete trazer mais insights sobre as transformações no mercado de trabalho brasileiro nos próximos dias, abordando temas como a formação de pessoas sem experiência por empresários em busca de mão de obra qualificada.

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