Jovem morre após cirurgia plástica em BH: local já teve outras mortes durante procedimentos
Intervenção desta semana, de acordo com o Instituto Mineiro de Obesidade, é de responsabilidade do médico Pablo Meneghetti, que teria alugado o espaço

Ao menos três pessoas morreram, nos últimos cinco anos, após procedimentos cirúrgicos realizados nas dependências do Instituto Mineiro de Obesidade de Belo Horizonte (IMO), localizado no bairro de Lourdes, Região Centro-Sul de Belo Horizonte.
A morte mais recente aconteceu na tarde dessa terça-feira (26), quando Bárbara Laura Souza Félix, de 27 anos, morreu durante uma cirurgia plástica. Ela procurou a clínica particular para realizar uma lipoaspiração abdominal com enxerto de gordura nas nádegas. A intervenção, de acordo com o Instituto Mineiro de Obesidade, é de responsabilidade do cirurgião Pablo Meneghetti, que teria alugado o espaço.
A principal suspeita é que a mulher tenha sofrido uma embolia gordurosa durante o procedimento, quando pequenas partículas de gordura alcançam a circulação sanguínea e comprometem a circulação pulmonar, prejudicando a oxigenação do organismo.
A clínica acionou a Polícia Militar (PMMG). A perícia da Polícia Civil (PCMG) encaminhou o corpo de Bárbara Laura ao Instituto Médico-Legal (IML). O caso está sob investigação.
Relembre outros casos
Lidiane Aparecida Fernandes Oliveira realizou uma abdominoplastia e lipoaspiração nas dependências do Instituto Mineiro de Obesidade. Ela chegou a ser socorrida no Hospital Vera Cruz, mas não resistiu e morreu em dezembro de 2021
Gleyciane Alves também morreu após um procedimento cirúrgico de lipoescultura e revisão de cicatriz em abril de 2023.
As duas realizaram procedimentos com o cirurgião Lucas Mendes.
Em nota enviada à Itatiaia, Leonardo Salles, diretor técnico do IMO, informou que todos os casos citados envolvem cirurgiões que fazem locação do bloco cirúrgico da unidade para a realização dos procedimentos e que, segundo ele, os médicos não integram a equipe do Instituto Mineiro de Obesidade.
Procurada pela reportagem em 2023, quando Gleyciane Alves morreu, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que o Instituto Mineiro de Obesidade de Belo Horizonte possui alvará de localização e funcionamento válido até 26 de setembro de 2026.
A reportagem procurou a PBH novamente e aguarda um posicionamento.
O que diz o hospital
O cirurgião Pablo Meneghetti se manifestou em nota enviada à Itatiaia nesta quarta-feira (27).
"O Hospital manifesta seu mais profundo pesar pelo falecimento da paciente ocorrido após procedimento cirúrgico. Neste momento de imensa dor, nossa prioridade é oferecer acolhimento, respeito e todo o suporte necessário à família.
Desde o primeiro momento, o hospital tem mantido postura de transparência, disponibilizando prontamente à família apoio psicológico e as documentações solicitadas, incluindo exames préoperatórios, registros assistenciais e termos de consentimento devidamente assinados. Todos os protocolos pré-operatórios, intraoperatórios e assistenciais foram observados com rigor pela equipe envolvida e todos os recursos necessários para atendimento da urgência estavam presentes e foram devidamente utilizados.
A avaliação preliminar da Comissão de Óbito do hospital levantou a hipótese de embolia gordurosa, uma complicação grave e descrita na literatura médica, que pode ocorrer em procedimentos que envolvem manipulação e enxertia de tecido adiposo, como a lipoescultura. Trata-se de uma condição que, embora incomum, é reconhecida como risco inerente a esse tipo de cirurgia, inclusive prevista no termo de consentimento informado assinado pela paciente.
De forma simplificada, a embolia gordurosa pode ocorrer quando pequenas partículas de gordura alcançam a circulação sanguínea e comprometem a circulação pulmonar, prejudicando a oxigenação do organismo. Em alguns casos, sua evolução pode ser súbita, grave e irreversível, mesmo diante da adoção de medidas preventivas e assistenciais adequadas.
É importante ressaltar, contudo, que até o momento se trata de uma hipótese diagnóstica preliminar, ainda dependente da confirmação pelo laudo oficial do Instituto Médico Legal.
O Hospital IMO lamenta profundamente a perda de uma vida e se solidariza com os familiares e amigos da paciente. Também reforça sua confiança na seriedade, competência e compromisso ético dos profissionais envolvidos, incluindo o Dr. Pablo Meneghetti, que já loca salas de cirurgia no hospital a mais de 15 anos, é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, é referência em estética corporal, e possui plena competência e qualificação técnica para a realização do procedimento, sendo reconhecido por seu elevado padrão técnico, zelo e dedicação aos seus pacientes.
Neste momento, o hospital entende que a dor da família deve ser tratada com máximo respeito, serenidade e responsabilidade, evitando conclusões precipitadas antes da conclusão das apurações oficiais."
O que diz Pablo Meneguetti
O Instituto Mineiro de Obesidade de Belo Horizonte se manifestou em nota enviada à Itatiaia nesta quarta-feira (27).
"Lamentamos profundamente o falecimento da paciente Bárbara Laura Souza Félix, ocorrido nesta terça-feira.
Bárbara foi submetida à cirurgia após a realização das avaliações e dos exames pré-operatórios indicados, que apontavam condições adequadas para o procedimento, conforme os protocolos médicos vigentes.
Durante o procedimento, prestamos toda a assistência necessária. Apesar dos esforços e da adoção de todas as medidas clínicas e cirúrgicas disponíveis, lamentavelmente Bárbara não resistiu. Diante da situação, as autoridades competentes e o Instituto Médico Legal foram prontamente acionados por nossa equipe. Neste momento, aguardamos a conclusão do laudo pericial, que contribuirá para o esclarecimento dos fatos.
Os familiares acompanharam a evolução do quadro desde os primeiros momentos e foram devidamente informados ainda no ambiente hospitalar, e nossa equipe segue à disposição para quaisquer esclarecimentos necessários.
Reiteramos nossa solidariedade aos familiares e amigos de Bárbara diante desta perda profundamente dolorosa."
Conselho Regional de Medicina
A Itatiaia entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina e aguarda retorno.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.



