Moradores da Vila Acaba Mundo protestam contra empresa de ônibus após acidente em Petrópolis
Ônibus de turismo tombou na BR-040, em Petrópolis (RJ), e deixou 10 mortos; entre as vítimas estão quatro moradoras da comunidade.

Moradores da Vila Acaba Mundo, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, protestaram contra a empresa Estrela Guia, responsável pelo ônibus de turismo que tombou na BR-040, em Petrópolis (RJ), e deixou 10 mortos. Entre as vítimas estão quatro moradoras da comunidade.
O ato foi realizado em frente à Prefeitura de Belo Horizonte neste sábado (22). Segundo os moradores, a empresa não procurou as famílias para prestar assistência após o acidente e teria se limitado a providenciar o transporte dos corpos para Minas Gerais.
Uma das vítimas era Lavínia Eduarda Souza, de 7 anos. A mãe da menina, Maria Luísa Pereira de Souza, também estava no ônibus e ficou ferida. Em entrevista, ela relatou que pediu diversas vezes para que o motorista reduzisse a velocidade durante a viagem.
Entre os mortos estão quatro moradoras da Vila Acaba Mundo:
- Jhennifer Ferreira Carvalho, de 33 anos;
- Lavinia Eduarda Souza Dias, de 7 anos;
- Priscilla de Souza Braz, de 33 anos;
- Luciana Ferreira Carvalho, de 53 anos.
Mãe diz que pediu para motorista reduzir velocidade
Maria Luísa contou que estava no ônibus com a filha e a irmã, Priscila de Souza Braz, de 33 anos. Segundo ela, o veículo começou a acelerar ainda durante o trajeto em Minas Gerais.
“Eu comecei desde lá da BR questionando ele, pedindo para o guia turístico ir com calma, porque tinha crianças no ônibus”, relatou.
Ela afirmou que chegou a ir até a cabine do motorista para pedir que diminuísse a velocidade. Segundo Maria Luísa, havia quatro crianças no andar superior do ônibus, entre elas suas filhas.
A mulher também contou que uma das filhas, que é autista, estava assustada durante a viagem.
“Moço, eu estou com medo, eu tenho uma filha autista”, disse que chegou a falar ao guia turístico.
De acordo com o relato, na descida da serra o ônibus teria começado a perder o controle. Maria Luísa afirmou ainda que o motorista estava com os faróis apagados e que um caminhão que seguia atrás teria buzinado várias vezes.
“Eu comecei a gritar: ‘Meu Deus, misericórdia, gente’. [...] Eu falei: ‘O ônibus está perdendo o controle’”, contou.
Na sequência, segundo ela, o veículo passou a bater de um lado para o outro até ocorrer o tombamento.
“Eles acabaram com meu sonho”, diz mãe
Maria Luísa afirmou que a viagem seria a primeira vez que a filha iria à praia. Segundo ela, Lavínia fazia planos para o passeio.
“Tava contando que ia fazer castelinho, escrever nome de todo mundo. Eles acabaram com meu sonho, eles acabaram com a minha vida”, afirmou.
Além da filha, Maria Luísa perdeu a irmã no acidente. Ela descreveu Priscila como sua principal rede de apoio.
“Perdi minha filha, minha única irmã, que era minha rede de apoio. Minha irmã, minha filha, tinha vários planos”, disse.
Comunidade cobra assistência às famílias
A comunidade afirma que precisou organizar uma vaquinha para ajudar as famílias das vítimas e dos sobreviventes. Segundo os moradores, também há vítimas feridas que precisam de assistência e não conseguem trabalhar.
Rita Aragão, tia de uma das vítimas, afirmou que os moradores pretendem continuar cobrando respostas da empresa.
“A comunidade toda está unida e a gente não vai deixar isso morrer no esquecimento. Eles vão ter que pagar. A gente quer justiça”, afirmou.
Segundo ela, a empresa só teria providenciado o transporte dos corpos depois que os familiares fizeram contato.
“Só aconteceu porque a gente entrou em contato. Eles não entraram em contato com a gente em hora nenhuma”, relatou.
Os moradores também cobram acompanhamento psicológico para os sobreviventes e familiares das vítimas.
Ônibus não tinha autorização para transporte interestadual
Conforme divulgado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o ônibus envolvido no acidente não estava habilitado para realizar transporte interestadual de passageiros.
O acidente aconteceu na BR-040, em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Ao todo, 10 pessoas morreram.
A comunidade afirma que quatro das vítimas eram moradoras da Vila Acaba Mundo e cobra investigação sobre as condições em que a viagem foi realizada e sobre a responsabilidade da empresa.
O que diz a empresa?
Estrela Guia afirmou que não fará mais manifestações sobre o caso e que eventuais esclarecimentos serão apresentados nos autos dos processos.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga o caso.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.
Amanda Antunes cursou jornalismo no Unileste (Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais), com graduação concluída na Faculdade Estácio, em Belo Horizonte. Em 2009, começou a estagiar na Rádio Itatiaia do Vale do Aço, fazendo a cobertura de cidades. Em 2012, chegou à Itatiaia Belo Horizonte. Na rádio de Minas, faz parte do time de cobertura policial - sua grande paixão - e integra a equipe do programa ‘Observatório Feminino’.




