Itatiaia

Super El Niño de 2026 bate recordes históricos e muda o clima no Brasil

Descubra por que o Super El Niño de 2026 pode ser o mais forte em 150 anos, quando atinge o pico e como impacta cada região do Brasil

Por
Previsão do tempo para 2026-2027: sinal de Super El Niño detectado em agosto (EUA e Canadá). Anomalias na corrente de jato e sistemas de pressão, mudanças de temperatura e impacto de evento recorde (verão, outono e inverno)
Previsão do tempo para 2026-2027: sinal de Super El Niño detectado em agosto (EUA e Canadá) • Severe Weather Europe/Divulgação

O Oceano Pacífico registra temperaturas até 10°C acima do normal em algumas áreas de subsuperfície. Esse reservatório gigantesco de calor alimenta o El Niño que, segundo projeções climáticas recentes, pode se transformar no episódio mais intenso desde que registros sistemáticos começaram no século XIX.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) calcula mais de 90% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte até o fim de 2026. O pico deve ocorrer entre novembro e dezembro, com possibilidade de superar todos os eventos observados desde 1950. Os efeitos no Brasil já começam a se desenhar, com projeções apontando mudanças marcantes na distribuição de chuvas e temperaturas em todo o território nacional.

O que torna este El Niño excepcional na história climática

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) projeta anomalia média próxima de 3,6°C na região Niño 3.4 durante a primavera no Hemisfério Sul. Essa área do Pacífico equatorial funciona como termômetro oficial para cientistas acompanharem a evolução do fenômeno.

Na semana centrada em 16 de setembro, o índice Niño 3.4 chegou a 3°C acima da média, segundo o International Research Institute for Climate and Society (IRI) da Universidade de Columbia. Em agosto, a média mensal havia sido de 2,52°C, mostrando intensificação rápida em poucas semanas.

O termo "Super El Niño" não representa categoria meteorológica oficial separada. Especialistas costumam empregá-lo informalmente para descrever episódios excepcionalmente fortes, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Quando o fenômeno deve atingir sua força máxima

As previsões convergem para o período entre novembro e dezembro de 2026 como momento de maior intensidade. A NOAA estima 75% de chance de o trimestre outubro-novembro-dezembro registrar evento histórico, com intensidade superior à de todos os episódios desde 1950.

Mesmo após atingir o pico, o El Niño não desaparecerá rapidamente. As projeções do IRI indicam 100% de probabilidade de manutenção do fenômeno até o trimestre fevereiro-março-abril de 2027. Depois disso, a chance começa a diminuir conforme o fenômeno tende a perder força.

Isso significa que os efeitos associados poderão continuar influenciando o clima mesmo depois do auge previsto para o fim de 2026.

Por que este episódio pode quebrar recordes de 150 anos

Uma análise divulgada em julho reuniu centenas de simulações climáticas e indicou possibilidade de o El Niño de 2026 superar os grandes episódios registrados desde o fim do século XIX. A revista científica Nature destacou que pesquisadores consideram possível transformação no maior evento em pelo menos 150 anos caso as projeções mais extremas se confirmem.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) também afirma que a NOAA e outras instituições projetam evento muito forte, potencialmente entre os maiores observados em mais de 150 anos.

Entretanto, ainda não é possível afirmar definitivamente que o recorde será quebrado. A intensidade oficial dependerá das temperaturas observadas durante vários meses e da resposta conjunta entre oceano e atmosfera.

O reservatório de calor que alimenta o aquecimento do Pacífico

Os 22 modelos climáticos analisados pelo IRI projetam El Niño muito forte durante o fim de 2026 e o começo de 2027. A maioria dos modelos também indica que as anomalias na região Niño 3.4 poderão permanecer próximas ou acima de 3°C justamente durante o período em que o fenômeno costuma alcançar sua maior intensidade.

Uma enorme quantidade de água excepcionalmente quente permanece abaixo da superfície do Pacífico equatorial. Segundo o IRI, algumas regiões entre aproximadamente 50 e 150 metros de profundidade apresentam temperaturas mais de 8°C superiores ao normal.

Esse reservatório de calor pode continuar alimentando o aquecimento da superfície do oceano. A NOAA também identificou áreas de subsuperfície com anomalias superiores a 10°C durante agosto.

Como o Sul do Brasil será afetado pelo Super El Niño

O boletim oficial produzido por INMET, INPE, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil, Defesa Civil e Censipam aponta tendência de chuvas acima da média no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul. Parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul também poderá registrar volumes superiores ao normal.

Um El Niño muito intenso pode favorecer episódios de chuva volumosa nessas regiões. Por isso, os órgãos brasileiros mantêm monitoramento sobre a possibilidade de enchentes, temporais e outros eventos extremos.

Os cientistas reforçam que um El Niño mais forte não significa automaticamente impactos extremos em todos os lugares. Outros fatores atmosféricos e oceânicos também determinam onde e quando ocorrerão ondas de calor, secas ou grandes volumes de chuva.

Regiões do Norte e Nordeste enfrentam tendência de menos chuvas

Áreas do Norte e Nordeste tendem a enfrentar precipitações abaixo da média. Partes de Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo também apresentam maior probabilidade de volumes reduzidos.

Além disso, os meteorologistas projetam temperaturas acima da média em praticamente todo o Brasil. A combinação de calor e períodos prolongados sem chuva também pode elevar o risco de queimadas principalmente nas regiões central e norte do país.

Esse padrão de distribuição irregular das chuvas caracteriza a atuação típica do El Niño sobre o território brasileiro, mas a intensidade excepcional do episódio atual exige atenção redobrada.

O que determina os diferentes impactos em cada região brasileira

O cenário exige atenção principalmente por causa das alterações na distribuição das chuvas e das temperaturas. O fenômeno atua de forma distinta conforme a geografia e os sistemas atmosféricos de cada área.

Enquanto o Sul pode enfrentar excesso de precipitação, outras regiões lidam com escassez hídrica. Essa distribuição desigual resulta da interação entre o aquecimento do Pacífico e os padrões de circulação atmosférica sobre a América do Sul.

Com o pico previsto para o fim de 2026 e grande quantidade de calor ainda armazenada no Pacífico, as próximas semanas serão decisivas para determinar se o atual Super El Niño realmente entrará para a história como o mais intenso das últimas gerações.

Por

A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.

 

 

Belo Horizonte