Lei transforma Cefet-MG em universidade: 'Luta histórica', comemora diretora-geral
Medida também vale para o Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro; legislação foi sancionada pelo presidente Lula nesta semana

"Marco fundamental na história da instituição", assim descreveu a diretora-geral do Cefet-MG, Carla Chamon, a sanção de uma lei que transforma os Centros Federais de Educação Tecnológicas de Minas Gerais e do Rio de Janeiro em universidades federais.
A Lei 15.521/2026 foi promulgada pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, na quinta-feira (24). Com a medida, as unidades passam a se chamar Universidade Federal de Ciência e Inovação de Minas Gerais (UFCI/MG) e do Rio de Janeiro (UFCI/RJ).
Em comunicado nas redes sociais, publicado nesta sexta-feira (25), a diretora-geral do Cefet-MG comemorou a mudança, caracterizada por ela como uma "conquista":
"A transformação do Cefet em universidade federal é um marco fundamental na história da nossa instituição. Ele é o ápice de uma luta histórica de mais de 20 anos e feita a muitas mãos. Essa é uma conquista de todos nós. Ela é o reconhecimento do esforço e da dedicação de toda a nossa comunidade acadêmica e é o desdobramento natural do nosso processo de expansão e de consolidação no cenário mineiro e no cenário nacional", disse Carla Chamon.
A mudança preserva a oferta de cursos técnicos de nível médio e incorpora automaticamente os estudantes às novas instituições. Com sedes em Belo Horizonte e na cidade do Rio de Janeiro, as UFCI/MG e UFCI/RJ serão autarquias vinculadas ao Ministério da Educação.
Para a diretora-geral do Cefet-MG, a transformação "não represetna uma ruptura, mas preserva a identidade, possibilitanto um salto qualitativo na formação de professionais e na geração de soluções para nossa sociedade".
Tramitação passou por veto e novo projeto
A lei teve origem no projeto de lei 4.952/2026, apresentado pelo Poder Executivo. A Câmara aprovou a proposta em 2 de setembro, na forma de um substitutivo do deputado Rogério Correia (PT-MG).
Na ocasião, o texto incorporou regras para nomeação de reitores e vice-reitores e previu centros de formação e ensino técnico nas duas universidades. No dia seguinte, o Senado aprovou a matéria e encaminhou à sanção presidencial.
A transformação já havia sido aprovada pelo Congreso em julho, por meio do projeto de lei 5.102/2023, do deputado Patrus Ananias (PT-MG). Mas, foi integralmente vetada por Lula. Na época, o Executivo indicou que a reorganização da administração pública federal deveria partir do presidente da República.
Em agosto, o governo enviou o novo projeto ao Congresso. A nova lei mantém a natureza de autarquia das instituições, agora como universidades, e inclui seus centros de formação e ensino técnico na relação de escolas técnicas vinculadas a universidades federais.
Ensino técnico é mantido
As universidades deverão garantir a oferta de educação profissional técnica de nível médio, seguindo as regras a serem estabelecidas pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini. Também terão entre os objetivos oferecer graduação, pós-gradução e formação continuada, além de desenvolver pesquisas e projetos de extensão e inovação.
De acordo com a legislação, todos os cargos e funções dos Cefets, ocupados ou vagos, serão redistribuídos para as respectivas universidades. Instalações, terrenos, prédios e equipamentos também passarão a compor o patrimônio das instituições.
Os primeiros reitores e vice-reitores serão nomeados pelo ministro da Educação de forma provisória. A partir dessas nomeações, as universidades terão 180 dias para encaminhar ao MEC as propostas de estatuto, que serão submetidas às instâncias competentes.
Após a fase temporária, a nomeação dos dirigentes caberá ao presidente da República. Professores efetivos da carreira do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico com doutorado poderão disputar os cargos, assim como docentes das demais categorias previstas na lei.
A implantação das universidades depende de recursos específicos no orçamento da União.

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



