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'Monitoramento constante': Defesa Civil de Minas Gerais se prepara para El Niño, com previsão de calor, seca e tempestades

Evento ligado ao extremo climático é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial; estado mineiro pode enfrentar impactos na saúde e em setores como agricultura e pecuária, informou o coordenador estadual de Defesa Civil de Minas Gerais à Itatiaia

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Há 95% de probabilidade de que El Niño alcance intensidade muito forte nos próximos três meses, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
Há 95% de probabilidade de que El Niño alcance intensidade muito forte nos próximos três meses, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) • Inmet l Itatiaia

Minas Gerais se prepara para as possíveis consequências climáticas vindas do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Na prática, o evento climático mexe com a circulação atmosférica em todo o planeta, modificando o regime de chuvas e as temperaturas habituais. No Brasil, especificamente no estado mineiro, autoridades esperam um forte impacto de secas, incêndios florestais e tempestades.

Em entrevista à Itatiaia, o chefe do Gabinete Militar do Governador (GMG) e coordenador estadual de Defesa Civil de Minas Gerais, coronel Paulo Roberto Bermudes Rezende, explicou que este momento deve ser lidado com cautela e planejamento: "Temos uma expectativa que os efeitos do El Niño podem ser fortes. Por isso, precisamos achar um equilíbrio: não criar pânico, mas também não ignorar. Esse evento está sendo monitorado de forma constante".

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou na última quinta-feira (1º) o 4º Painel El Niño 2026-2027. De acordo com o boletim, há 95% de probabilidade de que o evento ligado ao extremo climático alcance intensidade muito forte no trimestre outubro-novembro-dezembro deste ano, entre a primavera e o verão.

O fenômeno deve persistir até o primeiro trimestre de 2027. Caso esse cenário se confirme, o evento poderá estar entre os mais intensos registrados desde 1950. Mas quais são as consequências concretas do El Niño em Minas Gerais?

O coordenador estadual da Defesa Civil de Minas Gerais esclareceu à reportagem que o evento climático pode atingir o estado de formas diferentes, devido a extensão territorial. "Vamos ter em algumas regiões o impacto da seca, dos incêndios florestais e com isso vem acompanhado os problemas respiratórios", disse. "Em outros locais, serão registradas chuvas muito fortes, enxurradas, inundações", completou Rezende.

Entre as consequências dessas condições climáticas está, por exemplo, problemas respiratórios e impactos na agricultura e pecuária. Por isso, o trabalho de contenção de danos é tratado como multidisciplinar, com treinamentos para profissionais de secretarias de saúde e agricultura de municípios mineiros.

"Procuramos fazer uma capacitação multidisciplinar, não só pensando em aspectos que são relacionados com a Defesa Civil, mas todas essas secretarias, essas políticas públicas que são afetadas de alguma maneira com esses eventos que chamamos de 'eventos ligados ao extremos climáticos'", explicou Rezende.

Entenda o El Niño

O El Niño é um dos fenômenos climáticos de maior impacto no planeta, capaz de alterar o regime de ventos, chuvas e temperaturas em escala global. A sua principal característica é o aquecimento anormal e sustentado das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, registrado quando as temperaturas dessa faixa oceânica permanecem pelo menos 0,5 °C acima da média histórica.

Essa elevação térmica transfere volumes gigantescos de calor para a atmosfera, desencadeando uma reação em cadeia que desorganiza os padrões meteorológicos normais em diversos continentes.

Em condições normais, os ventos alísios sopram de leste para oeste, empurrando as águas quentes em direção ao oeste do Pacífico (próximo à Oceania). Durante o El Niño, esses ventos enfraquecem ou invertem de direção. Isso faz com que a água aquecida se acumule na costa da América do Sul, alterando a circulação atmosférica global e mudando drasticamente o regime de chuvas e temperaturas pelo mundo.

Como o El Niño afeta o Brasil:

Devido à dimensão continental do Brasil, os impactos do El Niño variam significativamente entre as regiões:

Norte

  • Principais efeitos climáticos: seca acentuada e chuvas muito abaixo da média.
  • Impactos práticos: redução do nível dos rios amazônicos, isolamento de comunidades ribeirinhas e aumento do risco de queimadas.

Nordeste

  • Principais efeitos climáticos: estiagem prolongada e seca no semiárido.
  • Impactos práticos: comprometimento dos reservatórios de água, prejuízos na agricultura familiar e na pecuária local.

Sul

  • Principais efeitos climáticos: chuvas intensas, tempestades e volumes acima da média.
  • Impactos práticos: risco elevado de enchentes, alagamentos, erosão do solo e atraso na colheita de grãos.

Sudeste

  • Principais efeitos climáticos: aumento das temperaturas (ondas de calor).
  • Impactos práticos: chuvas com distribuição irregular e períodos quentes mais prolongados durante a primavera e o verão.

Centro-Oeste

  • Principais elevação da temperatura e chuvas irregulares.
  • Impactos práticos: períodos de calor intenso e irregularidades no calendário de plantio de safras como soja e milho.
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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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