Familiares de vítimas de Brumadinho pedem que réus vão a júri popular por homicídio
Audiências de instrução e julgamento do caso começaram nesta segunda-feira (23) em Belo Horizonte e durarão até maio de 2027

Familiares das vítimas do desastre de Brumadinho estiveram presentes nesta segunda-feira (23) no primeiro dia das audiências criminais do caso. A sessão foi realizada na sede do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6), no bairro Santo Agostinho, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.
Após as oitivas de três testemunhas, representantes da Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos Pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (Avabrum) reforçaram que esperam que os réus do processo sejam pronunciados e vão a júri popular.
Maria Regina da Silva, Vice-Presidente da Avabrum, afirmou que o grupo lutou por sete anos para o caso caminhar na Justiça.
“Indenizações para nós não cabem. Nada do que a gente foi indenizado vai trazer os nossos de volta. Então, para nós, o que interessa é a condenação daqueles que forem culpados”, disse.
“A gente espera exatamente o júri popular. Se eles não tiveram culpa no que aconteceu, vão se defender e vão sair livres, mas quem teve culpa tem que ser punido. Precisamos que a justiça seja feita”, acrescentou.
Réus 'conheciam situação crítica da barragem', diz advogado
A Avabrum foi habilitada como assistente de acusação do Ministério Público Federal (MPF) e representa 463 familiares diretos de vítimas no processo. Os réus foram denunciados pelo por homicídio e crimes ambientais.
“[Os réus] tinham o poder e o dever de tomar medidas para evitar as consequências, se não o rompimento da barragem, pelo menos as mortes e os danos ambientais. E, de posse de tudo isso, escolheram conscientemente se omitir e ocultar do poder público, dos trabalhadores, da sociedade e das comunidades do entorno esse risco pelo qual todos passavam”.
Audiências criminais do desastre de Brumadinho
As audiências de instrução e julgamento do desastre de Brumadinho envolvem 17 réus. Serão realizadas 76 sessões até 17 de maio de 2027.
Figuram como réus na ação penal as empresas Vale S.A e TÜV Süd, multinacional alemã, e 16 ex-executivos vinculados às companhias. Eles respondem por homicídio e crimes ambientais.
O rompimento da barragem do córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ocorreu em 25 de janeiro de 2019 e matou 272 pessoas, entre elas duas mulheres grávidas e seus bebês.
Nota da Vale
Repórter no portal da Itatiaia. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).



