Mulher empurrada de penhasco pediu medida protetiva contra o ex cinco dias antes
Ana Cláudia relatou que Silvanildo estava perseguindo ela há cerca de quatro meses após o fim do relacionamento, em fevereiro deste ano

Um boletim de ocorrência obtido pela Itatiaia mostra que Ana Cláudia Rodrigues da Silva Souza, de 41 anos, pediu uma medida protetiva contra Silvanildo Amâncio de Araújo, de 52 anos cerca de cinco dias antes de ser empurrada pelo ex-companheiro de um penhasco na Serra do Rola-Moça, em Belo Horizonte.
De acordo com o boletim, Ana Cláudia procurou a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) no dia 20 de maio para pedir uma medida protetiva depois que Silvanildo começou a persegui-la, por não aceitar a separação do casal em fevereiro de 2026.
Segundo informações, os dois tiveram um relacionamento conturbado por cerca de 10 anos.
Silvanildo, que é pai da filha caçula de Ana, passou a perseguir a mulher, inclusive nas residências em que ela trabalha como diarista.
Ainda segundo o boletim, em abril deste ano, ele chegou a pedir a um dos patrões de Ana para entrar na casa em que ela trabalhava no bairro Mangabeiras, na região centro-sul, para falar com ela.
Em maio de 2026, câmeras de segurança flagraram Silvanildo rodando outra casa onde a diarista trabalha, no bairro Castelo, na região da Pampulha.
Em outra ocasião, Silvanildo insultou e ameaçou Ana Cláudia depois de deixar a filha do casal, de 9 anos, em casa. Ele alegou que Ana estava afastando ele da menina.
“Nunca tive um bom convívio com ele, porque nunca compactuei com as coisas que ele falava, com a pessoa que ele era, porque ele sempre demonstrou ser uma pessoa ruim. Ele já tentou jogar ela na churrasqueira”, disse Thaine Eloisa, filha mais velha de Ana Cláudia.
Segundo ela, o ex-companheiro da mãe tentou também “acender fósforos” em cima de Ana Cláudia.
Confissão
Silvanildo Amâncio de Araújo confessou ter empurrado Ana Cláudia, depois de ser preso em Várzea da Palma, no Norte de Minas, nesta terça-feira (26).
Na segunda-feira (25), Silvanildo buscou Ana Cláudia no trabalho e obrigou a mulher a entrar no carro. Depois ele Levou Ana para a Serra do Rola-Moça.
Thaine Eloisa, filha de Ana Cláudia, foi quem acionou a Polícia Militar para comunicar o desaparecimento da mãe.
O primeiro a ter notícias da diarista foi Danilo Douglas Magalhães Sousa, de 34 anos, ex-genro do suspeito, que conseguiu falar com Silvanildo por telefone.
Ainda conforme o depoimento, Silvanildo disse que estava próximo ao bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, em um penhasco no Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, e ameaçou jogar Ana Cláudia do local. Danilo tentou convencer o suspeito a desistir e pediu a localização exata para encontrá-lo.
Segundo a PM Silvanildo levou a mulher até a beira de um penhasco usando um canivete. Ela caiu dez metros de um trecho mais íngreme e, depois, rolou por mais 40 metros. Depois de ser resgatada, ela foi levada ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.
Suspeito retornou ao local
O suspeito contou ainda que retornou ao local onde a mulher havia caído, mas não conseguiu encontrá-la. Em seguida, decidiu ir para casa. “Peguei minhas coisas e tomei um banho”, disse.
Silvanildo também declarou que não teria planejado o ataque contra a ex-companheira e atribuiu o crime à discussão ocorrida no último encontro entre os dois. “O que me deixou revoltado foi a discussão de sábado, que ela me chamou de uma coisa que eu nunca fiz na vida”, afirmou. Segundo o homem, ele estava com um canivete no momento em que empurrou a vítima do penhasco.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.
Formado em jornalismo pela PUC Minas, foi produtor do Itatiaia Patrulha e hoje é repórter policial e de cidades na Itatiaia. Também passou pelo caderno de política e economia do Jornal Estado de Minas.




