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Lutador baleado em BH diz que era perseguido por suspeito e expõe motivação do crime

Bruce Souto revelou que conhecia o suspeito há 16 anos e explicou a confusão que terminou em disparos à queima-roupa no Aglomerado da Serra

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Lutador de MMA foi baleado na região do glúteo
Lutador de MMA foi baleado na região do glúteo • Reprodução | Redes sociais

O lutador Bruce Gregório Souto de Assis disse, na manhã deste sábado (11), que havia mulheres, crianças e torcedores quando foi perseguido e baleado por Marcos Vinicius Oliveira de Melo, de 37 anos, mais conhecido como "Vinicin". Na ocasião, ele deu sua versão de como a briga entre eles iniciou.

A confusão aconteceu na última quarta-feira (9), no Campo do Baleião, no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, onde acontecia uma partida de futebol entre integrantes da torcida organizada Galoucura.

"Ele estava conversando com membros da torcida, andando inquietamente na arquibancada, quando decidiu me atacar. Ele estava com o rosto descoberto e efetuou os disparos na minha direção, de cara limpa, à queima-roupa", narrou Bruce.

Pelas redes sociais, o lutador afirmou que treinou quase 16 anos na mesma equipe de Vinicin, ou seja, que o conhece há muito tempo. "Quando entrei no projeto do Gordin e comecei a treinar, ele já era exatamente a mesma pessoa que é hoje: arrogante, covarde, sem ética. Sempre oprimindo pessoas da própria torcida e agindo com covardia. Esse cara me perseguiu durante anos, sempre tentando me prejudicar por inveja. Enquanto eu buscava crescer através do esporte, ele escolhia outro caminho", alegou.

"Por isso, quando afirmo que foi ele quem atirou contra mim, é porque foi isso que eu vi. Os disparos foram feitos na minha direção, à queima-roupa, sem qualquer preocupação em esconder o rosto ou preservar a vida de quem estava ao redor", seguiu.

 

"O mais grave é que havia mulheres, crianças e pessoas da própria torcida no local. Ele não pensou em ninguém. Colocou a vida de todos em risco. Agora eu faço uma pergunta: se ele realmente se considerava tão valente, por que não resolveu isso de outra forma? Por que ele não fez mano a mano comigo? Ele teve a oportunidade de me enfrentar pessoalmente, mas escolheu usar uma arma de fogo. Para mim, isso demonstra covardia", continuou.

"Quem conhece a história dele sabe que sempre foi impulsivo e movido pelo ego. Naquele momento, em vez de enfrentar as consequências dos próprios atos, escolheu tentar tirar a minha vida. O que mais me surpreende é ver algumas pessoas vindo até a minha página me chamar de 'X9'. Meu irmão, isso deixou de ser qualquer questão de torcida no momento em que houve um atentado contra a minha vida. Ele não desrespeitou apenas a mim. Desrespeitou mulheres, crianças, famílias e integrantes da própria torcida ao efetuar disparos em um local cheio de pessoas", completou.

O lutador permaneceu se pronunciando. "E sou eu quem deveria pensar em 'ética'? Ética existe entre pessoas que também têm ética. Quem acompanhou os tempos da Pedro II e até integrantes da própria Máfia Azul sabem da fama que ele construiu ao longo dos anos. A minha vontade, como ser humano, é revidar tudo o que ele tentou fazer comigo, mas eu não vou agir como ele. Eu tenho uma família, uma carreira construída com muito trabalho e uma vida da qual me orgulho. Nunca precisei passar por cima de ninguém, humilhar pessoas ou usar da violência para conquistar o que conquistei. Por isso, prefiro confiar na Justiça. Quero que ele responda por todos os crimes que tiver cometido e seja responsabilizado dentro da lei."

"Sobre a chapa Somos Galoucura, muita gente também entendeu tudo errado. Eu nunca disse que seria presidente ou diretor. O único vídeo que publiquei tinha poucos segundos e dizia apenas: 'ainda não vamos falar nada'. Quem criou essa narrativa foram outras pessoas. Minha intenção era apenas apoiar um projeto com o qual eu acreditava poder contribuir para a torcida através do esporte. Conversamos sobre criar projetos sociais, fortalecer os integrantes, levar disciplina, educação e oportunidades através do esporte, algo semelhante ao trabalho que desenvolvo na Team Souto. Nunca tive interesse em cargo, poder ou benefício pessoal."

"Infelizmente, antes mesmo que eu pudesse explicar qualquer coisa, aconteceu o atentado contra a minha vida. Continuo acreditando que a Justiça encontrará o Marcos Vinicius e fará com que ele responda pelos crimes que a investigação concluir que praticou, os quais serão muitos. Antes de virem falar de 'ética', procurem conhecer a história completa. Eu não apareci hoje. Fiz parte da torcida durante muitos anos. Depois saí para construir minha carreira no esporte, mas jamais fui ingrato com as pessoas que fizeram parte da minha caminhada. Foi justamente por gratidão que aceitei apoiar um projeto que eu acreditava poder trazer melhorias para a entidade", disse.

Por fim, ele anunciou sua decisão. "Não farei parte de nenhuma chapa. Vou continuar dedicado à minha família, aos meus alunos e à Team Souto, mas continuo torcendo para que pessoas bem-intencionadas consigam promover mudanças positivas. Porque, se nada mudar, quem perde é a própria torcida. Por fim, agradeço a Deus por ter preservado a minha vida. Eu jamais vou esquecer o que aconteceu naquele dia. Olhar nos olhos de alguém enquanto essa pessoa atira contra você é algo que marca para sempre, mas Deus foi fiel. Estou vivo, ao lado da minha família, e seguirei em frente".

Relembre o ataque

De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, Bruce participava de uma partida de futebol entre equipes da Galoucura de Vespasiano e da região Noroeste. Ao fim do jogo, enquanto deixava o local carregando algumas caixas, foi surpreendido por Marcos Vinicius Oliveira de Melo, que teria descido uma escada próxima à saída principal e perguntado: "Você tem algum problema comigo?". Ainda segundo o relato da vítima aos militares, imediatamente após a pergunta, o suspeito sacou um revólver e passou a efetuar diversos disparos em sua direção.

Bruce contou que tentou fugir correndo pelo campo, mas foi perseguido pelo atirador, que continuou efetuando disparos e ameaçando matá-lo. Conforme o depoimento, o suspeito só interrompeu os tiros depois de descarregar completamente a arma. Durante a fuga, o lutador acabou atingido por um disparo na região da nádega esquerda. Para escapar, precisou pular uma grade existente no local.

Mesmo ferido, conseguiu deixar o campo e foi levado por pessoas que estavam no evento até uma unidade de saúde, sendo posteriormente encaminhado ao Hospital João XXIII. Segundo a Polícia Militar, ele estava consciente, orientado, sem risco iminente de morte.

Ainda conforme o boletim de ocorrência, Bruce afirmou conhecer o suspeito e disse acreditar que a tentativa de homicídio tenha sido motivada por um vídeo publicado em seu perfil no Instagram, que teria provocado desentendimentos com integrantes da equipe adversária da Galoucura, da qual Marcos Vinicius faria parte. A vítima também informou que diversas pessoas presenciaram a perseguição e os disparos, devendo ser identificadas e ouvidas pela Polícia Civil durante o andamento das investigações.

Buscas pelo suspeito

Após o crime, equipes da Polícia Militar realizaram buscas na residência de Marcos Vinicius Oliveira de Melo. A mãe e a irmã do suspeito autorizaram a entrada dos militares no imóvel, mas ele não foi localizado. Os policiais fizeram buscas em todos os cômodos da casa e também tentaram encontrar a arma utilizada no ataque, mas nenhum material de interesse para a investigação foi apreendido.

No registro policial, a PM ressalta que o caso não possui relação com organizações criminosas nem com disputas envolvendo tráfico de drogas, indicando que o episódio está ligado a conflitos entre integrantes de torcidas organizadas. Marcos Viniciusinclusive, já chegou a ser preso após uma briga entre membros de organizadas de Atlético e Cruzeiro, em março de 2024, quando um cruzeirense de 27 anos foi morto. 

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