Itatiaia

Mulher é espancada pelo companheiro e corre risco de ficar paraplégica em BH; suspeito fugiu

Vítima está internada em estado grave após ser brutalmente espancada pelo companheiro, de 27 anos; Segundo os familiares, ela vai passar por cirurgia e não consegue sentir os braços e as pernas

Por e 
Mulher é agredida por namorado no bairro Nova Cintra • Imagens cedidas

Uma auxiliar de limpeza, de 45 anos, está internada em estado grave após ser brutalmente espancada pelo companheiro, de 27, no bairro Nova Cintra, na região Oeste de Belo Horizonte. O caso aconteceu na noite desta terça-feira (20). A mulher sofreu uma lesão grave na coluna cervical, passou a apresentar dificuldades para movimentar os membros e corre risco de ficar com sequelas permanentes.

Segundo relatos de familiares à Itatiaia, o homem teria tentado quebrar o pescoço da vítima durante as agressões. A mulher foi encontrada caída, com o rosto ensanguentado, após uma vizinha pedir socorro à sobrinha dela. O suspeito fugiu do local e, até o momento, não foi encontrado.

A sobrinha da vítima contou que, ao entrar na casa, encontrou a tia gravemente ferida. Segundo ela, o homem pisou no pescoço da tia, tentou sufocá-la, torceu sua cabeça e a atingiu com chutes na barriga e na cabeça. A familiar também afirmou que o homem teria acionado o fogão e o botijão de gás durante o episódio, em uma possível tentativa de incendiar a residência.

De acordo com a familiar, o homem só teria interrompido as agressões depois que a vítima desmaiou. 

A mulher foi socorrida e encaminhada para atendimento médico no Hospital João XXIII.

Segundo os familiares, ela não conseguia sentir os braços e as pernas, apresentava formigamento e conseguia movimentar apenas parcialmente os dedos dos pés. A vítima seria submetida a uma cirurgia, e a equipe médica alertou para a gravidade da lesão na região cervical e para o risco de sequelas.

Família relata histórico de violência

A filha da vítima contou à Itatiaia que já tinha conhecimento de episódios anteriores de violência e temia que o companheiro chegasse a um extremo. Segundo ela, o relacionamento começou há cerca de nove meses, depois que os dois se conheceram pela internet.

A familiar afirma que o comportamento do homem era marcado por ciúmes e controle. A mãe teria reduzido o contato com parentes e deixado de frequentar a casa da filha com a mesma frequência de antes. A família também suspeita que o companheiro tenha influenciado a interrupção das atividades da mulher nas redes sociais.

“Ele era possessivo, ciumento com ela. Eu tenho até relatos de áudios de amigas dela falando que ele era muito ciumento, que ela tinha que avisar onde estava, com quem estava e a que horas ia voltar”, contou a filha.

Ainda segundo a filha, a mãe escondia as agressões e tentava minimizar situações de violência. A familiar relatou que já havia percebido sinais de que algo estava errado, como um episódio em que a mulher apareceu com o olho roxo e disse ter se machucado no ônibus.

A família disse que já havia tentado convencê-la a terminar o relacionamento, mas que o suspeito fazia ameaças. A filha também relatou que ele teria usado um nome falso ao se apresentar e que a mãe arcava com despesas do companheiro.

Minha tia era uma pessoa trabalhadora, de um coração muito bom, tentou ajudar esse vagabundo de todas as formas e ele dá a ela isso. Quando eu vi minha tia [...] é uma cena que eu não desejo para ninguém”, comentou a sobrinha emocionada.

Suspeito teria procurado familiares após fugir

Após as agressões, o homem deixou o local. Segundo a sobrinha, ele ainda teria retornado à região na manhã seguinte para buscar documentos e tentado entrar na casa da familiar, o que aumentou o temor da família.

A sobrinha afirmou que o suspeito também teria feito ligações e pedido dinheiro. Ela teme que ele volte a ameaçar a vítima e outros parentes.

A filha da vítima também fez um apelo para que todos estejam atentos aos sinais de violência em relacionamentos abusivos: “Você que é mãe, você que é filha, até amiga, intervenha, mostra, alerta, manda o máximo de mensagem, esteja em cima, porque eu sempre alertava minha mãe, falava assim: ‘ô, mãe, você quer aparecer no jornal? Pelo amor de Deus, olha só a situação que você está vivendo’. E ela [a mãe]: ‘Não, não vai fazer nada comigo’. Mas fez”. 

A ocorrência foi registrada, e o suspeito ainda não havia sido localizado até a última atualização das informações repassadas à reportagem.

Clique e leia: Polícia pede medida protetiva para mulher agredida com barra de ferro pelo marido em BH

Mulher morta em motel no Centro de BH: suspeito foi preso por feminicídio

Família pede Justiça para mulher encontrada morta com sinais de violência sexual um ano após crime

Mulheres que sofrem violência ou conhecem alguém nessa situação podem buscar ajuda pelo Ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, gratuitamente, para receber denúncias, orientações e informações sobre serviços de atendimento. Em situações de emergência, quando a vítima estiver em perigo imediato, a orientação é ligar para o 190, da Polícia Militar.

Por

Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.

Por

Jornalista formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Na Itatiaia desde 2008, é "cria" da rádio, onde começou como estagiário. É especialista na cobertura de jornalismo policial e também assuntos factuais. Também participou de coberturas especiais em BH, Minas Gerais e outros estados. Além de repórter, é também apresentador do programa Itatiaia Patrulha na ausência do titular e amigo, Renato Rios Neto.

 

 

Belo Horizonte