Justiça ouve novas testemunhas no 2º dia de audiências do desastre de Brumadinho
Três testemunhas serão ouvidas, a partir das 13h, no Tribunal Regional Federal da 6ª Região; fase de instrução e julgamento do processo terminará apenas em maio de 2027

As audiências dos processos criminais relacionados ao rompimento da Barragem B1 da Vale, no Córrego do Feijão, em Brumadinho, continuam nesta sexta-feira (27), a partir das 13h, no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6). A tragédia matou 272 pessoas em 25 de janeiro de 2019 e devastou o município na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A primeira audiência foi realizada na última segunda-feira (23). Na data, foram ouvidas as testemunhas Kenya Paiva Silva Lamounier, Andressa Aparecida Rocha Rodrigues e Natália de Oliveira.
Até o final da fase de instrução e julgamento, a previsão é que 76 audiências sejam realizadas, às segundas e sextas-feiras, na sede do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6), no bairro Santo Agostinho, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.
Figuram como réus na ação penal as empresas Vale S.A e TÜV Süd, multinacional alemã, e 16 ex-executivos vinculados às companhias. Eles respondem por homicídio e crimes ambientais.
A empresa alemã TÜV Süd foi envolvida no processo como controladora da Tüv Süd Bureau de Projetos e Consultoria LTDA, subsidiária no Brasil que atestou que havia estabilidade na Barragem B1 antes do rompimento.
Primeiro, serão ouvidos familiares de vítimas, sobreviventes, peritos, bombeiros , engenheiros e testemunhas de defesa. Depois, serão realizadas as oitivas de estrangeiros ou residentes no exterior. O interrogatório dos réus está previsto para começar em 15 de março de 2027.
Relembre o desastre de Brumadinho
Em 25 de janeiro de 2019, o rompimento da barragem do córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, marcou o início de um dos maiores desastres ambientais da história de Minas Gerais, do Brasil e do mundo.
Às 12:28 daquele dia, a barragem B1 se rompeu, ocasionando o rompimento de outras duas barragens - BIV e BIVA. Morreram 272 pessoas no desastre, entre elas duas mulheres grávidas e seus bebês. No total, foram afetadas diretamente 26 cidades e 131 comunidades rurais.
Cerca de 12 milhões de m³ de rejeitos foram despejados após o rompimento, o que trouxe uma série de impactos e prejuízos ambientais e socioeconômicos, como a contaminação do Rio Paraopeba.
A barragem B-1 foi construída em 1976 com o método de alteamento a montante pela Ferteco Mineração. Em abril de 2001, a Vale S.A adquiriu a estrutura de 86 metros de altura e 720 metros de comprimento.
A finalidade da barragem era armazenar rejeitos do processo de beneficiamento a úmido de minério de ferro, que ocupavam uma área de aproximadamente 250 mil m². Na época do rompimento, a estrutura estava inativa e com projeto de descaracterização em andamento.
Nota da Vale
“A Vale reafirma seu respeito às vítimas, familiares e comunidades atingidas e reitera seu compromisso com a reparação integral dos danos. A empresa não comenta ações judiciais em andamento.”
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Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo
Repórter no portal da Itatiaia. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).




