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Guardas de SP são investigados por cobrar taxa de proteção a comerciantes na Cracolândia

Denúncia aponta que suspeitos ganhavam entre R$ 1,5 mil e R$ 5 mil; sete agentes foram afastados 

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Investigados fazem parte da Inspetoria de Operações Especiais (Iope)
Investigados fazem parte da Inspetoria de Operações Especiais  • Prefeitura de São Paulo/Divulgação

Sete agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo foram afastados das funções pela prefeitura da capital. Os guardas, que fazem parte da Inspetoria de Operações Especiais (Iope), são acusados de cobrarem taxa de proteção a comerciantes na região da Cracolândia, no Centro. A investigação que tramita em sigilo foi revelada pela Band.

Em nota, a prefeitura da capital paulista informou que os servidores foram "colocados à disposição da corregedoria". "As investigações seguem em sigilo até a completa correição da atuação da força de segurança". O prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse em um evento na manhã desta terça-feira (6) que serão "punidos rigorosamente" e pediu para que a população "não perca a confiança na corporação".

De acordo com a denúncia, os guardas investigados ganhavam entre R$ 1,5 mil e R$ 5 mil pela proteção aos estabelecimentos. As revelações sobre a investigação indicam que as cobranças começaram em agosto de 2022. A região da Cracolândia enfrenta problemas em relação a crimes como roubos.

Áudios da investigação, divulgados pelo Jornal da Band, mostram um guarda relatando o sistema de proteção para quem paga. “No que depender de mim, se você pegar os relatos lá, e perguntar do nosso sistema de trabalho, eles vão falar. Se estourar alguma coisa, GCM tá na porta? Sim, aconteceu alguma coisa, são os primeiros a estarem ali”, diz.

Conforme a investigação, mais de 30 comerciantes pagavam pela proteção. Os preços pagos por prédios e condomínios era de até R$ 3 mil. Lojas pagam entre R$ 200 e R$ 500 por mês, com pagamentos semanais. Até um grupo de WhatsApp foi criado pelos guardas para tratar com os lojistas.

Para receber o dinheiro, o grupo investigado abriu uma empresa, em setembro de 2022. Inscrita na Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), com capital de R$ 10 mil, o objetivo social da empresa é prestar serviços de segurança e montagem e instalação de equipamentos de iluminação e sinalização.

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Jornalista há 15 anos, com experiência em impresso, online, rádio, TV e assessoria de comunicação. É repórter da Itatiaia em São Paulo.