Memórias de um fim: os últimos ecos do Hospital Colônia de Barbacena
Espaço onde funcionava a maior estrutura de internação no Brasil é oficialmente desativado e últimos egressos são transferidos

O cenário que durante décadas foi sinônimo de medo e abandono vive um momento histórico. Nesta segunda-feira (25), o antigo Hospital Colônia de Barbacena, que já foi o maior manicômio público do Brasil, transferiu seus últimos 14 moradores para residências terapêuticas na zona rural da cidade, marcando o fechamento definitivo de uma estrutura que se tornou símbolo de desrespeito aos direitos humanos no século XX.
Um Passado de Horror
O local, que chegou a abrigar mais de 6.000 pessoas simultaneamente, funcionou como um verdadeiro depósito de pessoas consideradas indesejáveis pela sociedade. Cerca de 60.000 pessoas morreram ali ao longo de quase 80 anos. Relatos e investigações, como o documentário 'Em nome da Razão (1979), de Helvécio Ratton', revelaram que cerca de 70% dos pacientes sequer possuíam transtornos mentais graves: eram, em sua maioria, pessoas em situação de vulnerabilidade, alcoólatras, homossexuais, mães solteiras e desafetos políticos.
O tratamento era baseado na violência extrema, com o uso indiscriminado de eletrochoques, lobotomias e péssimas condições de higiene. A instituição chegou a protagonizar casos de venda de cadáveres para escolas de medicina, um processo macabro que incluía o "descarne" dos corpos para a extração de esqueletos.
A Itatiaia preparou uma reportagem especial reunindo grandes histórias sobre esse marco para a sociedade brasileira, confira:
Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.
