Mercado Central de BH completa 97 anos com histórias, sabores e olhar voltado para o centenário
Tradicional ponto turístico e gastronômico da capital mineira reúne gerações de comerciantes e consumidores e inicia programação rumo aos 100 anos

O Mercado Central de Belo Horizonte completa 97 anos nesta segunda-feira (7) mantendo uma característica que atravessa gerações: a capacidade de reunir pessoas, histórias, sabores e diferentes culturas em um mesmo espaço.
Para quem frequenta o mercado, uma palavra resume a experiência: diversidade. Para quem trabalha no local há décadas, o significado vai ainda mais longe.
É o caso de Cleiton Valadares que chegou ao Mercado Central ainda adolescente, aos 15 anos. Desde então, acompanhou as transformações do espaço e construiu uma relação que ultrapassa a atividade profissional. “O Mercado Central para mim é minha casa. Eu não sei se é o quintal da minha casa ou se é realmente a sala da minha casa, porque estou aqui há 48 anos.”

Cleiton conta que, quando começou a trabalhar no mercado, a atividade era mais concentrada na comercialização de legumes e frutas. Com o passar dos anos, o espaço ganhou uma diversidade cada vez maior de produtos, serviços e experiências.
Para ele, uma das maiores riquezas do mercado está justamente nas relações construídas ao longo do tempo. “Com o tempo, a gente adquire aqui não clientes, amigos. Os nossos clientes viram amigos nossos.”
Segundo Cleiton, essas relações acabam ultrapassando os limites do comércio. Clientes participam de momentos importantes da vida dos comerciantes, como aniversários e casamentos, e algumas dessas relações atravessam gerações.
O sabor que virou tradição
Entre as tradições que ajudam a construir a identidade do Mercado Central está o famoso fígado acebolado com jiló. Quem prepara o prato há cerca de quatro décadas é Valmir Rodrigues, conhecido por todos como “Pelé”. O segredo, segundo ele, está em uma combinação simples, mas fundamental: qualidade e experiência. “O segredo é a qualidade. Tem que ter qualidade. Se não tiver qualidade, não sai bom.”
Pelé também destaca a importância da matéria-prima utilizada no preparo do prato, que se tornou um dos símbolos gastronômicos do mercado. “Um fígado bom, fígado novo. Não pode trabalhar com nada congelado. Se trabalhar com coisa congelada, não sai igual.” E, claro, existe um ingrediente que ele prefere manter em segredo. O tempero.
Festa pelos 97 anos
Para celebrar os 97 anos, o Mercado Central promove nesta segunda-feira (7), feriado da Independência do Brasil, uma programação especial no entorno do espaço.
A partir das 9h, a região da Avenida Augusto de Lima com a Rua Santa Catarina recebe dois palcos, atrações musicais e gastronomia mineira. A entrada é gratuita.
O superintendente do Mercado Central, Luiz Carlos Braga, destaca que a comemoração também representa o início da preparação para o centenário. “Completamos hoje 97 anos de história, uma história bonita, que começou lá em 1929. Daqui a pouquinho, aqui na Augusto de Lima e Santa Catarina, teremos dois palcos, muita música, muita gastronomia mineira, já começando a dar o pontapé para o nosso centenário.”
Luiz Carlos destaca ainda a importância do Mercado Central como atração turística e parte da história de Belo Horizonte. “O mercado, como um grande atrativo turístico da cidade, já faz parte da história de Belo Horizonte.”
A programação especial também terá como destaque um dos pratos mais conhecidos do espaço, o tradicional fígado acebolado com jiló.
Mercado rumo aos 100 anos
A programação de aniversário continua na terça-feira (8), quando será realizado o seminário “Mercado Central rumo aos 100 anos”.
O encontro começa às 9h, no auditório do Mercado Central, e vai reunir representantes de importantes mercados do país para discutir modelos de gestão, turismo e o papel desses espaços na economia.
De acordo com Luiz Carlos Braga, o objetivo é compartilhar experiências e discutir os desafios para o futuro dos mercados. “O mercado hoje é uma referência, é um case de sucesso de gestão. Então, nós estamos trazendo o presidente do Mercadão de São Paulo, pessoal de Curitiba e do Sebrae para discutir justamente isso: qual é o papel hoje dos mercados na economia e no fomento do turismo?”
A programação marca, assim, não apenas a celebração dos 97 anos, mas também o início de uma contagem regressiva para uma das datas mais importantes da história do Mercado Central: os 100 anos de funcionamento, em 2029.
Entre bancas, restaurantes, corredores e histórias de gerações, o mercado segue como um dos espaços mais tradicionais de Belo Horizonte — um lugar onde, para muitos comerciantes, o trabalho acabou se transformando em casa e onde clientes deixaram de ser apenas consumidores para se tornar parte da própria história.
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.



