Homem acusado de jogar tijolo e ferir passageira de carro em BH vai a júri popular
Yuri Henrique de Oliveira Nunes é réu por tentativa de homicídio contra quatro pessoas que estavam no veículo; ele está preso desde outubro de 2025

A Justiça em Minas Gerais definiu, nesta quinta-feira (28), que Yuri Henrique de Oliveira Nunes, de 30 anos, vá a júri popular. Ele é réu por tentativa de homicídio após jogar um tijolo do alto do túnel da Lagoinha, Região Noroeste de Belo Horizonte, em outubro de 2025. Na ocasião, o tijolo atingiu a passageira de um veículo, que ficou gravemente ferida.
A vítima, uma mulher de 39 anos, foi atingida pelo tijolo revestido de concreto na manhã do dia 19 de outubro de 2025. Ela estava no banco do passageiro do carro dirigido pelo marido dela, de 42, quando o tijolo atravessou o teto solar do veículo, atingindo-a na cabeça. A filha do casal, de dois anos, e um sobrinho, também estavam presentes no carro.
A decisão é da juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do 1º Tribunal do Júri Sumariante. Segundo a sentença, "o acusado deve ser submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri popular, cabendo aos senhores jurados, no exercício de seu mister constitucional, como juízo natural da causa, apreciar de forma mais aprofundada o conjunto probatório e proferir o veredicto sobre o fato".
O Tribunal do Júri é um órgão do Poder Judiciário composto por um juiz togado e sete cidadãos sorteados da sociedade (jurados). A principal função da modalidade é julgar crimes dolosos contra a vida, garantindo que o réu seja julgado pelos próprios pares.
Yuri Henrique de Oliveira Nunes foi preso em flagrante em 20 de outubro de 2025, dois dias após o crime, tendo a prisão convertida para preventiva no dia 22 do mesmo mês. A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) em 17 de novembro, tornando o homem réu por tentativa de homicídio contra as quatro pessoas que estavam no veículo, com as seguintes qualificadoras:
- Motivo torpe;
- Meio cruel e meio que resulta em perigo comum
- Uso de recurso que dificultou a defesa da vítima
- Contra menor de 14 anos.
A magistrada ainda indeferiu o pedido da defesa de instauração de incidente de isanidade mental e manteve a prisão preventiva do réu.
Insanidade mental
A defesa reiterou o pedido de instauração de incididente de sanidade mental/dependência toxicológica de Yuri. O pedido é o instrumento jurídico utilizado para avaliar se o acusado, ao tempo do crime, possuía capacidade de entender o caráter ilícito do fato e de determinar-se conforme esse entendimento.
Segundo o requerimento, o réu faria uso excessivo de drogas e álcool, o que poderia indicar dúvida quanto à capacidade dele de entendimento e autodeterminação ao tempo dos fatos.
Porém, o pedido foi indefirido, ou seja negado, pela juíza. A magistrada afirmou que a defesa de Yuri "limitou-se a repisar os argumentos já suscitados por ocasião da audiência, sem trazer aos autos qualquer fato novo, razão pela qual tais alegações já foram devidamente analisadas e rechaçadas".
Prisão preventiva mantida
Preso desde outubro de 2025, a Justiça definiu que Yuri Henrique de Oliveira Nunes continuará detido. A medida, de acordo com a juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza visa à garantia da ordem pública, à conveniência da instrução criminal e para assegurar a aplicação da lei penal no judicium causae — a fase de um processo em que o mérito é julgado.

Relembre o caso
Uma mulher de 39 anos ficou gravemente ferida ao ser atingida por um bloco de concreto que atravessou o teto solar do carro em que ela estava, na manhã do dia 19 de outubro de 2025, no Complexo da Lagoinha, na Região Noroeste de Belo Horizonte.
A vítima estava no banco do passageiro do carro dirigido pelo marido dela, de 42 anos, quando um tijolo revestido de concreto atravessou o teto solar do veículo, atingindo-a na cabeça, segundo informações da Polícia Militar.
A filha do casal, de apenas dois anos, e um sobrinho, também estavam presentes. Eles não ficaram feridos, mas a filha da vítima entrou em estado de choque.
No momento do acidente, o carro entrava no túnel que dá acesso a Avenida Cristiano Machado. Uma testemunha do ocorrido afirmou que, anteriormente, tinha visualizado uma pessoa atirando pedras no mesmo local, tentando acertar ônibus e outros veículos.
O tijolo que atingiu o carro era revestido de concreto, com peso de 8,6 quilos. Após ser identificado, Yuri foi preso dois dias após o crime, na tarde do dia 20 de outubro de 2025.
A vítima relatou à Justiça que foi submetida, inicialmente, a um procedimento cirúrgico de emergência destinado à contenção e limpeza das lesões. Depois precisou ser transferida para uma unidade hospitalar especializada onde realizou diversos procedimentos cirúrgicos.
Ela ainda informou que foram implantados em sua face 32 parafusos, seis placas e uma malha de titânio, esta utilizada para sustentação do olho esquerdo, que havia se deslocado da órbita ocular. Ao longo da recuperação, permaneceu por 40 dias impossibilitada de falar, alimentando-se exclusivamente de líquido.
Desde então, a vítima realiza sessões semanais de fisioterapia, submete-se regularmente a tratametnos para as cicatrizes e segue com limitações na abertura bucal, além da necessidade de futuros procedimentos e cirurgias na região nasal.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



